
Os grupos de autoajuda, as diversas Ongs e entidades sem fins lucrativos e voluntários têm uma finalidade relevante e realizam um papel expressivo nas comunidades e no mundo. Com projetos importantes, estabelecem uma sincronia e dão vozes aos menos favorecidos, às pessoas que passam por problemas sociais, educacionais e emocionais. São grupos pequenos, formados por 10 a 12 pessoas, que têm em comum experiências com um mesmo tipo de dificuldade e se encontram para buscar soluções. Eles podem surgir na sala de uma casa para atender mães que perderam filhos ou num salão paroquial para acolher pessoas com problemas de alcoolismo. Podem ser entidades de âmbito nacional e outras reconhecidas internacionalmente. Mas todos têm uma única missão: ajudar. É um trabalho que exige amor, atitude, determinação, coragem e que luta para continuar, enfrentando problemas e perseverando para produzir benefícios sociais e emocionais efetivos. Conversamos com coordenadores de grupos de autoajuda locais com essa missão tão nobre. Unidas na dor, no desamparo, nos problemas, as pessoas têm mais chance de exercer a resiliência. E a ter esperança por dias melhores.
Por Elisiê Peixoto

Mães da Esperança
O grupo “Mães da Esperança’’ teve início em agosto de 2017, fundado pela psicóloga Elaine Prestes, que em abril de 2016 perdeu sua única filha Mariana, com 16 anos, vítima de aneurisma cerebral. As reuniões acontecem semanalmente, às quintas-feiras, às 20 horas, na Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora, em Londrina. Elaine conta o que passou, relata sobre o grupo: ” Minha filha me ligou durante a aula, dizendo em tom de desespero sobre uma dor no olho insuportável e pedindo para buscá-la. O tempo entre a escola e meu trabalho foi menor que cinco minutos, quando o porteiro me viu, pediu para eu entrar direto que ela estava na direção. Mariana deitada me gritou e foi ficando inconsciente, chamamos a emergência, mas infelizmente não foi possível salvá-la. Ela faleceu na própria escola. Desde então, uma grande batalha foi travada na minha vida, a de continuar vivendo. “Nesse tempo de luto percebi a inabilidade de muitas pessoas para lidar com uma mãe que perde um filho ou uma filha. Conversando com o padre Valdemir, que esteve comigo desde o momento em que a Mariana faleceu, fui entrando em contato com outras mães que passaram pela mesma dor. Teoricamente, como profissional da área, sei que o luto passa por várias fases, mas vivê-las é uma dor absurda, quase insuportável. No começo você está sempre cercada de pessoas, mas com o passar do tempo cada um retoma a sua vida. E a mãe que perde o filho acaba se sentindo sozinha com suas lembranças e sentimentos. A sociedade cobra que precisamos retomar a vida, que precisamos continuar. Quando se trata de lidar com o luto por um pai, uma mãe, outras pessoas da família, um amigo, é diferente, cada um tem sua forma de lidar e depende do vínculo que se estabelece com as pessoas que partiram. Mas quando o luto é por um filho, nada cabe numa teoria, numa explicação, não cabe na razão. Como dar prazo a uma dor assim? Um mês, dois meses? Isso não existe porque a dor de perder um filho é para toda a vida”.
A força na união
Foi assim que surgiu o grupo “Mães da Esperança”, formado por mães que perderam filhos e uniram forças, enfrentando as mesmas dificuldades de superação, buscando continuar vivendo através de um objetivo em comum: a ajuda mútua. “Eu precisava dar um significado para tudo aquilo, juntar a minha experiência profissional com a vivência desta perda tão significativa e assim ajudar outras mães, outras pessoas enlutadas. Principalmente, levar informações sobre como lidar com essa dor. Porque sobre a morte ninguém fala, é um tabu. Porém, inevitavelmente, um dia todos nós vamos nos deparar com ela. E como não se fala, ninguém sabe lidar, nem sabe como esse processo funciona, ouve-se coisas ruins, negativas e que não contribuem. Aprendemos que cada um tenta lidar à sua maneira, mas é difícil alcançar tamanha dor não tendo passado por ela. Saliento que até entre os familiares há diferença para enfrentar o luto. Os relacionamentos interpessoais ficam frágeis e abalados. No grupo aprendemos a enfrentar unidas. Nosso objetivo é acolher essas mães, ter um espaço para compartilhar a dor, pois é preciso falar sobre o luto. Quanto mais falamos, mais a tristeza vai amenizando e vamos descobrindo um outro significado para a nossa caminhada.”
Um livro para eternizar
Incentivada pela professora de redação e amigos da adolescente, a psicóloga Elaine concretizou um dos sonhos da filha que era escrever um livro. Assim foi lançado em 23 de março de 2017 (data em que a adolescente completaria 17 anos), a obra com o título “Simplesmente Mariana, ou não!” Com a participação de relatos, crônicas, poemas e histórias assinadas por 29 pessoas que faziam parte da rotina da jovem. “Trata-se de uma forma de lidar com o luto, linda iniciativa e uma recordação que permanecerá para sempre. É ambíguo, se conforta de um lado, concretiza a ausência de outro. Porque de fato a Mariana não está mais aqui. Porém, sei que o livro era um sonho dela. E nele tem um pedacinho de cada amigo, das pessoas com quem ela conviveu. Em breve lançaremos outro livro, direcionado às crianças, contando a primeira experiência que direcionou a vida da Mariana, com intuito de ajudar outras crianças a formarem um senso crítico e suas identidades. Tudo com muito amor, como era a nossa relação de mãe e filha”, conclui a mãe.

Amar, Encorajar e Viver
O grupo “Amar, Encorajar e Viver” foi fundado em fevereiro de 2018, composto por seis jovens viúvas e mães de filhos com até 7 anos, todas residentes em Londrina. As reuniões são quinzenais e o objetivo é dar apoio, uma mutua ajuda na superação e sem vitimizações. Segundo uma das integrantes, a psicóloga Grazziele Bueno, “é quando se desenvolve habilidades de resiliência, de autoconfiança, no auxilio em processos decisórios, no compartilhamento do sentimento de insegurança, nos conflitos e assuntos relativos à maternidade, entre outros”. O grupo busca trabalhar de maneira leve e as participantes relatam que se sentem acolhidas e encorajadas para enfrentar os desafios. “Importante destacar que a postura adotada por todas as participantes é a de transformação dos momentos difíceis em aprendizado e no encorajamento dos filhos. Nossa família e a memória dos nossos maridos que foram pais tão exemplares e que zelaram pela nossa felicidade permanecem de uma forma bonita e eterna. Por isso mantemos o nosso amor pela vida. E encorajamos a todos que estão ao nosso redor. Buscamos enfrentar os problemas da vida e viver o que há de viver”, completa a psicóloga.

Amor Exigente
A “Ong Amor-Exigente” (AE) existe desde 1984 e tem um programa eficiente voltado para grupos de apoio e orientação às famílias e aos jovens envolvidos na dependência de álcool e drogas. Esses grupos ajudam nas mudanças comportamentais que fatalmente acontecem na rotina do clã, atendendo os pais e demais membros da família, que sofrem as consequências dessa dependência, resultando em conflitos graves. O programa desenvolve preceitos para essa reorganização baseado em 12 Princípios Básicos, 12 Princípios Éticos, Espiritualidade Pluralista e Responsabilidade Social.
O Portal Ideia Delas conversou com a voluntária Marcia Camacho da Silva Cordér, que explanou sobre o programa. “Atuamos na reinserção, na volta à sociedade e ao núcleo familiar desses jovens dependentes. Trata-se de um programa de qualidade de vida e que atende também a família, que, ao vivenciar um problema dessa esfera, fica desordenada, tornando-se refém daquela situação, resultando numa desorganização familiar e comprometendo a dinâmica da casa. Através dos princípios em que acreditamos, damos o suporte para que as famílias tenham o apoio necessário, trocando ideias, informações, buscando soluções. E, ao longo de todos esses anos, o resultado tem sido positivo e superado as expectativas”, comenta.
Foi por volta dos anos 70, nos Estados Unidos, que surgiu o “Toughlove”, movimento liderado pelos psicólogos Davi e Phyllis York, um casal de americanos com três filhas envolvidas com drogas. O casal, no intuito de tirar as filhas da dependência e ajudar outros jovens, começou o movimento que se fortaleceu e rompeu fronteiras, e que teve início no Brasil na década de 80. Foi o padre Haroldo J. Rahm, um jesuíta nascido no Texas/EUA, morando no Brasil desde 1964 e com uma vida dedicada aos jovens, que formou uma comunidade terapêutica para recuperação de dependentes de álcool e outras drogas. “O padre Haroldo trouxe o movimento para o Brasil e percebeu que as famílias precisavam ser atendidas e trabalhadas. De lá para cá o movimento cresceu e hoje temos a Federação Brasileira de Amor-Exigente (FEAE). Atualmente, cerca de 800 grupos são auxiliados semanalmente em todo o Brasil. Atendemos cerca de 100 mil pessoas ao mês, nos grupos, com palestras, aconselhamento e cursos. Ao todo, cerca de 10 mil voluntários trabalham em prol dessa causa, com determinação e amor ao próximo”, revela Marcia.
Em Londrina, Neide Furtado é a coordenadora regional do Amor-Exigente. A sede fica na Avenida Rio Branco, 367, onde acontecem os plantões. “Temos atendimento às segundas-feiras, das 9 às 11h30 e das 14 às 17 horas. Nas terças e sextas-feiras, sempre à tarde, das 14 às 17 horas. São todos voluntários e movidos pelo mesmo objetivo, que é prestar auxílio aos jovens dependentes químicos e seus familiares”, explica Marcia. Ela completa: “O grupo é aberto a todos. As pessoas chegam e sempre são acolhidas pelos voluntários. Não somos um grupo anônimo, somos sigilosos, esse é o nosso compromisso”.
Em Londrina, o Amor-Exigente tem reuniões às terças-feiras, às 18h30, na Paróquia Imaculada Conceição, e nas quartas-feiras, às 19h30, na Paróquia Sagrados Corações. Semanalmente, cerca de 100 pessoas são atendidas. O programa dá esperança e equilíbrio para todos os envolvidos, demonstrando, acima de tudo, que com amor e perseverança é possível uma reestruturação com qualidade de vida para os jovens dependentes e seus familiares.

Doando amor
São muitos os movimentos, ongs, entidades e grupos de autoajuda existentes no Brasil. Entre eles, destacam-se o CVV – Centro de Valorização da Vida e o A.A – Alcóolicos Anônimos, pelo trabalho efetivo e importante que realizam ao longo dos anos.
O CVV – Centro de Valorização da Vida realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone, email, chat e voip 24 horas todos os dias. https://www.cvv.org.br/
A.A – Alcoólicos Anônimos é uma irmandade de homens e mulheres que compartilham, entre si, suas experiências, forças e esperanças, a fim de resolver seu problema comum e ajudar outros a se recuperarem do alcoolismo. O único requisito para ser membro é o desejo de parar de beber. Para ser membro de A.A. não há taxas ou mensalidades, somos autossuficientes, graças às nossas próprias contribuições. A.A. não está ligada a nenhuma seita ou religião, nenhum movimento político, nenhuma organização ou instituição; não deseja entrar em qualquer controvérsia; não apóia nem combate quaisquer causas. Nosso propósito primordial é mantermo-nos sóbrios e ajudarmos outros alcoólicos a alcançarem a sobriedade.http://www.alcoolicosanonimos.org.br/
Agradecimento:
Revisão do texto: Jackson Liasch – fone (43) 9 9944-4848 – e-mail: jackson.liasch@gmail.com
Fotos arquivo pessoal/pixabay


O AMOR EXIGENTE fez toda a diferença na minha vida e do meu filho – que está limpo de álcool e drogas há 10 anos. Com o Grupo Amor Exigente, a primeira coisa que percebemos é que não estamos mais sozinhos na batalha contra esses vícios que com o tempo a família toda vai ficando doente. Lá aprendemos a começar tomar atitudes que, diante do problema, às vezes ficamos sem ação,às vezes apreensivos, às vezes anestesiados, às vezes desequilibrados. Portanto, indico o AE à todas as famílias que passam por problemas relacionados à alcool, drogas e comportamentos inadequados.
Gostaria do contato do grupo Mães da Esperança, por favor. Obrigada.
Olá segue o contato da Elaine, abs, Elisiê
elaine.psilondrina@hotmail.com>