
Por Elisiê Peixoto
Em tempos de quarentena, quando, ainda assustados e ansiosos, procuramos nos adaptar ao isolamento total, cada um na sua casa e com diversas restrições de relacionamento, questiono-me sobre o desafio de viver só. E aprender com isso uma lição inevitável: temos que fazer de nós mesmos uma boa companhia. É o que tenho feito, e não apenas nesta época tão conturbada e difícil, mas durante muitos anos da minha vida. Aprendi a relacionar-me comigo e gostar disso.
Sempre encarei a solidão como algo positivo. Nunca questionei o fato de envelhecer morando sozinha, dormindo sozinha, nunca tive receio disso. Eu gosto. Estar só não significa que você não tenha um namorado, amigos, família, ou que seus dias sejam monótonos. De forma alguma. Vejo casais morando juntos mas numa perdida solidão de conversas, companheirismo, cumplicidade.
A solidão me ensinou algo precioso, que é valorizar o meu espaço, o meu tempo, as minhas coisas, respeitar as minhas vontades e administrá-las de acordo com o que julgo ser correto. Ficar sozinha não é vergonhoso, eu acho até corajoso. Vejo pessoas sujeitando-se a situações de relacionamentos por carência, desespero ou insegurança e que me assustam. Apenas para não enfrentarem a solidão.
O melhor momento do dia, para mim, é deitar-me na minha cama, acender a luz do abajur e, no silêncio absoluto, ler alguma coisa ou até assistir a um filme. E, pela manhã, acordar com o cheiro do café coado, continuar em silêncio por alguns minutos e, daí sim, “partir pra vida”, como diria o meu pai.
Acredito que todas as pessoas do mundo deveriam ficar sozinhas por um tempo, acho importante para a saúde mental, emocional e para conseguir forças em tempos cruciais da vida, como o que vivemos agora. Quando a notícia chegou sobre o isolamento, não me assustei com o fato de ficar em casa. Só assustei-me com a razão desta imposição (assim como o resto do mundo), temi pela segurança dos filhos (que não permitem que eu faça nada) e, claro, pela situação em si que gera ansiedade e instabilidade em vários aspectos.
Mas o fato de estar ainda mais sozinha não me incomoda. Dias atrás, perguntaram-me: “Como você dá conta?”. Uma pergunta que ficou no vácuo, porque me sinto tão adaptada a viver sozinha e preenchida pela minha rotina que nunca parei para pensar o fato de um dia acordar para a velhice, com limitações próprias da idade, dando preocupação talvez para filhos e netos.
Penso que a solidão é triste quando não existe um motivo que dê satisfação e alegria nos dias que certamente vão se tornar compridos e monótonos. Mas quando se tem algo que preenche a mente, coração e emoção, o tempo não é solitário.
Termino com uma passagem de um poema de Cecilia Meirelles com o qual me identifiquei e que eu considero muito bonita. “Nada perturbou o meu estar só. Por vezes, com o rosto nas mãos, pode ser que sentisse como os desertos amontoavam suas areias entre meu pensamento e o horizonte. Mas o deserto tem sua música, seu ritmo, seu calor”. Verdade, a música tem esse poder.


O isolamento em casal também é de grande importância e positivo para avaliar seus reais sentimentos pelo o outro que um dia despertou fortes emoções de um amor intenso abrandado ou apagado diante da rotina do dia a dia do trabalho , filhos e amigos esternos que nos faz ser desconhecido s vivendo em uma mesma casa .
FICA EM CASA , olha a sua volta , para dentro e se reinventa ..
Sensacional 👏👏👏
Só consegui ler agora 😮Tenho me dedicado mto ao crochê… é uma terapia e nem percebo o confinamento! Sempre gostei de estar em casa e , agora , como “tal” crochê 🤣🤣quero fazer e terminar tudinho rápido 👵🏻👵🏻
Um grande bjs e Parabéns 👏👏👏como sempre, sábias palavras ❣️