
Se um vento forte chega, não há lugar para onde correr, espere a poeira abaixar. Certamente essa ventania vai encontrá-lo em algum lugar deste mundo. As mudanças que acontecem na vida, algumas vezes, são necessárias
Por Elisiê Peixoto
Estava trabalhando no meu quarto, entretida com meus textos. Havia acabado de comentar com uma amiga que não gosto de calor e que o clima sempre me deixa um pouco sonolenta e cansada. E como nosso verão é longo e forte, conto os meses para o outono, de longe a estação que mais gosto. E foi quando de repente uma ventania entrou pela porta da varanda derrubando os vasos, espalhando as contas, quase arrancando as persianas. Pensei comigo: como assim? Estava tudo quieto, quente e sem uma gota de chuva. E o vento forte chegou espalhando tudo, sem qualquer aviso. E em nossas vidas não acontece o mesmo?
Tem uma frase do Caio Fernando de Abreu que diz assim: “Não tenha medo da mudança. Coisas boas se vão para que melhores possam vir”. Mas como não temer algo que chega de supetão, desestruturando, nos tirando da rotina, do comodismo, mexendo com as nossas emoções e, em algumas situações, nos deixando sem eira nem beira, sem chão e, principalmente, sem rumo?
Lembro-me de quando perdi um emprego de 20 anos, divorciada, com dois filhos pequenos, precisando me reinventar para continuar a vida, enfrentando uma doença grave e com a autoestima no pé. Foi uma ventania? Sim. Perdi o norte e o sul, me desesperei de imediato, mas optei em fazer outras coisas e tocar a vida com valentia. Você e eu apenas sabemos da força que temos quando precisamos dela. Anime-se. Essa ventania desajunta, destrói e derruba para depois reerguer com bases mais sólidas.
Sempre digo que, em algum momento da vida, vamos enfrentar uma tempestade, que pode ser mais amena ou mais forte. Mas é fato, ela chega. Na maioria das vezes, mudanças não significam perdas. Gosto muito de escutar as pregações de uma pastora missionária chamada Joyce Meyer, ela é uma mulher experiente e que aos 72 anos já enfrentou grandes lutas. Ela diz que num momento crucial da nossa vida podemos escolher sofrer a dor da mudança ou optar pela dor de continuar do jeito que está. Ou seja: continuar infeliz, sofrendo, lamuriando e, pior, jogando a culpa na vida, em Deus, nos filhos, no marido, na esposa, no trabalho.
Se uma ventania chega inesperadamente, precisamos de uma tática para saber administrar aquele momento. Mas se é algo que precisamos mudar na nossa casa, nas relações interpessoais, no dia a dia, vamos precisar de coragem e determinação. E isso só é possível agindo com valentia. A mudança repentina e desgostosa não passa a mão na cabeça de ninguém. Ela traz alternativas, nos impele a tomar decisões assertivas, nos fortalece e nos ensina a interpretar e valorizar a vida de forma muito melhor. Se algo ruim acontecer, não deixe isso ser o drama da sua vida. E mais uma coisinha: não se culpe! Todos somos passíveis de erros e de acertos, eles batem à nossa porta diariamente. Permita que a ventania o leve a lugares mais altos.


Obrigada!!! Não sei….. Parece que escreveu isso pra mim. Conseguiu descrever exatamente o que uma pessoa sente, passa, suporta, aguenta, quando chega o vento assoprando e joga você e seus pensamentos contro uma parede desconstruindo tudo e de repente aquilo que parecia impossível está aí……a certeza que vai ser melhor ou pelo menos diferente e que a vida é bela….. obrigada obrigada obrigada
Mudanças acontecem e como vc diz , respira fundo e bola pra frente. No primeiro momento o susto , depois vemos que é pra melhor!!!