
O mal de Alzheimer é uma doença que acomete milhares de pessoas, principalmente os idosos. Estima-se que existam no mundo cerca de 35,6 milhões de pessoas com a Doença de Alzheimer. No Brasil, há cerca de 1,2 milhão de casos, a maior parte deles ainda sem diagnóstico
A doença se apresenta como demência, ou perda de funções cognitivas (memória, orientação, atenção e linguagem), causada pela morte de células cerebrais. Quando diagnosticada no início, é possível retardar o seu avanço e ter mais controle sobre os sintomas, garantindo melhor qualidade de vida ao paciente e à família.
O mal de Alzheimer é uma doença degenerativa( piora com o tempo) e os danos causados ao cérebro, até o momento, não podem ser revertidos ou interrompidos. Até agora, o Alzheimer era considerado uma doença que iniciava com a degeneração das células do hipocampo, área do cérebro da qual dependem os mecanismos da memória. Segundo estudos recentes de pesquisadores italianos, descobriu-se que a doença, diferentemente do que se acreditava até então, não surge na área do cérebro associada à memória, mas sim da morte de neurônios da região vinculada às mudanças de humor. O estudo, coordenado pelo professor associado de Fisiologia Humana e Neurologia da Universidade de Campus Biomédico de Roma, Marcello D’Amelio, foi publicado na revista científica “Nature Communications”.
O novo estudo, conduzido em colaboração com a Fundação IRCC Santa Lucia e do CNR de Roma, no entanto, aponta que o mal de Alzheimer surge na área tegmental ventral, onde é produzida a dopamina, neurotransmissor vinculado à mudança de humor.
Segundo os pesquisadores, como um efeito dominó, a morte dos neurônios responsáveis pela produção de dopamina desacelera a chegada desta substância ao hipocampo, causando assim uma falha que gera a perda da memória, principal sintoma da doença. Isso explica por que o mal de Alzheimer é acompanhado, grande parte das vezes, pelo desânimo e pela depressão. Entretanto, os estudiosos ressaltam que as mudanças de humor associadas ao Alzheimer não são consequência do surgimento da doença, mas sim um “sinal de alerta” sobre o início da patologia.
A hipótese foi confirmada em laboratório, quando várias terapias destinadas a restaurar os níveis de dopamina foram administradas em animais. Nos testes, foi observado que tanto as memórias quanto a motivação de viver, cuja falta causa depressão, foram recuperadas. “A área tegmental ventral relança a dopamina também na área que controla a gratificação. Na qual, com a degeneração dos neurônios dopaminérgicos, também aumenta o risco de perda de iniciativa”, explicou D’Amelio. Com a descoberta dos pesquisadores italianos, aguarda-se num futuro breve novas perspectivas de tratamento e prevenção da doença.

Nesta entrevista, o médico londrinense Carlos Alberto de Almeida Boer, neurologista com mestrado em Clínica Médica e com 43 anos de atuação profissional na área, fala sobre o mal de Alzheimer, seus sintomas e como os familiares devem atuar para manter a qualidade de vida do paciente. O médico salienta ainda que algumas pessoas estão interpretando erroneamente a descoberta dos pesquisadores italianos. “Já havia lido esta notícia que induziu pessoas não envolvidas no tema a interpretações errôneas – descobriu-se a causa do mal de Alzheimer –, o que não é verdade.”
A leitura atenta do artigo evidencia que a descoberta é apenas em que região do cérebro ocorrem as primeiras anormalidades – não se descobriu a causa da doença. Vários neurotransmissores são depletados com a morte de neurônios, acetilcolina, dopamina, serotonina, entre outros. Mudanças no humor são frequentes no início, confundindo com depressão, isto já é bem conhecido.
A doença progressivamente envolve todo o cérebro, ocorrendo depósito de substâncias amiloides e formação de novelos fibrinoides nos neurônios causando sua morte, predominando nas regiões temporal e frontal. “Não sabemos qual mecanismo desencadeia a doença e qual a sua causa”, salienta o neurologista Carlos Boer. Nesta entrevista ao PORTAL IDEIA DELAS, o neurologista esclarece alguns pontos importantes sobre a doença.
O mal de Alzheimer é uma doença incurável e que se agrava com o passar do tempo, é uma demência degenerativa. Por que ela acontece?
Não se conhece a causa da doença, apenas são reconhecidas as alterações que ela provoca no cérebro.
Quais os principais sintomas do Alzheimer?
A perda da memória é o sinal mais marcante. Porém, dependendo do estágio da doença, os sintomas se modificam. No início, surgem sintomas que se confundem com depressão. As pessoas tornam-se mais caladas, tristes, introspectivas, e são consideradas teimosas pelos familiares, por negarem fatos ocorridos, porque simplesmente se apagaram de sua memória. Na evolução começam a se perder, a terem dificuldades em se localizar no tempo e no espaço. À medida que a doença progride, ocorrem dificuldades para reconhecer os familiares e nesta fase a afetividade começa a diminuir, vão migrando para o “seu mundo”. Numa fase mais avançada, são comuns os delírios e as alucinações, querem voltar para sua casa, estando nela. Muitas vezes as alucinações são de terror, levando à agitação, e podem gritar. Já não aceitam as dietas, perdem peso e vão se definhando.
Tem como prevenir o Alzheimer? Quais são os fatores de risco que favorecem o aparecimento desta doença?
Há muitas discussões sobre este tema, mas sem comprovação. O que está claro é que a presença de comorbidades, como hipertensão arterial, dislipidemias, diabetes não controlada, alcoolismo e outras, apenas antecipam e/ou aceleram o surgimento dos sintomas da doença.
Ela é hereditária?
Um número reduzido de casos, ao redor de 5%, é considerado hereditário. Entretanto, quem tem familiares com a doença tem risco um pouco maior de desenvolver Alzheimer, quando comparado com quem não possui familiar com a doença.
Que exames diagnosticam essa doença?
Ainda não existem exames para o diagnóstico de Alzheimer. Os exames são realizados para excluir outras causas de demência que sejam tratáveis.
Qual é o tratamento para um paciente com Alzheimer? Tem como retardar o avanço dos sintomas e a perda de funções cognitivas (memória, orientação, atenção e linguagem) causados pela morte de células cerebrais?
Tratamos os sintomas e não a causa. São usados medicamentos para ativar a memória e, muito frequentemente, também antidepressivos e antipsicóticos.
A doença segue seu curso inexorável?
Alguns fatores podem contribuir para retardar o aparecimento dos sintomas, ou mesmo ter evolução mais lenta. São eles: nível cultural e intelectual elevado, ter hábitos de vida saudável, controlar a pressão arterial e os níveis de colesterol e glicose, praticar atividades físicas, dieta mediterrânea, não abusar de bebidas alcoólicas, aprender novas habilidades, hábito da leitura e escrita.
A população brasileira está envelhecendo e o mal de Alzheimer é conhecido como doença de velho (caduquice). Mas cada vez mais cedo percebemos pessoas não tão velhas com algum tipo de demência. Por que isto está acontecendo?
A doença de Alzheimer tem início a partir dos 65 anos e, à medida que a idade avança, maiores serão os riscos de ela surgir. Após os 90 anos, 40% das pessoas podem desenvolver Alzheimer. Existem casos de início mais precoce, após os 50 anos de idade, mas não são frequentes.
Manter a qualidade de vida de um paciente de Alzheimer é um grande desafio para a família. Quais são os cuidados fundamentais para garantir a qualidade de vida do paciente?
Nas fases iniciais da doença, estimular atividades mentais, como palavras cruzadas, jogar baralho, quebra-cabeças, ler e comentar os artigos. Manter dieta saudável, praticar atividades físicas. À medida que a doença progride, manter pulseira com o nome, endereço e telefone, evitar que saia desacompanhado. Participar de reuniões familiares. Nas fases mais avançadas, deve submeter-se a fisioterapia, as dietas devem ser readequadas, fracionadas a cada três a quatro horas, forçar a ingestão de líquidos.
Que conselho o senhor dá para os familiares de um paciente com esta doença? Como todos podem contribuir para uma convivência saudável e também para que a família não adoeça junto com o paciente?
A família deve procurar conhecer o máximo sobre a doença e como o paciente interage com o mundo ao seu redor. No início, os familiares se irritam e chamam a atenção do paciente porque ele nega fatos, diz não ter acontecido. E, na verdade, aquilo se apagou da sua mente, para ele não existiu mesmo e não adianta ficar insistindo, só vai irritar o paciente. Quando perde a orientação no tempo e no espaço, mas ainda tem atividades de vida diária independente, deve-se evitar o que é comum, passar alguns meses na casa de cada filho. Isto é uma tormenta, o paciente se confunde mais, não sabe onde fica o banheiro, se agita durante a noite.
É importante a família participar de grupos de autoajuda?
Sim.
Que conselho o senhor dá para os jovens que a cada dia terão mais contato com pessoas com algum tipo de demência?
Precisam se informar sobre o tema. Existem sites com artigos orientando os familiares. “Simplesmente Alice”, um filme que retrata muito bem como um paciente com Alzheimer se comporta e como a doença progride, é uma excelente forma para adquirir tal conhecimento.
A convivência com animais domésticos (por exemplo, cães e gatos) pode ajudar no “tratamento” dos pacientes, questão de afetividade/troca de afeto?
Durante algum tempo sim. Mas, quando a afetividade se perde, o interesse por pessoas e animais deixa de existir.
O senhor recomenda que as famílias participem de algum grupo de autoajuda para troca de experiências e também para, de alguma forma, serem cuidadas, acolhidas. O senhor indica algum grupo ou entidade?
Se os familiares trocarem informações, experiências e conhecimentos sobre seus enfermos, muitas atitudes podem mudar no tratamento e nos cuidados com o portador do mal de Alzheimer, para o bem de ambos os lados.
Os familiares devem acessar a Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAZ). www.abraz.org.br


Parabéns pelo tema e entrevista. Importante também sobre saber investir. Deveríamos aprender na infância. Se soubermos guardar desde jovem, teremos um futuro tranquilo.
Gostei do formato do Portal. As seções permitem o internauta dirigir-se diretamente para o assunto que prefere! Parabéns Claudia e Elisie pela iniciativa.
Artigo interessante . Parabéns Cláudia Costa pela IdeiaDelas!!
É uma doença extremamente angustiante de se acompanhar a evolução. O indivíduo vai deixando aos poucos de ser quem ele é. Esquece-se dos familiares, amigos e de sua rotina. Apenas memórias distantes permanecem até um ponto onde a pessoa se torna um vegetal. Se esquece de como comer, se alimentar, falar, andar. Perde-se completamente a autonomia. Espero muito que a ciência descubra a cura para esse mal.
Espero nunca ter essa doença. Se não tiver solução tomara que tenha legalidade para eutanasia.
A informação sobre a doença ajuda no comportamento da família diante dos cuidados que o paciente necessita. Excelente entrevista!
Sei bem a dificuldade do que é isso tdo ! Graças ao bom Deus,agora temos acesso ,mesmo que poucos ! a varias informações e grupos de ajuda ! No meu tempo ,nada disso existia ,,,,é pesado D+ . ….Parabéns ,pela proposta de elucidação !<3 <3
Parabéns pela excelente e esclarecedora matéria.