
Por Elisiê Peixoto
Fiz aniversário. Comemorei como a maioria comemora na pandemia: de forma restrita, jantar intimista, sem abraços e beijos como eu gostaria, não totalmente solitário porque estava com a filha, amiga e genro, mas também não da forma como eu costumo brindar. A falta dos beijos e abraços presenciais, a falta da informalidade, da tranquilidade absoluta, tudo foi substituído pela companhia dos “niverzapps”, Messenger, redes sociais. Mais de 500 mensagens. Fiz questão de ler todas, senti-me acalentada, porque a grande parte das mensagens era de esperança, afeto, solidariedade. Mas festeira como sempre fui, graças a Deus com amizades que me acompanham desde a adolescência – e permanecem – fui outra vez alcançada por uma certa “estranheza”, por não poder reunir todos os familiares e amigos como fiz durante uma vida toda de muitos aniversários. Na minha casa, desde a infância, comemorar aniversário sempre foi uma data esperada com direito aos preparativos, festa, comida, bebida, parabéns, presentes, música e tudo mais.
Gosto de celebrar a vida, eu sempre digo que é um novo ciclo e que vou realizar um monte de coisas. Nem sempre realizo, mas a promessa me mantém cheia de energia. E, com ou sem pandemia, comemoramos nosso aniversário, todo mundo passa pela data. Se estamos por aqui, mais do que nunca é dever comemorar, agradecer e manter os olhos na esperança.
Olhei-me no espelho e encontrei mais umas ruguinhas incômodas que não deveriam estar ali. Minha filha fala que é exagero meu… mas é filha. As amigas dizem que estamos no mesmo barco, todo mundo envelheceu um pouquinho. Uns e outros falam que estou igual… mas sei que é para agradar. O fato é que a pandemia trouxe-me um pouco de “acomodação estética”, vamos dizer assim. Sempre penso: “depois da pandemia vou mexer aqui, ali, vou buscar tratamento pra isso e pra aquilo”. Na verdade, é falta de ânimo. Causa-me indignação quem leva a vida como se nada tivesse acontecido, como se tudo estivesse na maior normalidade com um cenário que escancara a dura realidade.
Mas enfim, poder brindar mais um ano de vida é dádiva de Deus. Assim eu creio. Propósito que deve ser cumprido, afinal, a vida conta história, registra os momentos que são eternizados. Um dia, a pandemia terá seu capítulo à parte, doído, inesquecível para quem sobreviveu a ele. Porém, disciplinador para quem aprendeu uma lição absoluta; a vida deve ser comemorada cada segundo, cada minuto, cada momento. Que seja desfrutado numa mesa com quatro pessoas em torno de um bolo de aniversário, no sofá, assistindo a uma série com os filhos; na poltrona solitária de um canto da sala enquanto lemos um livro. Ou, quem sabe, sentados na areia, apenas observando o mar e as gaivotas. Não importa a condição, creia, ela é de longe melhor do que qualquer outra.
Clarice Lispector diz em seus poemas que “o tempo corre, o tempo é curto”. Concordo plenamente, agora mais do que nunca. A pandemia trouxe um novo olhar acerca disso tudo e perder tempo chega a ser assustador. Há coisas que já tenho feito, outras que pretendo fazer. E depois desse maremoto, realizarei outras, com toda certeza. O aniversário foi diferente, menos barulhento, reservado, apenas nós. Mas observei aquele momento como uma criança que abre um presente esperado, sonhado, aguardado por meses. Senti-me feliz, viva, esperançosa. Que venham outros, com mais pessoas, mais divertidos, mais felizes e em tempos melhores.
(Foto Pixabay)


Adorei!!😍Texto perfeito, 👏👏 Ele falou por mim e por muitos , tenho certeza! Vc está certíssima amiga…celebrar a vida é dádiva divina! 🙏🙏Comemorar cada novo dia com paixão pela vida e muita gratidão à Deus!!E mais um ano de vida que celebramos juntas ….que venham muitos p brindamos!!🥂🥂
Querida Elisie como sempre seu texto é lindo !!!!
Que o próximo ano vc realize tudo do jeitinho que gosta e muito feliz . 😘😘😘