A cantora americana Aretha Franklin, o fundador da Apple, Steve Jobs, o apresentador de televisão Marcelo Rezende e o jornalista e escritor Gilberto Dimenstein são algumas personalidades que morreram em função do câncer de pâncreas. Mais recentemente o músico do Titãs, Tony Belotto, e agora o apresentador Edu Guedes passaram por cirurgias para retirar um câncer do pâncreas.
Por Claudia Costa
O pâncreas – glândula localizada atrás do estômago, entre o duodeno e o baço – possui duas funções distintas: a função endócrina, responsável pela produção de insulina (hormônio que controla o nível de glicemia no sangue), e a função exócrina, responsável pela produção de enzimas envolvidas na digestão e absorção dos alimentos. Algumas doenças que podem afetar o pâncreas são: fibrose cística, diabetes, pancreatite e câncer.
Pelo fato de ser de difícil detecção e ter comportamento agressivo, o câncer de pâncreas apresenta alta taxa de mortalidade, por conta do diagnóstico tardio. Segundo o Instituto Nacional do Câncer, a doença é mais comum em pessoas a partir dos 60 anos. O tipo mais comum da doença é o adenocarcinoma (que se origina no tecido glandular), correspondendo a 90% dos casos diagnosticados. A maioria dos casos afeta o lado direito do órgão (a cabeça). As outras partes do pâncreas são corpo (centro) e cauda (lado esquerdo).
No Brasil, a doença é responsável por cerca de 2% de todos os tipos de câncer diagnosticados e por 4% do total de mortes causadas pela doença.
“O câncer de pâncreas tem tratamento e até cura quando diagnosticado precocemente”, explica o cirurgião oncológico dr. Jorge Mali Junior, médico com mestrado e doutorado em cirurgia digestiva e atuação no INCA (Instituto Nacional do Câncer). Ele é o coordenador da residência médica em cirurgia oncológica no Hospital do Câncer de Londrina.
Segundo a União Internacional para o Controle do Câncer (UICC), os casos de câncer de pâncreas aumentam com o avanço da idade: de 10/100.000 habitantes entre 40 e 50 anos para 116/100.000 habitantes entre 80 e 85 anos. A incidência é mais significativa no sexo masculino. Número de mortes: 9.464, sendo 4.654 homens e 4.808 mulheres (Atlas de Mortalidade por Câncer – 2015).
Existem os fatores de risco hereditários e não hereditários para o desenvolvimento do câncer de pâncreas. Em 10% a 15% dos casos, decorre de fatores de risco hereditários. Dentre esses podemos destacar as síndromes de predisposição genética com associação ao câncer de pâncreas como: câncer de mama e de ovário hereditários associados aos genes BRCA1, BRCA2 e PALB2, síndrome de Peutz-Jeghers, síndrome de pancreatite hereditária. Os fatores de risco não hereditários são: tabagismo, obesidade, inatividade física, diabetes mellitus, pancreatite crônica não hereditária. A maioria dos fatores não hereditários está relacionada com o estilo de vida da pessoa e pode ser modificada.
Também existem casos relacionados ao câncer de pâncreas que estão vinculados à exposição a solventes, tetracloroetileno, estireno, cloreto de vinila, epicloridrina, HPA e agrotóxicos. Os agricultores, os trabalhadores de manutenção predial e da indústria de petróleo são os grupos de maior exposição a estas substâncias e apresentam risco aumentado de desenvolvimento da doença.
Segundo o médico cirurgião dr Jorge Mali Junior, a melhor forma de se prevenir do câncer de pâncreas é ter um estilo de vida saudável. Evitar a exposição ao tabaco da forma ativa e passiva. Praticar atividade física regular e manter uma alimentação saudável, evitando ingestão de álcool, contribuem para manter o nível de gordura corporal adequado e evitar o sobrepeso e a obesidade, que são fatores de risco para desenvolver diabetes, que também aumenta o risco para câncer de pâncreas. i

Sintomas e tratamentos
Os sinais e sintomas mais comuns do câncer de pâncreas são: fraqueza, perda de peso, falta de apetite, dor abdominal, urina escura, olhos e pele de cor amarela, náuseas e dores nas costas. Entretanto, esses sintomas não são exclusivos do câncer de pâncreas, e esse é um dos fatores que colaboram para o diagnóstico tardio da doença. Vale chamar a atenção para o diabetes, que tanto pode ser um fator de risco para o câncer de pâncreas como uma manifestação clínica que antecede o diagnóstico da neoplasia. Assim, o surgimento recente de diabetes em adultos pode ser uma eventual antecipação do diagnóstico do câncer pancreático. Estudos revelam que nos pacientes com câncer de pâncreas e diabetes o diagnóstico do diabetes ocorre dentro dos 24 meses anteriores ao diagnóstico da neoplasia entre 74% e 88% dos pacientes.
A detecção precoce do câncer é fundamental para a cura da doença. O diagnóstico pode ser feito por meio da investigação, com exames clínicos, laboratoriais ou radiológicos. Portanto, uma consulta anual preventiva ao seu médico contribui para prevenir e ou diagnosticar precocemente o câncer de pâncreas.
Não existe sinal ou sintoma cuja presença seja sinônimo do diagnóstico de câncer de pâncreas. Exames de imagem, como ultrassonografia (convencional ou endoscópica), tomografia computadorizada e ressonância magnética são métodos utilizados no processo diagnóstico. Além deles, os exames de sangue, incluindo a dosagem do antígeno carboidrato Ca 19.9, podem auxiliar no raciocínio diagnóstico. O laudo histopatológico, obtido após biópsia de material ou da peça cirúrgica, define o diagnóstico da neoplasia.
O tratamento a ser realizado depende do laudo histopatológico (o tipo de tumor), da avaliação clínica do paciente e dos exames, laboratoriais e de estadiamento (é o processo para determinar a localização e a extensão do câncer presente no corpo de uma pessoa. É a forma como o médico determina o avanço da doença no organismo de um paciente).
O estado geral em que o paciente se encontra no momento do diagnóstico é essencial no processo de definição terapêutica. A cirurgia é o único método capaz de oferecer chance curativa da doença. No entanto, é possível em uma minoria dos casos, pois na maioria das vezes o diagnóstico da doença é realizado já em fase avançada. Nos casos em que a cirurgia não seja apropriada, a radioterapia e a quimioterapia são as formas de tratamento, associadas a todo o suporte necessário para minimizar os transtornos gerados. Desta forma, dor, depressão, falta de ar ou qualquer outra manifestação deve ser objeto de atenção da equipe de cuidado
Outra fonte:Instituto Nacional do Câncer (INCA):
https://www.inca.gov.br/tipos-de-cancer/cancer-de-pancreas
Agradecimentos:
Captação de imagens/vídeo: Lucas Costa Milanez
Revisão de textos: Jackson Liasch (fone (43) 9 9944-4848 – e-mail: jackson.liasch@gmail.com)


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