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A arte incrível dessas mulheres talentosas que expressam emoções e sentimentos

2 de junho de 2021 por Elisiê Peixoto 3 Comentários

 

 

 

O Portal Ideia Delas conversou com quatro mulheres que através da arte encontraram maneiras, formas e significados para expressar sentimentos, emoções e talento. São telas, esculturas, gravuras com técnicas diversas: todas elas conquistando espaço, respeito e admiração. Da artista mais antiga e com muitos anos de pintura como Dolores Branco, até Roberta Neme, designer de joias que descobriu esse talento para as artes plásticas. Sem falar em duas talentosíssimas pintoras como Alessa Baggio e Raquel Carraro. Quatro expoentes profissionais que relatam um pouco de sua história e do que a arte significa para cada uma delas. 

Por Elisiê Peixoto

DOLORES BRANCO

Dolores Branco: inspiração, criação e produção.

Dolores Branco nasceu em Santos, no litoral paulista, trabalha com artes desde 1968, fez curso de pintura com Hamilton Peixoto, curso livre publicitário na Escola 28 de Julho de São Caetano do Sul (SP).  Divide residência, ateliê e galeria entre Londrina e São Paulo, mas seus quadros estão em muitos acervos pelo mundo afora. Reconhecida no meio das artes, ela continua trabalhando muito. Em 1977 recebeu a orientação de Paulo Mentem, inicialmente em São Caetano do Sul (SP) e depois em Londrina (PR), nas técnicas de xilogravura, gravura em metal, monotipia, desenho e pintura. Na Universidade Estadual de Londrina cursou modelagem em argila e esmaltação com Maria Sherlowiski. Cursou técnica de encaustica com Yoshia Nakahawara. Tem participado de exposições no Paraná, Santa Catarina, Portugal e Itália. “Ontem mesmo, às 3 da manhã, estava entalhando uma matriz, ainda em execução.  Pintei minha primeira tela copiando uma obra de Matisse. Sou uma grande admiradora de Paulo Menten, grande mestre e que foi meu companheiro durante 32 anos, compartilhando o cotidiano, o nosso trabalho voltado para a cultura e arte. Sinto muita falta da presença dele”, completa a artista. “Tenho boas recordações ligadas às artes plásticas. Quando criança fazia minhas “artes efêmeras” nas areias da praia. O mar chegava e as levava. Sempre fui apaixonada por artes. Minha trajetória tem inúmeras exposições individuais em muitos lugares, dentro e fora do Brasil, além das coletivas e salões”, completa.

 

As séries de xilogravuras de Dolores Branco são reconhecidas e aplaudidas em muitos lugares.

Atualmente, Dolores Branco frequenta o Ateliê Cais, em São Paulo. “Lá tem as prensas pertinentes à impressão de gravuras e trabalho com o grupo de Gravadores de Santos: FORMATOS. Porém, gosto de trabalhar em casa, fica mais prático. Às vezes fica a maior confusão, porque tem pincel no escorredor de talheres, no balcão da cozinha eu entalho e faço impressão manual, etc. Na verdade há várias situações que precisam ser contornadas com esses “jovens que fizeram 80 anos”. Posso afirmar que mesmo com a idade, estou sempre ativa, pulgladíssima, acelerada, sempre me reinventando, criando. Enfim, amo fazer arte, é a minha vida, é o que sei fazer, porém, toda minha trajetória somente foi possível por ter meus filhos ao meu lado;  Josette, Artur Eduardo e Vitor Fábio”, finaliza.

Ela tem diversos prêmios como o “Prêmio Especial Bico de Pena”, em aquarela e gravura realizado em Maringá (PR), “Prêmio de Gravura 2” do Salão Estadual de Artes Plásticas de Ibiporã (PR), “Prêmio de Gravura 11”, do Salão de Artes Plásticas de Jacarezinho (PR), “Prêmio de Gravura do Salão dos Novos”, de União da Vitória (PR), “Prêmio de Gravura do 10”, do Salão de Artes Plásticas de Jacarezinho (PR).

 

RAQUEL CARRARO

 

Raquel Carraro, 38 anos, é formada em Artes Visuais pela Universidade Estadual de Londrina, atua na área desde o final da sua formação em 2006. “Sempre gostei de trabalhos manuais, e quando pequena, contemplava os trabalhos do meu pai que desenhava, esculpia e pintava. Utilizo principalmente a técnica de tinta acrílica sobre tela. Sempre estou inspirada a criar algo novo, uma imagem vinda do meu interior, composta por múltiplas referências absorvidas em diversos momentos. Fico encantada com a ideia de poder transmitir harmonia, bem-estar e beleza através do meu trabalho, e de pensar que cada obra realizada irá se encontrar e ser completada com o interior de cada observador”, comenta a artista.

Fico encantada com a ideia de poder transmitir harmonia, bem-estar e beleza através do meu trabalho, e de pensar que cada obra realizada irá se encontrar e ser completada com o interior de cada observador”, comenta a artista.

 

Para ela, a arte representa uma forma de expressão humana, um canal usado para a expressão de Deus através dos homens. “Tem um pintor que me inspirou, emociono-me com a sua arte que é Henri Matisse. Nós pintamos com a mesma intenção, e suas palavras sempre me inspiram: “Esforço-me por alcançar uma arte de equilíbrio, de pureza – uma arte que não desassossegue ou confunda. Gostaria que o homem cansado, sobrecarregado, acabado, encontrasse paz e sossego nos meus quadros”. Atualmente também admiro artistas contemporâneos brasileiros como a Fernanda Naman e Kiolo”, completa a pintora.

 

 

ALESSA BAGGIO

“A técnica que eu trabalho é a pintura acrílica sobre tela. Procuro trabalhar com pinceladas soltas, fluidas, em preto e branco e cores que possam sempre transmitir algum tipo de sensação”, afirma Alessa Baggio.

 

Alessa Baggio é nascida em Cambe/PR, e desde criança, relata que a arte está presente em sua vida. “Encantei-me com a pintura vendo minha mãe pintar suas telas com tinta óleo e ficava observando cada pincelada, cada mistura de cor, até que pintei meu primeiro quadro aos  dez anos, tendo minha mãe como minha professora e incentivadora. Desde adolescente dizia que queria ser artista. Aos 17 anos passei na Faculdade de Artes do Paraná em Curitiba e iniciei minha vida acadêmica lá. Porém, foi em Londrina, que terminei minha graduação de Artes Plásticas em 1997 na Universidade Estadual de Londrina. Continuava pintando, mas durante a faculdade, apaixonei-me pela fotografia, comprei minha primeira câmera fotográfica e montei meu estúdio e laboratório fotográfico. Em 1998 fiz especialização em Discurso Fotográfico pela UEL e comecei a dar aulas de fotografias em algumas universidades do Paraná (UNOPAR, UNIPAR, CESUMAR)”, conta.

Além da vida acadêmica, Alessa fotografava muitos ensaios pessoais, festivais e espetáculos de teatro e fotografia de moda. “Como minha referência da pintura era muito forte desde criança, revelava as fotos preto e branco no meu laboratório e transformava em algo ainda mais autoral, pintando as fotografias com lápis de cor, tinta e giz pastel seco (inspirado numa fotografia em preto e branco pintada do meu pai quando criança). Em 2001 deixei o estúdio e as aulas nas universidades e me mudei para Itália. Por um ano e meio trabalhei como fotógrafa e designer em um dos estúdios de moda mais conceituados de Milão, o Studio Cucco. Foi uma experiência incrível poder vivenciar o universo da moda, produzir campanhas de grandes marcas italianas, fotografar para vitrines do quarteirão da moda, conhecer pessoas do meio artístico e da moda. Fiz minha primeira exposição de fotografia na Itália no tema autorretrato com interferência de tinta acrílica sobre a foto. De volta ao Brasil, reabri meu estúdio de design e fotografia e segui por 15 anos desenvolvendo campanhas, editoriais e exposições de fotografia de moda. Neste período pintava apenas por paixão e hobby. A pintura me inspirava, me deixava mais criativa, renovava minhas energias entre uma campanha e outra”, revela.

Em 2009,  mudou-se para Fortaleza para dedicar-se à família. Sempre inquieta, organizou o primeiro Congresso online de Fotografia de Moda do Brasil, o Câmera Fashion, em 2015. Retornou ao Paraná, resgatou sua essência na pintura porque sentia falta desse universo criativo. “Sempre gostei de fotografar mulheres e na pintura não foi diferente. Com forte referência e influência da fotografia de moda, trouxe para minhas pinturas os personagens femininos com toda sua força, emoção, brilho e empoderamento. A forma com que eu represento os meus personagens femininos, causa um certo impacto no espectador pela expressão do olhar e gestualidade. Procuro em todas as minhas obras expressar um sentimento, uma sensação, uma emoção. E que possa se conectar com o espectador, através de uma reflexão, uma mensagem que pode ser decifrada e interpretada de acordo com a experiência de cada um. A arte precisa ser vivenciada, sentida. Para mim, a obra só está completa se existir uma conexão entre o artista, a obra e o espectador”.

“Em 2019 e 2020, participei de várias exposições coletivas em São Paulo e uma exposição individual em Londrina que aconteceu na Hangar 43, um espaço que reúne os mais consagrados artistas e designers do mobiliário brasileiro. A exposição teve a curadoria da Galeria Mais Arte, na qual sou representada em Londrina.  Também me representam a Galeria Glen Arte, em Barueri/SP,  e a Galeria Arte 12b, em Gramado/RS. E no ano de 2020, o crítico de arte Oscar D’Ambrósio publicou duas reflexões sobre a estética do meu trabalho e que me deixou muito feliz”, completa.

Alessa Baggio participa da Exposição Imperfeita/Galeria Coletivo284/Lisboa/Portugal. A obra selecionada: “As duas faces de Frida Kahlo”.

 

ROBERTA NEME

Roberta Neme, 40 anos, nascida e criada em Londrina. “Sou formada em design de joias pelo Instituto Europeu de Design, mas há três anos, quando trabalhava com assessórios de noivas no meu espaço Rozah, conheci o artista David Wang e iniciei um curso de desenho e pintura. Comecei como um hobby porque sempre gostei de pintar e desenhar, porém fazia dez anos que não pintava. Com o curso o meu interesse foi aumentando, transformando-se em profissão. Fechei a loja e dediquei-me à nova trajetória profissional, dedicando-me cem por cento nas telas, desenhos. Tudo isso me encanta demais, descobri essa grande paixão” comenta Roberta.

Para a artista, um ciclo foi fechado e outro começou. “Não desejo parar porque estou realizada em feliz. Desde a época da faculdade de joias, inspiro-me em tribos espalhadas pelo mundo. E agora dou continuidade nas telas. E sempre busco colocar um olhar sobre isso. Acabei unindo duas paixões, joias e pintura”, explica a artista que está fazendo sua primeira exposição junto às alunas da academia de David Wang, no espaço da Cooperativa Conecta Sicredi de Londrina.

“A arte representa amor, um pouco de mim, representa a vida, o belo, é a expressão do artista em traços e cores. Um mestre que me inspira é o meu mestre David Wang. É a pessoa a quem devo o meu conhecimento técnico, a ele toda a minha gratidão por seu ensinamento e dedicação.  Sei que as minhas obras serão o legado que deixarei para a minha filha”, conclui.

 

Fotos: Arquivo Pessoal

Banner: Fernando Peixoto

 

 

 

 

 

 

 

Arquivado em: Destaque, Entrevistas

Sobre Elisiê Peixoto

Elisiê Peixoto foi colunista da Folha de Londrina durante 18 anos, lançou cerca de 30 livros. Atuou num programa semanal da extinta TV Mix, escreveu para diversas revistas, trabalha como jornalista e escritora na Editora Mondo. Como colaboradora da Ong Nós do Poder Rosa escreveu cinco livros em prol das causas da mulher. Atua junto ao departamento de marketing do Roberta Peixoto Academy.

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Comentários

  1. Wagner Donadio diz

    2 de junho de 2021 em 18:02

    Belos relatos e histórias que nos inspiram…
    Rever a arte de amigas e conhecer outras faz bem a alma.
    Parabéns pela matéria!!!

    Responder
  2. Nádia Essada diz

    3 de junho de 2021 em 09:53

    Quanto talento nessas mulheres maravilhosas. Amei matéria. Parabéns !!!

    Responder
  3. Helena diz

    10 de junho de 2021 em 08:48

    Achei maravilhoso todas, com muito talento e carinho adoro a arte,e muito gratificante ver o amor com que elas se dedicam

    Responder

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