
O Crescimento alarmante da doença no país foi estopim para criação de campanha “Dezembro laranja” que visa prevenir à doença
O verão oficialmente ainda não chegou, mas as altas temperaturas aliadas ao período de férias são um convite para curtir a estação, o mar, a praia e a piscina. Aliás, as praias brasileiras e as piscinas dos clubes já estão lotadas por pessoas de todas as idades que buscam curtir o verão e se refrescar.
E para que esse prazer não seja responsável por futuros problemas de saúde é fundamental que as pessoas tenham consciência sobre a importância de se proteger e prevenir o câncer de pele. Este é o tipo mais frequente de câncer no Brasil, corresponde a 30% de todos os tumores malignos registrados no país, segundo dados do INCA (Instituto Nacional do Câncer) Entre os tumores de pele, o tipo não melanoma é o de maior incidência e de mais baixa mortalidade.
Por ano, pelo menos 176 mil brasileiros são diagnosticados com câncer de pele, sendo 81 mil casos em homens e aproximadamente 96 mil casos em mulheres. A alta incidência de pessoas com a doença tem chamado a atenção de especialistas e, não à toa, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SDB) estipulou o mês de dezembro, que é quando tem início o verão no hemisfério sul, para a conscientização sobre este tipo de câncer, que é o que mais atinge a população do país. Para isso, a entidade criou, em 2014, a campanha Dezembro Laranja em que, anualmente, promove ações a fim de repassar informações sobre prevenção e cuidados sobre a doença. As campanhas concentram-se principalmente na internet, ruas, parques e praias.
Segundo a médica dermatologista Patrícia Makino, os cuidados com a proteção da pele precisam ser constantes. “O filtro solar deve ser aplicado regularmente, independente da estação. A incidência de raios ultravioleta do tipo A é constante o ano todo e essa radiação promove reações nas células da pele que podem ocasionar o aparecimento de lesões pré-cancerosas”, alerta.

A recomendação da especialista é de que se evite o sol entre às 10 e 16 horas, que é o período em que os raios solares estão mais fortes. A médica dermatologista orienta as pessoas a usarem o protetor solar em todas as áreas do corpo expostas ao sol e que seja reaplicado a cada duas horas. ”O ideal é espalhar dois gramas por centímetro quadrado de pele para atingir a proteção eficaz, mas sabemos que essa forma é pouco prática. Por isso, sugere-se a reaplicação a cada duas horas e a medida por colheres de chá”. Para o rosto e pescoço, o ideal é usar uma colher de chá para essas duas áreas. “Não se esqueça de incluir as orelhas”, salienta. No caso do colo e costas, a recomendação é espalhar duas colheres de chá. Na região dos braços deve-se passar a quantidade referente a uma colher de chá para cada braço. E nas pernas e pés são necessárias duas colheres de chá para o lado direito e outras duas para o esquerdo.
Patrícia explica que “a radiação ultravioleta é a principal responsável pelo desenvolvimento de tumores cutâneos e a maioria dos casos está associada à exposição excessiva ao sol ou ao uso de câmaras de bronzeamento” e reitera que o “histórico familiar para câncer de pele e o alto número de pintas no corpo também são fatores de risco”. Pessoas com pele, cabelos, olhos mais claros e aquelas com sardas estão mais suscetíveis ao desenvolvimento da doença, o que torna o cuidado redobrado.
“A maioria dos carcinomas basocelulares e espinocelular aparece em pessoas mais velhas, provavelmente devido à exposição ao sol acumulada ao longo do tempo. Atualmente, esses cânceres são diagnosticados em pessoas mais jovens, provavelmente pela exposição excessiva e sem proteção ao sol”, revela.
Além da luz do sol, a luz artificial também é capaz de causar danos à pele. “A luz visível, advinda de fontes artificiais como lâmpadas fluorescentes, radiação emitida pela tela do computador ou televisores, não causa câncer de pele, mas atua tanto no processo de pigmentação (bronzeamento), quanto no de hiperpigmentação, isto é, nas manchas. Além disso, também pode ocasionar outras doenças cutâneas como dermatite actínica crônica e a fototoxicidade”, explica Patrícia Makino.
Tipos de câncer de pele
Existem vários tipos diferentes de câncer da pele, dependendo de quais células estão envolvidas. Quando os melanócitos se tornam cancerosos, isso leva ao melanoma. O melanoma é relativamente raro, mas é o tipo mais grave de câncer de pele.
Outros tipos de células da pele podem também se transformar em células cancerosas. “A transformação de células basais provenientes de folículos pilosos conduz ao carcinoma basocelular (CBC), e a transformação de células escamosas provenientes da camada superior da pele, a epiderme, conduz ao carcinoma espinocelular (CEC). Estes dois tipos de câncer de pele são coletivamente referidos como câncer de pele não melanoma. O CBC é a forma mais comum de câncer de pele, mas muito raramente leva à doença grave, porém pode progredir e invadir outras partes do corpo, tornando-se potencialmente muito grave. O CEC é menos comum, mas o risco de metastase é de até 16%”, explica Patrícia.
Como prevenir

A Sociedade Brasileira de Dermatologia recomenda que as seguintes medidas de proteção sejam adotadas:
- Usar chapéus, camisetas e protetores solares;
- Evitar a exposição solar e permanecer na sombra entre 10h e 16h (horário de verão);
- Na praia ou na piscina, usar barracas feitas de algodão ou lona, que absorvem 50% da radiação ultravioleta. As barracas de nylon formam uma barreira pouco confiável: 95% dos raios UV ultrapassam o material;
- Usar filtros solares diariamente, e não somente em horários de lazer ou diversão;
- Utilizar um produto que proteja contra radiação UVA e UVB e tenha um fator de proteção solar (FPS) 30, no mínimo. Reaplicar o produto a cada duas horas ou menos, nas atividades de lazer ao ar livre. Ao utilizar o produto no dia-a-dia, aplicar uma boa quantidade pela manhã e reaplicar antes de sair para o almoço;
- Não utilizar câmaras de bronzeamento;
- Observar regularmente a própria pele, à procura de pintas ou manchas suspeitas;
- Consultar um dermatologista uma vez ao ano, no mínimo, para um exame completo;
- Manter bebês e crianças protegidos do sol. Filtros solares podem ser usados a partir dos seis meses.
Fontes:
- INCA- Instituto Nacional do Câncer
http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/tiposdecancer/site/home/pele_nao_melanoma
- Sociedade Brasileira de Dermatologia
http://www.sbd.org.br/dermatologia/pele/doencas-e-problemas/cancer-da-pele/64/


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