A dança ensina, cura e conecta. E Nádia Essada sabe disso há 35 anos. Dos primeiros passos em Apucarana, aos grandes palcos, sua história é feita de entrega e aplausos.
A celebração dessa trajetória vai acontecer no dia 26 de junho, no Teatro do Colégio Marista, em Londrina.

Por Elisiê Peixoto
A dança — com seus passos, ritmos e gestos — talvez seja a mais bela das linguagens humanas. Nela, o corpo fala o que a alma sente, desenha no ar emoções, cura mágoas, celebra o amor, constrói pontes invisíveis entre corações. É arte que habita o mundo inteiro, com mil faces, mil histórias, mil formas de ser. Nádia Essada conhece bem esse palco da vida. Há 35 anos, pisa o chão da dança — nem sempre dançando, mas sempre ensinando. Em 1990, fez brotar sua primeira escola: Escola de Dança Grêmio Literário e Recreativo Londrinense. Desde então, colheu prêmios, formou talentos, apresentou-se em palcos e festivais, recebeu aplausos de tantas cidades. Sua jornada começou aos 14 anos, em Apucarana, terra onde sonhou os primeiros passos, até que Londrina a recebeu como nova morada. Hoje, Nádia colhe frutos de uma vida dedicada à arte, com a leveza de quem dança — até quando apenas ensina a voar. Parabéns a essa incansável profissional que por mais de três décadas rompe as adversidades, luta por aquilo que sempre amou fazer, tem um legado revelado nos passos de tantos alunos – hoje, professores de dança – expressa emoções desde a coxia até ao palco com cenários minimamente preparados ao longo dos meses. Cada produção, um trabalho de equipe, que se compromete com a excelência. ” É dessa forma que montamos um espetáculo. Não trabalho sozinha, porque cada apresentação exige comprometimento e muitas horas compartilhando ideias. Sonhamos juntos. Talvez seja mesmo por isso que cheguei até aqui. São muitos anos de dedicação, mas cada ano valeu a pena. Agora é o momento de celebrar e de ser grata a Deus por sua providência em todos os detalhes. Sem Ele, nada é possível”, completa Nádia.
O início
A NEED – Nádia Essada Escola de Dança nasceu em 1990, em Londrina, no interior do Paraná, movida por uma paixão: o balé. Quem construiu essa história foi Nádia Essada, nome conhecido no meio artístico por sua trajetória no balé e centenas de alunos que aprenderam a arte da dança através de seus ensinamentos. Nádia é graduada em Turismo e Hotelaria pela Unopar de Londrina. Mas desde criança, a vocação para a dança era algo evidente. “Adorava me apresentar nas festas de família e tinha o sonho de ir para uma escola de ballet. Iniciei aos 14 anos, depois de pedir muito à minha irmã, que me matriculou no Pavlova Ballet de Apucarana. Desde então, nunca mais parei de dançar. Sempre foi e continua sendo a minha paixão. Tive excelentes professores que faço questão de citar: Maria Agar Borba – Apucarana, – Ieda Russo – Londrina, – Carlos Aguero – Argentina, – Jair Moraes – Curitiba, – Roseli Rodrigues – São Paulo, – Pedrito Berdayes – São Paulo, – Laura Alonso – Cuba, – Regina Miranda – São Paulo, – Milko Sparemblek – Rússia, – Carlos Trincheiras – Curitiba, – Marta Nejm – Curitiba, – Lennie Dale – USA, – Ady Addor -São Paulo, – Betsy Lobato São Paulo, – Claudia Palma São Paulo, entre vários outros. Minha primeira escola foi montada do Grêmio Literário e Recreativo Londrinense. Mas foi em 1993, que teve início a mudança na companhia. Foi quando o coreógrafo Mario Nascimento veio montar o primeiro trabalho do grupo. Daí nasceu a Trup Cia de Dança. Iniciamos assim um trabalho profissional, com uma estrutura diferenciada e que nos levou a apresentações, e assim, sermos reconhecidos. A Trup se manteve sólida e atuante por muitos anos, até que nos revitalizamos e atualizamos porque tudo precisa de mudanças em um certo momento da vida. Hoje temos a NEED localizada na Rua Pìo XII, no centro de Londrina e a NEED Marista, no Colégio Marista. No total são seis amplas salas de aulas equipadas com piso flutuante, linoleo, barras, espelhos, climatização, iluminação cênica, sonorização profissional, transmissão das aulas em tempo real em circuito fechado de TV, ampla recepção, vestiários feminino e masculino, espaço kids, área de circulação, estacionamento próprio e portaria eletrônica”, relata a professora e diretora.
As apresentações
“Tudo exige muito preparo. Desde a estrutura que engloba local, cenografia, iluminação, ingressos, mkt, técnicos de palco e de montagem, figurinos, adereços de cabeça e de palco etc. Normalmente são entre 100 e 150 integrantes, quatro meses de ensaio, seis a dez horas semanais, e que requer muita dedicação. É cansativo, exige boa performance física, horas voltadas para as apresentações. Dança é isso: determinação, foco e trabalho. Quando você está em cena, ali, no palco, e um público inteiro com os olhos voltados para você, é necessário que saia tudo perfeito. Quando um teatro abre as portas para o seu trabalho, quando as cortinas finalmente são abertas, o dançarino tem essa responsabilidade. Se queremos crescer, a palavra acomodação não existe. E a gente quer exatamente isso, crescer, ampliar, continuar nosso trabalho. Hoje, a escola conta com 180 alunos, mas já formamos centenas. Sou uma incansável profissional da dança que divulgo a arte por onde passo. O Brasil é um celeiro de talentos artísticos e não poderia ser diferente na dança”.
Foco, determinação e paciência
“A qualidade dos nossos bailarinos é reconhecida mundialmente e permite que tenhamos representantes em Londres, Paris e Espanha, atuando como professores e vivendo profissionalmente em tantas escolas espalhadas pelo planeta. Mas o que realmente move um dançarino é o amor pelo que faz. Afinal, nada vem de graça. Os pés machucam, surgem bolhas doloridas, os braços cansam, e muitas vezes estamos entregues ao esgotamento após longas maratonas de ensaios. Somos exigentes com nossa própria performance. Alguns adereços pesam, certas fantasias incomodam, as sapatilhas se desgastam, o suor escorre — e, às vezes, as lágrimas também. Sofremos lesões, distensões musculares, os joelhos doem por dias seguidos. Precisamos nos adaptar a novos estilos e coreografias constantemente. Mas permanecemos firmes. Tudo isso em nome da dança”.
Nádia destaca:“Em um grupo de dança ou em uma companhia inteira, precisamos nos dedicar não apenas aos exercícios físicos, mas também à arte da convivência. É essencial ter empatia, respeitar o espaço e até as limitações do outro. Eu, enquanto professora, tenho a responsabilidade de manter essa harmonia, compreender a sobrecarga do grupo e exercer uma liderança sensível, capaz de perceber as dificuldades que surgem pelo caminho. Afinal, tudo tem seu tempo. Uma das etapas mais importantes é saber a hora de parar, respirar, e então continuar. A arte da boa convivência é fundamental dentro de uma companhia de dança.”
Celebração
Para brindar os 35 anos da NEED – Nádia Essada Escola de Dança fará uma celebração artística no dia 26 de junho de 2025, no Teatro Marista de Londrina, às 19 horas. “Uma noite de memórias, de lindas recordações, mas acima de tudo, uma noite de gratidão a Deus, aos alunos, a todos envolvidos nessa trajetória de 35 anos. Alguns permanecem, outros partiram, mas sem dúvida, todos estão guardados na minha memória com o coração grato”,conclui Nádia Essada.
“Dança é isso: determinação, foco e trabalho. Quando você está em cena, ali, no palco, e um público inteiro com os olhos voltados para você, é necessário que saia tudo perfeito”. (Nádia Essada)



“Mas o que realmente move um dançarino é o amor pelo que faz”. (Nádia Essada)




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