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Isabella Blanco e suas joias que contam história

11 de novembro de 2017 por Elisiê Peixoto 6 Comentários

Pesquisadora, conhecedora e apaixonada por joias antigas e antiguidades em geral, a designer Isabella Blanco transformou seu talento numa grife conceituada. Viaja pelo mundo afora visitando feiras e antiquários e faz das suas criações algo diferenciado e que conta história. A clientela de bom gosto aplaude o sucesso dessa profissional que assina as peças incríveis de um longa-metragem da Netflix

 

 

Por Elisiê Peixoto

 

Conheci a Isabella Blanco há mais de 20 anos, numa ocasião em que fui a Miami, a trabalho, através da Folha de Londrina. Lembro-me que depois voltamos a nos encontrar nos Estados Unidos, sempre para inaugurações e eventos que reuniam jornalistas brasileiros. Sim, ela, na época, trabalhava com o apresentador Amaury Junior e a cada encontro era sempre um momento agradável, com boas conversas que se estendiam até altas horas. E assim os anos se passaram, voltamos a nos encontrar em outros eventos em São Paulo, onde ela reside. Depois de algum tempo, o reencontro foi nas redes sociais e com uma ótima surpresa. Consagrada como designer de joias, agora assina as peças para o primeiro longa brasileiro produzido pela Netflix.

 

 

 

Paixão por joias antigas

Isabella, designer de joias, jornalista e fotógrafa, é idealizadora da Revista Retrô – Coleções & Antiguidades, a primeira revista publicada no Brasil para este segmento entre 2005 e 2008, e nunca parou de estudar e de se aperfeiçoar. Fez diversos cursos de Design de Joias, História da Arte, Fotografia, Gemologia e Escultura. Na joalheria, desenha para si desde a década de 80. No comando da revista Retrô, visitou feiras de antiguidades, antiquários e casas leiloeiras da Europa, Ásia e Américas, de onde tirou inspiração para desenvolver sua proposta de trabalho, joias a partir de peças antigas e inusitadas. Em 2012 levou a mostra “Joias com História” ao Museu de Arte Sacra de São Paulo, exposição que permaneceu por dois meses e foi visitada por mais de 20 mil pessoas. Em 2014, foi curadora da mostra “Alma de Colecionador”, também no Museu de Arte Sacra, ocasião em que reuniu 30 colecionadores brasileiros para mostrar ao público suas diversas coleções. Sua palestra “100 Anos da Joalheria – do Vitoriano ao Art Déco” já foi vista por mais de 300 pessoas, sendo apresentada dentro do São Paulo Design Weekend, na AICI Brasil – Associação Internacional dos Consultores de Imagens – e em eventos de cunho cultural organizados pela designer.

 

 

 

Joias para o filme “O Matador”

Foi atendendo ao convite do diretor Marcelo Galvão (“Colegas”, “Bellini e o Demônio”) que Isabella – conhecida por suas criações a partir de peças antigas que garimpa em antiquários ao redor do mundo – assina todas as joias de “O Matador”, um faroeste brasileiro com roteiro também de Galvão. Trata-se do primeiro longa-metragem nacional produzido pelo serviço de vídeos sob demanda Netflix. A história se passa na Paraíba entre as décadas de 1910 e 1940 e faz um relato de “Cabeleira”, temido matador de Pernambuco que cresceu totalmente isolado da civilização, criado pelo cangaceiro Sete Orelhas. Adulto, “Cabeleira” visita a cidade pela primeira vez e se depara com uma urbanização sem lei, dominada pelo francês Monsieur Blanchard, que é dono do mercado de pedras preciosas e antigo empregador de Sete Orelhas.

Uma das razões da escolha da designer Isabella Blanco para esse trabalho foi o conhecimento em joias antigas e antiguidades em geral, além de sua vivência como pesquisadora. Como o filme se passa no começo do século XX e Isabella possui em seu ateliê mais de 300 joias criadas a partir de itens de época, boa parte das peças do filme já estava disponível. O que facilitou muito o trabalho de curadoria.

As escolhas dos figurinistas e do próprio diretor recaíram sobre as peças com itens originais dos anos 1920 e 1930, como pentes espanhóis transformados em colares, pingentes feitos com itens de marfim antigos como máscaras e placas orientais, anéis de filigrana de prata europeia e turmalinas, e camafeus negros do começo do século XX.

Do elenco da produção participam Diogo Morgado (“O Filho De Deus”), Marat Descarte (“2 Coelhos”), Deto Montenegro (“A Despedida”), Maria de Medeiros (“Pulp Fiction”), Etienne Chicot (“O Código Da Vinci”) e Mel Lisboa, entre outros.

 

Com o ator Igor Cotrim, na festa de estréia do filme “O Matador”. Com joia de Isabella Blanco.

 

 

Isabella com o diretor Marcelo Galvão.
Com as atrizes Ana Carolina Godoy, Thais Cabral e Daniela Galli, na festa de lançamento do filme

 

De piteira art déco a colar “unha de onça”

“Trata-se de uma piteira de baquelite art déco, anos 1930, à qual adaptei outra piteira antiga, esta de metal, já queo diretor Marcelo queria algo exagerado, para melhor efeito cenográfico”, revela a designer. Esta peça foi feita em prata com banho de ouro amarelo 18k, rubis e turmalina rosa, usada pela personagem interpretada pela atriz portuguesa Maria de Medeiros.

 

“Por Monsieur Blanchard controlar todo o mercado de pedras preciosas, Marcelo me pediu algo que mostrasse poder e, ao mesmo tempo, fosse macabro. Pensei nesta caveira com os olhos de turmalinas da Paraíba e, no topo da cabeça, uma pedra de proporções gigantescas em cravação ‘cálice’, como um grande solitário”, revela a designer.

 

Luxo e bom gosto imperam nas jóias da desginer !

 

Pente austríaco do começo do século XX, em prata com banho de ouro amarelo 18k, turmalina e safiras. Peça linda by Isabella Blanco.

 

Anel produzido para o personagem “Matador”

 

Isabella buscou inspiração na característica de cada personagem para a produção das joias.

 

Ao todo, 45 peças assinadas por Isabella – em ouro e prata – foram cedidas para as filmagens. Desse universo, 15 foram confeccionadas especialmente para os principais personagens, seguindo orientações do próprio Galvão. “O colar “unha de onça”, por exemplo, foi um dos desafios deste trabalho, pela questão anatômica. Marcelo queria algo que cutucasse o gogó do personagem Sete Orelhas, sempre que ele falasse”, explica Isabella, que idealizou uma placa curva de prata com abas, de onde saem tiras envelhecidas de couro e lascas de concha ao centro, simulando uma unha de onça.

Outra joia confeccionada foi a piteira de Madame Blanchard, papel da portuguesa Maria de Medeiros. “Possuía, em meu acervo, uma piteira de baquelite art déco, anos 1930, à qual adaptei outra piteira antiga, esta de metal, já que Marcelo queria algo exagerado, para melhor efeito cenográfico”, revela a designer. Esta peça foi feita em prata com banho de ouro amarelo 18k, rubis e turmalina rosa.

 

Na festa de estréia do filme “O Matador”, a atriz Daniela Galli usou joia assinada por Isabella. Um pingente de turmalina melancia e anel de esmalte e turmalina verde.

Para o “Cabeleira” foi desenvolvido um amuleto utilizando prata oxidada, cabelo humano e uma carranca de madeira esculpida a mão. Segundo Isabella, a ideia de produzir esta peça com cabelo foi inspirada nas joias vitorianas de luto, feitas com ouro e cabelo trançado de entes queridos. E, logicamente, fazendo alusão ao nome do personagem.

Também do período vitoriano veio a motivação para o colar de Pierre, filho do casal Blanchard, cujo figurino abusa da estética gótica. “Desenhei um colar enorme de seis voltas, tipo jabot, e utilizei correntes de prata oxidada intercaladas com pedras antigas como jet, lavas vulcânicas e ônix”, detalha Isabella.

Porém, o maior desafio da designer foi adaptar uma caveira de lápis-lazúli no castão de uma bengala antiga, usada por Monsieur Blanchard, o personagem mais poderoso do filme. “Por Monsieur Blanchard controlar todo o mercado de pedras preciosas, Marcelo me pediu algo que mostrasse poder e, ao mesmo tempo, fosse macabro. Pensei nesta caveira com os olhos de turmalinas da Paraíba e, no topo da cabeça, uma pedra de proporções gigantescas em cravação ‘cálice’, como um grande solitário”, finaliza a designer.

Fotos/Arquivo Pessoal Isabella Blanco

Foto/capa/criação Fernando Peixoto

https://isabellablanco.com.br/

Arquivado em: Destaque, Entrevistas

Sobre Elisiê Peixoto

Elisiê Peixoto foi colunista da Folha de Londrina durante 18 anos, lançou cerca de 30 livros. Atuou num programa semanal da extinta TV Mix, escreveu para diversas revistas, trabalha como jornalista e escritora na Editora Mondo. Como colaboradora da Ong Nós do Poder Rosa escreveu cinco livros em prol das causas da mulher. Atua junto ao departamento de marketing do Roberta Peixoto Academy.

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Comentários

  1. Cidinha Prandini Pereira diz

    12 de novembro de 2017 em 14:04

    Impressionante o trabalho da designer e ourives, tb sua pesquisa. Parabens!

    Responder
  2. Lourdes oguido diz

    12 de novembro de 2017 em 14:26

    Belissimas joias, Bem meu estilo , Parabens , Amei !

    Responder
    • João Batista diz

      12 de novembro de 2017 em 16:24

      Me encantei com as joias e a designer. . Belíssima matéria Elisie.

      Responder
  3. Christiane trombini diz

    12 de novembro de 2017 em 15:07

    Lindo trabalho!
    Parabens

    Responder
  4. Ana Marta diz

    12 de novembro de 2017 em 16:25

    Muito legal a matéria!!!
    Valeu!
    As jóias são bem diferentes!!!!
    Beijos,
    Ana Marta.

    Responder
  5. Audrey Lonni diz

    12 de novembro de 2017 em 18:09

    Belíssimas joias e lindo trabalho!!! 👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻

    Responder

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