Por Claudia Costa
Amin Issa (libanês), Auriel Confort (congolês) e Alejandra Espindola (uruguaia) são três estrangeiros que escolheram o Brasil para morar. Suas histórias de vida são bem diferentes, assim como os motivos que os trouxeram a viver no Brasil. Mas uma coisa eles têm em comum: o amor pelo País, o respeito pelo povo brasileiro que os acolheu tão bem. Aliás, a receptividade calorosa e a demonstração de afeto dos brasileiros pelos estrangeiros são características reconhecidas internacionalmente. O que é motivo de orgulho para nós brasileiros, principalmente quando vemos o crescimento da intolerância racial, de gênero, religiosa, dentre outras, e o aumento da xenofobia em muitos países (aversão ou rejeição a pessoas ou coisas estrangeiras). O termo é de origem grega e se forma a partir das palavras “xénos” (estrangeiro) e “phóbos” (medo). A xenofobia pode se caracterizar como uma forma de preconceito.
Empreendedorismo e família
O empresário Amin Issa, 47 anos, deixou Beirute (Líbano) aos 15 anos por causa da guerra. Ele é muçulmano xiita, pertenceu ao Hesbollah (Partido de Deus) e lutou na guerrilha. Hoje é um capitalista.
Ele veio para o Brasil em 1985 com apenas US$ 100 no bolso. Inicialmente foi morar em Foz do Iguaçu (PR) na casa de sua irmã e trabalhava no Paraguai. Também residiu em São Paulo (capital), mas foi em Londrina (PR) que construiu sua vida. Ele mora na cidade desde 2002 e é proprietário da Pandor. Empresário de sucesso na área de panificação, Amin Issa diz que seu tino comercial é por sua origem libanesa. “A principal atividade econômica dos fenícios era o comércio”, diz ele.
Amin Issa se casou com uma brasileira com quem teve três filhos: Mohamed (22 anos), Wissam (16) e Samer (19). Atualmente, está separado da mãe dos seus filhos. Seus pais, Zeinad e Mohamed, tiveram nove filhos. Ele voltou recentemente do Líbano, onde foi visitar sua família com quem fala todos os dias ao telefone. Chegou a voltar a morar no Líbano, mas não se adaptou. “Sou mais brasileiro do que libanês. Eu penso em português e não em árabe. Gosto de música sertaneja, samba”, diz ele, salientando que foi muito bem recebido pelo brasileiro. “Não troco Londrina por nenhum lugar do mundo. Londrina é uma terra abençoada”, diz, demonstrando todo seu amor pelos paranaenses.
Qualificação profissional
Auriel Confort, 26 anos, natural da República Democrática do Congo, veio morar no Brasil há seis anos. Inicialmente ficou um ano em Curitiba (PR), onde foi aprender português na Universidade Federal do Paraná. “Não sabia falar nem oi em português”, brinca ele falando da dificuldade inicial de se comunicar. Mas, como fala inglês e francês, conseguiu se comunicar com alguns brasileiros. Auriel cursou Direito na Universidade Estadual de Londrina e atualmente faz um curso de pós-graduação em Direito Penal. Antes de vir para o Brasil, Auriel cursou Medicina durante três anos, mas não gostava do curso que acabou abandonando. Ele pensa em atuar como advogado internacional futuramente.
O simpático jovem congolês morou também na França e na Bélgica, mas fala que o brasileiro é um povo muito receptivo, assim como o africano. Ele pertence a uma elite cultural em seu país. Sua mãe é professora e seu pai francês é inspetor. Namorando uma brasileira, não sabe quando ou se voltará a morar um dia no Congo. Ele diz que nunca sofreu preconceito no Brasil. “Sei que até existe, mas nunca vi isso aqui no País”, diz.
Diversidade e oportunidades

A consultora visagista, coach e palestrante Alejandra Espindola mora no Brasil há 23 anos. Ela explica que deixou o Uruguai para morar no Brasil quando tinha 16 anos. “Meus pais escolheram o Brasil porque foram convidados por uma organização missionária para morar e trabalhar aqui com as pessoas”, diz Alejandra. “Amo este país por vários motivos, mas o principal é o povo, são pessoas alegres que acolhem outras pessoas sem saber quem são, ou seja, é o povo mais amoroso que conheço. No Brasil, tive oportunidade de crescer na carreira e me tornar uma profissional de sucesso”, destaca.
Para a visagista, outro motivo para gostar tanto do País é a sua grande diversidade. “É o pais da diversidade em tudo: pessoas, culturas, sotaques e oportunidades. O Brasil é rico em tudo. É só saber aproveitar as oportunidades e a delícia de estar no meio de pessoas tão lindas como o povo brasileiro”, ressalta a uruguaia que é brasileira de coração.
Alejandra, mora em São Paulo (capital), é reconhecida como uma das melhores Educadoras na área de Visagismo & Consultoria de Beleza, dedica-se a formar profissionais em todo o Brasil e também no mercado internacional. Desenvolve projetos educacionais para grandes empresas.


Realmente o nosso país é bem acolhedor. Em se tratando de cidades, Londrina possui uma população amigável e bem acolhedora. Os estrangeiros chegam receosos, porém em poucos dias, já se sentem confortáveis e uma pequena minoria volta à terra de origem.
Muito legal Claudia essas matérias que envolve biografia é vida das pessoas. Lógico quando são pessoas que desfiam o senso comum, fica mais legal ainda. 👏
Adorei a matéria. Parabéns, Claudia!