
Por Claudia Costa e Elisiê Peixoto
A sociedade contemporânea tem conferido às mulheres um novo cenário, estamos nos tornando protagonistas de histórias relevantes e respeitadas, tanto no Brasil como em vários outros países. Nos últimos anos aconteceram mudanças que efetivamente colocaram as mulheres em evidência, ressaltando
apenas aquilo que todos sabem: somos importantes, realizamos tarefas com excelência, somos produtivas, multifacetadas, administradoras de lares e empresas, mães, esposas, profissionais. Pensamos, agimos, produzimos, somos corajosas, independentes, amáveis, sensuais, trabalhadoras, emocionais, racionais, conselheiras. Quantas qualidades as mulheres têm? Ainda temos grandes coisas para conquistar, desde salários mais condizentes e cargos mais altos até uma expressão mais relevante na política. Porém, estamos no caminho. E é bom mesmo informar que estamos chegando com ousadia e coragem, dando voz, criando associações, buscando alternativas, nos unindo e, acima de tudo, provando nossas habilidades. A mulher simboliza uma luta de igualdade, sem perder a sua essência cheia de sensibilidade. Batalhamos por muito tempo, antes éramos apenas mães e donas de casa. Agora sabemos onde queremos chegar. O Dia Internacional da Mulher – 8 de março – é para ser refletido e avaliado. Mas o dia a dia é para ser conquistado em meio às divergências e dificuldades que enfrentamos diante de situações de preconceito e discriminação que insistem em se fazer presentes. O Ideia Delas conversou com algumas profissionais de diferentes áreas e cidades. São mulheres batalhadoras que estão onde estão porque venceram. Vamos
conhecê-las?
Patricia Selonk, atriz londrinense que integra o grupo Armazém Companhia de Teatro, vencedora do Prêmio Shell de Melhor Atriz, falou para o Ideia Delas sobre as conquistas da mulher nos últimos anos, em especial a necessidade do aumento do protagonismo feminino em cena (teatral).

“Acredito que as maiores conquistas que a mulher teve nos últimos anos sejam o voto e a elegibilidade. Através da representatividade eleitoral, ela pode ao mesmo tempo se expressar e lutar, conquistando seus direitos neste mundo especialmente masculino. Ironicamente, estes dois direitos foram adquiridos pelas mulheres brasileiras antes mesmo que as francesas os conquistassem. Talvez, naquela época, o modelo mais conservador do governo francês tenha influenciado neste sentido. Mas as francesas foram à luta e os conquistaram. Já tive oportunidade de ficar meses no Marrocos e conhecer mais de perto as muçulmanas. E posso dizer, sem reservas, que emocional e sentimentalmente nós, mulheres, somos universalmente muito parecidas. E constatei a mesma coisa na Sicília, Ilhas Canárias, Eslovênia, Dinamarca, Inglaterra, Líbano, Camarões, Congo, por todos os lugares que passei. Creio que mulher é mulher, independente de raça, crença,
religião, origem. Somos definidas por uma palavra: amor.” (Adriana Fernandes de Freitas, agente de escala da Air France em Orly, mora em Paris, França)

“Na sutileza o mundo está cada vez mais feminino. Semana passada estive numa audiência, onde o único homem era o réu. A sala estava repleta de mulheres: juíza, promotora, advogadas, assistente social. Isso me intrigou mais ainda, já que venho percebendo a quantidade de mulheres profissionais em destaque numa sociedade que até há pouco tempo era minoria. Quando a mulher precisou ajudar nas despesas, a revolução silenciosa começou e continua a passos largos. Estudamos, nos especializamos, namoramos, casamos, somos mães, donas de casa, nos divorciamos e uma força invisível nos torna melhores diariamente, nesse mundão desafiador. A mulher é uma obra de arte que se reinventa independente das adversidades. Missão impossível não existe mais. Essa força apaixonada do sexo feminino transformou a humanidade e mudou o ‘tom’ da vida. A maior conquista da mulher é a autoestima. E o futuro? O futuro é feminino. Cada vez mais mulheres preenchem vagas e passam nos concursos, mantêm seus lares e continuam firmes como o pilar da sociedade. A mulher brasileira tem que se fazer mais presente na política, afinal, presidência e ministérios têm lugar no nosso dia: orçamento, transporte, justiça, trabalho, defesa, tecnologia, meio ambiente! Este ser com TPM, batom, laptop, filho pendurado, não tem medo de ser feliz. E viva a mulher!” (Altina Marcia Zaninetti, advogada, residente em Fort Lauderdale, Flórida, EUA)

“Para mim, uma das coisas mais importantes que aconteceram em relação à atuação feminina é na área de gestão. Quando se trata de organização, planejamento, desenvolvimento de estratégias, logística e entrega de resultados, somos muito boas. Mas é, sem dúvida, um preço alto para as mulheres porque continuamos com a nossa vida de mãe, esposa, dona de casa. Aumentou o nosso papel na sociedade e aumentou a responsabilidade, porém foi uma conquista fundamental. As mulheres se tornaram respeitadas. Principalmente na parte financeira, hoje as mulheres dão conta do recado com excelência, nas companhias e empresas elas têm destaque. Todo esse movimento tem alavancado mais situações com a participação efetiva das mulheres. É fato que no business a figura feminina tem potencial, sempre com projetos e ações positivas e rentáveis. Até um tempo atrás, somente eram conhecidas as lideranças masculinas, alguns papéis e cargos nem chegavam até nós. Isso mudou radicalmente, temos habilidade comprovada para dirigir grandes empresas. E todo esse processo colaborou para uma mentalidade mais aberta, quando as relações de trabalho não devem ter discriminação de gênero. O que acho que precisamos conquistar são mais mulheres na política, nossa participação é mínima. Principalmente agora, neste momento econômico e político difícil que o Brasil vive. Temos que conquistar nosso lugar de forma mais ousada e devemos ter voz, porque temos totais condições de contribuir de forma eficaz”.(Ana Luiza Diniz Cintra, relações-públicas, diretora do Centro de Convenções Rebouças, mora em São Paulo)

“A maior conquista das mulheres é a paz de espírito. É viverem tranquilas com as suas escolhas. Eu fiz uma opção e não carrego culpa, sinto que fui assertiva. Trabalhei durante 10 anos no mercado financeiro entre São Paulo e Nova York. Tinha uma vida corrida, dinâmica, ganhava muito bem, mas troquei tudo isso por uma família, um casamento, uma filha. O meu desejo de constituir uma família sempre foi maior. Acabei morando longe dos meus pais, numa cidade maior, onde as dificuldades são maiores também. A sociedade moderna tem cobrado muito das mulheres, como se elas sempre estivessem devendo algo. Se trabalha demais e deixa filhos na creche, é julgada porque não cuida das crianças. Se tem 40 anos e está solteira, ficou para titia e é infeliz. Se opta em ter um filho, é pouco demais. Se engordou um pouco, é relaxada. Se está bonita, é vaidosa demais. As próprias mulheres julgam e isso gera um desconforto em outras mulheres. Creio que, além das conquistas econômicas, políticas e sociais que já tivemos, precisamos da conquista da nossa realização pessoal. Trata-se de escolher um caminho, sem qualquer julgamento ou culpa. E viver bem com essa escolha. Aos 35 anos, casada, mãe, sou uma mulher realizada e feliz.” (Tatiana Veras Fernandes, empresária, dona da MOD – moda praia infantil, mora no Rio de Janeiro)

“Para mim, a maior conquista, sem dúvida, foi o direito de votar. Vivemos numa sociedade democrática. Sociedade essa que não é perfeita, mas acredito que, através do voto, as mulheres vão conquistar cada vez mais espaço e respeito na nossa sociedade.” (Fabíola Ambrósio, professora de balé clássico e coordenadora da Divisão Superior da Escola do Ballet Arizona, mora em Phoenix, Arizona, Estados Unidos)

” A maior conquista da mulher é ser respeitada, estando ela com batom e salto alto! Para ter poder não é necessário ser aquela mulher que queimou sutiã em praça pública, aquela feminista dos anos 70/80, agressiva, que só usava terno, cabelo preso ou curto! E se quiser usar esse visual, é porque está sendo fiel à
sua personalidade, atitude ou gosto pessoal. Hoje é uma vergonha julgar a inteligência da mulher exuberante, alegre, falante e feminina pelo seu modo de agir, estilo de vida ou aparência – e, veja bem, aqui não estou contestando o dress code formal. Porque isso cabe a qualquer profissional ético: respeitar, se
for o caso, homem ou mulher. Trata-se do fato de sermos autênticas, femininas, de agirmos conforme a nossa natureza. Nossa fragilidade tem uma força grande! A mulher pode aceitar que o homem abra a porta, estenda a mão (assim como Michele aceita o cavalheirismo de Obama), mas isso não a faz perder a força. Acredito que podemos ser mulher na nossa vida pessoal com o respeito devido e conquistado no mercado de trabalho, na luta pela igualdade, buscando todos os nossos direitos. No Dia Internacional da Mulher, ressalto
aquilo que já sabemos: é uma delícia ser mulher! Parabéns para todas nós!” (Ana Paula Zampieri mora em Londrina, é arquiteta e designer de sapatos, diretora comercial do Grupo CILA – empresa fundada pela mãe Celia Russo –, franqueada d’O Boticário e Quem disse Berenice)
A atriz premiada, produtora, bailarina, tradutora Leticia Isnard fala sobre os direitos que as mulheres ainda precisam conquistar. Ela ressalta que a nossa batalha é longa, mas assegura que “vamos chegar lá”.
Agradecimentos: Ney Motta


Espero que esteja comentando no Local apropriado.
Sobre as declarações de Letícia Isnard, interessantes, oportunas, não concordo e reprovo fortemente, a primeira, sobre o DIREITO AO ABORTO.
O ovo é um ser humano desde o instante da união do óvulo com o espermatozoide, e abortá-lo , seja qual for o momento da gestação, é o mesmo que assassiná-lo!!!!
A mulher é, sim, dona de seu próprio corpo, mas não é, nem nunca será, dona do corpo do filho que parasita seu útero!!!
Destruí-lo é assassiná-lo!!!
Há , hoje, métodos anticoncepcionais bastante eficazes, ao alcance de algumas classes sócio econômicas , e sou totalmente a favor do desenvolvimento de políticas públicas de distribuição de anticoncepcionais , da mesma forma que no carnaval são distribuídas camisinhas para prevenir as doenças sexualmente transmissíveis !
Sou contra, inclusive, o aborto após estupro, considero que também nesses casos deveriam ser desenvolvidas políticas públicas de apoio financeiro, profissional, trabalhista , de eventual doação da criança para adoção ,
a todas as mulheres que ficarem grávidas em consequência de estupro !
Parece-me que a única exceção seja a ocorrência de anencefalia, pois nesse caso , o feto não terá a chance de viver sequer uma fração de segundo após perder a condição de parasita da mulher no momento do corte do cordão umbilical !!!
Esclareço que não tenho essa opinião motivada por crença religiosa, nem qualquer coisa semelhante!
Penso assim porque respeito a vida, e não posso aceitar uma lei que seja contra a vida, bem-querer ela tenha sido gerada por um ato de violência, muito menos por eventuais descuidos!
Nem mesmo a lei da pena de morte é aceitável!
Sei que teremos que evoluir muito ainda, mas quem sabe consigamos construir uma sociedade mais justa e menos cruel!
Dona Maria Lopes Kireeff agradecemos as suas observações, mas o Portal IDEIA DELAS não iria jamais censurar a fala da atriz Letícia Isnard, mesmo pensando de forma diferente, especificamente ,sobre esse assunto. Obrigado por sua contribuição. abraços
Que texto real e interessante. Somos todas elas em uma só. Somos pessoa, mae, filha, profissional, somos orgulhosamente mulheres. Parabéns.
Excelente matéria Elisie;todas as mulheres em destaques são umas vitoriosas,Mas adorei a reportagem com a minha amiga Ana Luiza
,admiro demais!!!!
Qtos depoimentos fantásticos ! Mulheres comuns q se reinventam dentro das suas realidades e se realizam como pessoa!! Todas guerreiras …belos exemplos !!! Mais uma matéria muito bacana amiga Elisiê! Um parabéns especial p Ana Luiza, nossa amiga querida !!
Adorei os depoimentos, de fato somos guerreiras e conseguimos conquistar espaço em todos os segmentos da sociedade . Em especial, adorei o texto da minha amiga Ana Luisa, uma grande mulher.