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Quente ou frio, morno nunca!

28 de setembro de 2017 por Elisiê Peixoto 4 Comentários

Nem chá é bom morno. E pessoas mornas não somam, edificam ou contribuem. Passam pela vida nulas e são facilmente esquecidas.

 

Pessoas mornas, que não definem nada, vivem de meias palavras e meias verdades, dizem amém a tudo e preferem não se comprometer com ninguém, não saem do lugar, passam nulas pela vida e facilmente são esquecidas

 

Por Elisiê Peixoto

 

Sei que paciência nós temos que desenvolver ao longo da vida, tendo ou não. Paciência com as pessoas, com a espera, com o temperamento, com os filhos, com o marido, com a esposa, paciência com a vida, com os desaforos, com os sentimentos. E acho mesmo que paciência você perde ou adquire com a idade. Meu pai era a pessoa mais impaciente que conheci. E foi assim até o fim da vida, ele nunca teve e com a idade se acentuou. Ele brincava dizendo que “gente morna” era muito pior que gente impaciente. E acho também. Conhece gente “que tanto fez como tanto faz”? Eu sim. E relacionamentos muitas vezes terminam, sejam amorosos ou profissionais, por causa disso. Alguém começa a tratar a relação com pouco caso, descuida dos pequenos detalhes, deixa a rotina abafar as emoções e fatalmente acontece o fim.

Pessoas que sempre concordam com tudo, nunca acrescentam um ponto de vista diferente, não demonstram sentimentos, recuam diante de qualquer empecilho, não têm a própria opinião, mudam de ideia facilmente e, para não contrariar, passam por cima de suas convicções, existem muitas. Eu noto relações de casais que estão saturadas e mortas porque chegaram ao ponto do “tanto fez como tanto faz”. As pessoas descuidam dos relacionamentos interpessoais. Não se importam com os outros, optam em levar uma vida alheia aos gostos, detalhes e carências de pessoas que dividem o mesmo teto. Fica aquela coisa velada, que ninguém fala no assunto. E, quando vê, passaram-se anos, gerações, tudo muito mal resolvido.

Dias atrás escrevi sobre saber calar e falar no momento adequado. E acho que é por aí mesmo, há momentos que a sabedoria pede silêncio. Há questões que hoje não discuto e, dependendo da pessoa, consigo ignorar e não me importar. Há situações que não permito que tirem o meu sono, mas longe de ser uma “maria vai com as outras” ou então alguém que deixa tudo como está pelo comodismo e descaso. Relações tendem a ser prósperas, boas, positivas quando há via de mão dupla, isso todo o mundo está cansado de saber.

Às vezes tenho a impressão de que a pessoa que não demonstra opinião própria quer passar uma imagem polida demais. Da mesma forma que não emite opinião, também não muda o semblante. Trabalhei com uma pessoa assim. Até hoje não sei a opinião dela sobre absolutamente nada. Era a autêntica “tanto fez e tanto faz”. Não comentava qualquer coisa que fosse, porque era conveniente ser daquele jeito. Não demonstrava sentimentos, nem bons, nem ruins. Era uma peça figurativa dentro daquele lugar. Também quando foi embora ninguém sentiu falta.

Há diferença entre saber o momento para calar e nunca falar nada. Pessoas mornas, que não definem nada, vivem de meias palavras e meias verdades, dizem amém a tudo e preferem não se comprometer com ninguém, não saem do lugar, passam nulas pela vida e facilmente são esquecidas. Fazemos a diferença pelas nossas determinações e objetivos. É possível conviver com as diversidades, pontos de vista contrários, sem ofender e sem brigar. É sábio e pacífico fechar a boca de vez em quando. Mas permanecer em cima do muro por uma vida é trágico. Gente morna dá preguiça. Não gosto de nada muito morno. Mesmo porque água morna não serve nem para fazer chá.

(Foto Pixabay)

Arquivado em: Cá pra nós, Colunistas

Sobre Elisiê Peixoto

Elisiê Peixoto foi colunista da Folha de Londrina durante 18 anos, lançou cerca de 30 livros. Atuou num programa semanal da extinta TV Mix, escreveu para diversas revistas, trabalha como jornalista e escritora na Editora Mondo. Como colaboradora da Ong Nós do Poder Rosa escreveu cinco livros em prol das causas da mulher. Atua junto ao departamento de marketing do Roberta Peixoto Academy.

Reader Interactions

Comentários

  1. Lucita diz

    28 de setembro de 2017 em 15:25

    Ameiiiii amiga , sensacional !!!

    Responder
  2. Neusa pinto diz

    28 de setembro de 2017 em 19:00

    Amei !
    Disse tudo ,
    Vc é o máximo ,representante oficial ,de nós ,mulheres !
    PARABÉNS ❣❣👏👏👏

    Responder
  3. CAROLINA SODRÉ diz

    16 de outubro de 2017 em 10:22

    Elisie, que textooooo!
    De fato percebo que muitas pessoas não se manifestam porque querem parecer PHYNAS, polidas como você disse. Até achei, durante algum tempo, que deveria ser mais contida em busca da tal finesse. Contudo fui percebendo que não se tratava propriamente de polidez mas de covardia perante a vida. Aqueles que nunca se manifestam quanto a nada, nunca se posicionam, me parecem que se negam a encarar a vida de frente e isso não é pra mim.

    Responder
  4. natalin araujo diz

    15 de novembro de 2021 em 10:00

    acordei e li esse belo texto em novembro de 2021 .
    falou tudo…me identifiquei porq sou muito intensa falo o que penso dou opiniões e discordo se for o caso.
    Hoje me encontro em casa fui desligada da empresa onde trabalhava, por vontade deles e de minha tambem.
    la era considerada a única que se manifestava em tudo dava opinião de pros e contras….mais mesmo sendo meia bocuda nunca faltei com respeito com ninguem.Hoje tenho certeza q muitos sentem a minha falta pois eu alegrava o dia dos colegas e dos mornos” tambem!!!
    .

    Responder

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