
A pandemia do coronavírus está mudando a vida das pessoas em todo o mundo. Nesta fase, em que todos devem ficar reclusos em seus lares, evitando a disseminação do vírus, é importante realizar atividades para espantar o tédio e a tristeza que a situação pode provocar. Para isso, algumas pessoas estão criando uma rotina em suas casas, com atividades para ocupar o tempo, superar o medo e manter a chama da esperança na vida. O portal IDEIA DELAS entrevistou brasileiros que moram em diversos estados para saber como eles estão enfrentando esse momento delicado e para saber o que eles fazem enquanto estão confinados em casa.
Por Claudia Costa e Elisiê Peixoto

MAURO DI DEUS, 66 anos, divorciado, pai de uma filha, produtor e diretor de cinema, mora em Brasília, no Distrito Federal.
“Sim, estou muito preocupado, afinal, é a nossa primeira pandemia. E a última, espero. Tenho me informado diariamente sobre o avanço dela. Não conseguiria ficar alheio. O espírito de solidariedade, que me guia, não deixa espaço para ansiedades. Nessa altura da minha vida, ficar em casa é um prazer. Tenho me planejado para ter aqui dentro, a infraestrutura que necessito. Já não saio de casa há quatro dias. Continuo acordando cedo e fazendo alongamentos, o corpo pede! principalmente nesses dias em que não posso fazer as minhas pedaladas diárias pelo Parque da Cidade. A leitura, hábito desde a infância, me leva a manhã, e depois do almoço, me informo pelos sites. Procuro assistir a pelo menos um filme diariamente, e fico horas ao telefone conversando com amigos, sabendo como eles estão, trocando informações, planejando as compras de comida com eles. Passo boa parte da noite no Skype com os meus parceiros de produção do nosso novo filme, principalmente, com o Max Alvim, o diretor, que vara as noites em São Paulo trabalhando os últimos minutos da edição de” O Povo Pode”, o nosso filme. Então, não sobra tempo para tédio”, diz ele que mora sozinho, mas tem uma namorada.

CRISTINA AGUILERA, casada, jornalista e assessora de imprensa, moradora na capital paulista.
“Acredito que todos que estão informados sobre essa pandemia estão preocupados com a saúde dos seus entes queridos, especialmente, os mais idosos que são os mais vulneráveis. E também com a desigualdade social brasileira que coloca a população carente em pior situação diante da pandemia. Além, é claro, dos impactos na economia, ainda mais para os trabalhadores que estão na informalidade. Eu leio todas as matérias. É muito importante estar bem informado por veículos de comunicação sérios e evitar a fake news. Trabalho em home office. Acordo cedo, leio e assisto os jornais, me arrumo e trabalho em horário normal. Também faço exercícios, ouço música, leio muito e não deixo de conversar com os familiares e amigos. Ontem, comemoramos virtualmente o aniversário do meu sogro por videoconferência com toda a família”.

ROSALVA ALVES, 54 anos, divorciada, mãe de duas filhas, administradora de empresas, moradora de Rondonópolis, Mato Grosso.
“Já estive mais preocupada, agora procuro apenas seguir uma rotina mais tranquila. Sou portadora de doença auto imune, uso máscara para circular pelas áreas comuns do meu condomínio e tenho evitado sair. Tenho me informado através de redes sociais e acompanhando pelo site do governo. Deixei de ver TV por causa do sensacionalismo. Aproveitei esse recolhimento para cuidar de tarefas que venho adiando em casa. Ouço música, cozinho para mim e minha filha que está fazendo uma maratona de séries e lendo um livro, exigência minha.

PEDRO CHRISTO ALEIXO ALVES DE BRITO, 30 anos, casado, pai de uma garotinha, empresário, morador de Belo Horizonte, Minas Gerais.
“Estou muito preocupado com essa pandemia. Tenho bronquite e sou grupo de risco. Infelizmente pesquiso muito na internet sobre o assunto, então fico mais ansioso. Meu dia a dia nesta quarentena envolve curtir minha família, brincar com a minha filhinha, a Beatriz, 2 aninhos, e com a Nina e a Zoe, minhas filhas da raça Golden retrievers. Para passar o tempo também tenho assistido a muitos filmes e estou querendo aprender a cozinhar. No mais continuo seguindo meus horários do dia a dia. Pretendo retornar a corrida que é a atividade física que realizo. Vou procurar caminhar em locais sem movimento e também usar máscara.”

UBALDO GIULIO LÚCIA SANTAGUIDA, 62 anos, arquiteto e engenheiro, mora em Recife, Pernambuco.
“Estou muito preocupado, tenho visto as notícias. A minha rotina inclui assistir filmes, navegar na internet, escutar músicas, atualizar-me profissionalmente e conversar com meus filhos pelo telefone. Faço caminhadas externas dentro do prédio onde moro, mas muito cedo. E tenho buscado manter esperança e otimismo. O meu desejo hoje é saúde para todos. E creio que Deus é a cura.”

ROBERTA CLIVATI, 35 anos, educadora física, residente em Londrina, Paraná.
“Estou muito preocupada com a pandemia como nunca estive em toda a minha vida. Estou escolhendo em não ler mais nada sobre esse vírus para manter a calma e seguir com a rotina de trabalho em casa, e também para estar com a minha família. Nesta quarentena estou prescrevendo meus treinos por chamada de vídeos online com as minhas alunas logo pela manhã. Tenho feito meus treinos em casa, compartilho vídeos de treino que são possíveis de fazer em casa, tudo pela internet. Estou cozinhando, organizando a casa, brincando com a minha filha. Como moro em casa, tenho quintal, então desfruto do tempo com ela.”

ROSANGELA ASSIS PEREIRA, 65 anos, empreendedora, moradora em Vila Velha, Espírito Santo.
“Eu, na verdade, se estou preocupada? Acho que no momento não tem mais com o que se preocupar. A calamidade está instalada. Agora é ajudar o próximo e se ajudar. Como? Eu acredito na fé que tenho em Deus. Não estou ansiosa, quando a gente tem fé, a gente espera em Deus, então o que Ele mandar eu aceito. Acredito piamente que o mundo precisava disso: era necessário que as pessoas refletissem no que estava acontecendo; posso até estar errada porque não sou a dona da verdade, mas é o que eu penso. O ser humano está de mal a pior, logico que não generalizo, mas muitos estavam indo de mal a pior. O pensamento deles era sempre o mesmo: “sou eu, só eu, eu estou certo, dinheiro acima de tudo.” Neste momento basta parar e ver que Deus está falando para todo mundo. Nem o dinheiro pelo qual as pessoas brigam tanto, podem usufruir. E quanto à minha rotina é buscar o conhecimento de ser humano, ajudando as pessoas a não desanimarem. Não tenho tédio porque me reinvento. E também tenho refletido, avaliando-me, buscando discernimento sobre o momento mundial que vivemos, refletindo sobre a ação do homem na terra. E vamos ver o que vai acontecer.”

ANALISE SEVERO, 45 anos, cantora e apresentadora de rádio e televisão, moradora em Porto Alegre, Rio Grande do Sul.
“Sim, todos estamos muito preocupados. Em primeiro lugar com a saúde das pessoas, do nosso próximo, da nossa família, dos nossos velhinhos. Sim, preocupados com muitos óbitos em outros países, Itália, Europa, e aqui no Brasil. Então, no Rio Grande do Sul, temos muita preocupação. Uma das classes mais afetadas é a classe artística, dos autônomos que não têm renda, então isso é uma preocupação constante, mas ao mesmo tempo estamos conscientes em nos cuidar sem sair de casa. Buscamos a prevenção que é o melhor remédio. Acompanho as matérias, é importante ficarmos por dentro do que está acontecendo. Temos fortes veículos de comunicação como a CNN Brasil, a Globo News, a Rádio Gaúcha, que é escutada no Brasil inteiro, muito atualizada. Considero o jornalismo ótimo e com excelentes profissionais. Não vejo problema em estar por dentro das notícias, mas não devemos entrar em pânico. Tudo faz parte do amadurecimento. Quanto à nossa rotina, confesso que está voltada para leitura, tenho dois filhos, Lara e Lorenzo. Eles têm recebido atividades da escola pela internet. Estamos auxiliando, envolvidos com as tarefas diárias. E também tenho colocado as atividades domésticas em dia, colocando cortinas, fazendo limpeza em armários, organizando gavetas. O tempo tem servido para isso e para não cairmos no tédio. Também estamos assistindo a vários filmes. E hoje, com canais abertos para a população. Agradeço ao Portal Ideia Delas pela oportunidade.”
Arte da capa : Fernando Peixoto
Fotos:Arquivo pessoal dos entrevistados
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Excelente trabalho meninas, é sempre bom saber que outras pessoas compartilham das mesmas preocupações que nós e como cada uma se reinventa nesse momento de isolamento social. Parabéns..