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Uma geração que faz cinema em Londrina

12 de setembro de 2018 por Claudia Costa 3 Comentários

A cidade de Londrina (PR) tem se revelado um polo de jovens cineastas: Rodrigo Grota, Bruno Gehring, Alessandra Pajolla, Luciano Paschoal, Ney Inácio, dentre tantos, são destaque na “sétima arte”, termo criado em 1923 para designar o cinema pelo teórico e crítico Ricciotto Canudo no “Manifesto das Sete Artes”.

Por Claudia Costa e Leonardo Andrade

Em 2016, o longa-metragem londrinense “Leste Oeste” (nome de uma das principais avenidas de Londrina), escrito e dirigido por Rodrigo Grota, era exibido pela primeira vez no 20º Cine PE – Festival Audiovisual de Pernambuco, em Recife, conquistando os prêmios nas categorias de melhor ator (Felipe Kannenberg) e melhor atriz (Simone Iliescu). Desde então, o longa-metragem acumulou outras premiações mundo afora, como o Prêmio Van Gogh de Melhor Longa Dramático Internacional no Amsterdam Film, no Festival de 2017, realizado na Holanda. O premiado cineasta Rodrigo Grota, 39 anos, é formado em Jornalismo, possui especialização em Filosofia Moderna e Contemporânea e mestrado em Estudos Literários pela UEL.

“Leste Oeste” foi inteiramente rodado em Londrina durante apenas 15 dias e com orçamento de R$ 140 mil (orçamento de curta-metragem, conforme Grota) e uma equipe majoritariamente composta por londrinenses. É o primeiro longa produzido na cidade, e a produtora responsável, a Kinopus, possui outros projetos que estão em diversas etapas de produção e desenvolvimento.

Não é usual que uma cidade do interior do País produza cinema. Mesmo assim, Bruno Gehring, 36 anos, sócio-fundador do Instituto Kinoarte e dono da produtora Leste BR, conta que atualmente seis curtas-metragens estão em produção na cidade.

Origem

E como Londrina se tornou um polo de produção audiovisual? Desde a fundação da cidade até o início dos anos 2000, a produção era tímida. O cineasta Rodrigo Grota conta que “em julho de 2003 a gente tomou o primeiro passo decisivo, que foi criar o instituto de cinema, o Kinoarte”. O instituto tem quatro áreas de atuação: produção, formação, exibição e preservação, e Grota foi o presidente até 2010. Ele explica o raciocínio por trás da criação do instituto e da definição destas áreas de atuação: “Londrina não tinha um histórico consolidado de produção de cinema. Não tem até hoje uma graduação em cinema, então também não tem uma série de profissionais ligados ao cinema para aprender junto. Tínhamos que criar a demanda por filmes na cidade e tentar nos profissionalizar a partir da nossa produção, para que ao mesmo tempo as pessoas tivessem a oportunidade de refletir sobre a linguagem do cinema, ter acesso à história de diversas correntes estéticas e aplicar isso no set, na prática”, salienta o cineasta.

“Trilogia do Esquecimento”, deu projeção para o cineasta Rodrigo Grota

Grota e seus companheiros da formação do Kinoarte acreditam em uma abordagem integrada. “Não adianta ter acesso aos meios de produção do cinema sem estudar e conhecer sua linguagem. Também não tem serventia ser muito atento à parte teórica na ausência de prática real”, explica. Uma das iniciativas promovidas pelo Kinoarte, em parceria com o Sesi Londrina, é um núcleo de roteiros que forma 25 roteiristas todos os anos desde 2013.

Faltam profissionais qualificados para trabalhar na produção em Londrina, quiçá para expandi-la. A capacitação é peça-chave, inclusive durante as produções. Segundo Grota, alguns profissionais vieram para Londrina participar de algumas produções. “O Carlos Ebert veio de São Paulo fazer a fotografia da Trilogia do Esquecimento (Satori Uso, Booker Pittman, Haruo Ohara) entre 2006 e 2009, e tinha uma equipe de assistência de fotografia. Já em 2012 dirigi um filme de ficção e o diretor de fotografia era um cara de Londrina, o Guilherme Gerais, que foi estagiário de fotografia durante a filmagem do Booker Pittman. Em cinco anos ele foi de estagiário para diretor de fotografia.”

O próprio Rodrigo Grota aprendeu o ofício nestes mesmos moldes. Durante a graduação no curso de Jornalismo, foi estagiário de produção no curta-metragem “Saudade”, roteirizado e produzido por Caio Cesário, atual secretário de cultura da cidade. Foram 26 pessoas envolvidas na produção londrinense, a maioria egressa de oficinas de cinema em Super 8. De São Paulo para Londrina, vieram seis profissionais, entre diretores e produtores, sedimentando um intercâmbio com jovens de Londrina e Umuarama.

Em 2000, Grota foi assistente de produção do curta “Cine Paixão” e, ao se formar em 2001, começou a escrever roteiros. Já no ano seguinte teve seu primeiro projeto aprovado para financiamento do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic), o curta “Londrina em Três Movimentos”, cuja sinopse retrata “uma cidade vazia apresentada a partir de três perspectivas: a natureza, o urbano e o imaginário”. Desde a Fundação do Kinoarte, Grota tem produzido um filme por ano.

 

“Sou uma produtora de um homem só, a Vertigo Filmes, mas não trabalho só.”, explica Luciano Pascoal. Foto: Renata Cabrera.

Luciano Pascoal, jornalista e produtor audiovisual londrinense, enfatiza a importância do aprendizado por meio da colaboração em projetos de outros profissionais. “Sou uma produtora de um homem só, a Vertigo Filmes. Mas não trabalho só. Estou sempre fazendo parcerias, buscando ajuda, trocando ideias. Hoje uma produtora de audiovisual cabe numa mochila: câmera, lente, microfone, ilha de edição. Mas é trabalhando com outras cabeças que aprendemos e ampliamos os negócios. É preciso muito planejamento para garantir futuras produções, seja escrevendo projetos para editais ou produzindo pilotos e apresentando novas experiências para possíveis clientes”, enfatiza.

Pascoal atualmente está produzindo um documentário sobre os murais e painéis da Igreja de Nossa Senhora da Imaculada Conceição, Catedral de Jacarezinho. O documentário conta a curiosa história de dois irmãos, um Bispo ultraconservador, Geraldo de Proença Sigaud, um arquiteto e importante artista do Modernismo, Eugênio de Proença Sigaud. O Bispo, anticomunista, convidou o irmão, comunista e ateu, para decorar a Catedral. O resultado é uma obra suntuosa e polêmica, tombada pelo Patrimônio Histórico Estadual, e que está se deteriorando, abandonada. O documentário foi contemplado num edital da Secretaria Estadual de Cultural e é uma parceria entre três produtoras da cidade. Luciano Pascoal espera espera ajudar a reverter este quadro com seu documentário, que já está 95% gravado.

Raquel Deliberador ( continuísta) ,Reinaldo Martins ( assistente de fotografia), Alessandra Pajolla (roteirista e diretora) e Anderson Craveiro (diretor de fotografia) no set de filmagem do curta- metragem “Redenção”.

A jornalista, pesquisadora e cineasta Alessandra Pajolla é uma apaixonada pela narrativa ficcional. Sua experiência com o cinema começou em 2015, quando escreveu “Inventário”, durante o curso realizado no Núcleo de Desenvolvimento de Roteiros do Sesi Londrina. “A partir daí me dediquei à escrita de roteiro, pois percebi que era possível unir os conhecimentos e minha experiência com o jornalismo e literatura na linguagem cinematográfica”, explica Pajolla, que possui mestrado e doutorado em Literatura. Ela também contribuiu com o roteiro de oito episódios para a série de TV de ficção infantil “Super Família”, composta por 26 episódios, com criação e roteiro de Roberta Takamatsu.

Em outubro de 2017, Pajolla teve a série “Histórias do Busão”, criada e desenvolvida por ela, selecionada para o Curitiba Lab Sesi/Olhar de Cinema. Dois roteiros de curta-metragem, “Inventário” e “Redenção”, foram selecionados pelo Edital 004/2017 da Secretaria de Estado de Cultura do Paraná em parceria com a Agência Nacional do Cinema (Ancine).

O ator Adriano Garib no set de filmagem de “Inventário”. Foto: Marina Pires

“Inventário” é um filme que fala de um trauma, uma relação delicada entre pai e filho, que continua a atormentar o protagonista Ralph, um cartunista de 50 anos. Após a morte do pai, ele precisa enfrentar esses fantasmas do passado. O curta-metragem foi estrelado pelo ator Adriano Garib e dirigido pelo cineasta Rafael Ceribelli e está em pós-produção. Já o filme “Redenção”, dirigido por Alessandra Pajolla, aborda a violência contra a mulher, lançando o seguinte questionamento: até que ponto um homem violento merece uma segunda chance? No filme é discutida a tolerância social que envolve a agressão contra a mulher e a possível redenção do agressor. “Redenção” está em fase de pós-produção. “Ainda não temos previsão de estreia para os dois filmes, talvez no fim do ano eles comecem a correr o circuito de festivais. Estamos tratando com muito cuidado a fase de pós-produção, finalizando a montagem, mixagem e som, trilha sonora e correção de cor. Trabalharemos o tempo necessário para que a linguagem estética, narrativa e ritmo tenham a mesma qualidade, do começo ao fim”, salienta ela, que acredita que é o momento para haver mais mulheres nas produções audiovisuais, seja escrevendo roteiros, fotografando, dirigindo, montando, fazendo produção, direção de arte, enfim, participando de todos os estágios. “Acredito que o audiovisual brasileiro vive um bom momento, há muito potencial a ser explorado. Sou roteirista, me vejo como uma contadora de histórias que encontrou no cinema a melhor e a mais completa forma de expressão narrativa. Eventualmente posso dirigir, como fiz em ‘Redenção’, e me envolver em outras áreas do set de filmagem, que é absolutamente fascinante. Mas minha área é sem dúvida o roteiro”, salienta Alessandra Pajolla.

 

O jornalista e produtor Ney Inácio dirigindo o documentário da cantora Ângela Maria

O experiente jornalista e produtor cultural Ney Inácio, morando em São Paulo há mais de 20 anos onde trabalha no SBT, também é mais um londrinense que se enveredou pela sétima arte. Ele fez parcerias com as TVs Cultura e Grupo Globo com o Canal Brasil. “Produzo documentários e filmes, sobretudo com o resgate da história da música e seus grandes artistas, como Leny Eversong, Agostinho dos Santos, Ângela Maria, dentre outros.”        

Atualmente, Inácio está produzindo e já gravando o filme “Musas da Pauliceia Desvairada”, que retrata a história das pioneiras atrizes transformistas de São Paulo. Além do trabalho de jornalista, escreve e dirige peças teatrais. Seu próximo projeto cinematográfico é o documentário sobre Jean Manzon, fotógrafo francês radicado no Brasil que inovou o fotojornalismo brasileiro. “Tenho os direitos de 400 horas do arquivo do cineasta que contou a história do Brasil”, ressalta Inácio.

Programa de Incentivo à Cultura

O premiado cineasta Rodrigo Grota

Se o Kinoarte foi uma peça fundamental neste processo que fez de Londrina um polo audiovisual inesperado no interior do Paraná, sem dúvida não fez isso isoladamente. Em 1994, passou a vigorar na cidade a Lei Municipal de Incentivo à Cultura (nº 5.305/92) que instituía o Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic). “Nós somos fruto do Promic. É o primeiro do Brasil nesse modelo, que não é renúncia fiscal. Esse programa foi a base para acessarmos outros meios de financiamento, como editais e o Fundo Setorial do Audiovisual (do qual depende o grosso da produção brasileira) e foi o start dessa geração fazendo cultura na cidade, não só no cinema”, salienta Bruno Gehring.

O longa-metragem “Leste Oeste” foi realizado com verba do Promic, assim como a “Trilogia do Esquecimento”, filme que deu projeção para o cineasta Rodrigo Grota.

Festival de Cinema

Uma parte importante da tradição audiovisual em expansão na cidade é o Festival de Cinema de Londrina, que já está em sua 20ª edição. O festival traz filmes do Brasil e de diversos países que normalmente não têm espaço no circuito comercial. Na 19ª edição, no ano passado, foram mais de 60 filmes entre curtas e longas-metragens, com sessões pagas e também algumas gratuitas, além das palestras e oficinas abrangendo questões de direitos autorais e do mercado de games.

Bruno Gehring:”Dificuldades para conseguir apoio financeiro para o Festival de Cinema”.

Apesar do amplo reconhecimento do festival e de seu lugar de destaque no mundo cultural londrinense, cada edição é uma batalha. “Realizamos um festival tão grande e tão completo com uma programação gigantesca. Se comparar com outros festivais que são realizados no Brasil, o orçamento que conseguimos aqui é um décimo do de outros festivais. São mais dias de programação, com muitas palestras e filmes exibidos, e mesmo assim nunca conseguimos os recursos que o festival merece. Começamos todo ano sem um real e temos que batalhar pelo apoio”, salienta Bruno Gehring.

 

**** Leonardo Andrade é acadêmico do curso de Jornalismo da UEL e estagiário do Portal IDEIA DELAS.

  • Arte/capa:  Alekcey Willians
  • Revisão:  Jackson Liasch (fone (43) 99944-4848 – e-mail: jackson.liasch@gmail.com

Arquivado em: Destaque, Entrevistas

Sobre Claudia Costa

Claudia Costa foi editora Folha de Londrina, suplemento da Folha da Sexta, durante 13 anos, e há mais de 17 anos está atuando em comunicação corporativa e marketing. Trabalhou nas empresas Unimed Londrina, Sociedade Rural do Paraná e Unopar. Atua na assessoria de imprensa e comunicação para AREL, SINDICREDPR e diversos profissionais liberais, principalmente, na área da saúde e diversas áreas de prestação de serviço.

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Comentários

  1. Elisie diz

    12 de setembro de 2018 em 19:52

    Que matéria legal! Parabéns Leonardo!

    Responder
  2. Ney Carvalho diz

    13 de setembro de 2018 em 12:49

    A arte da capa está legal, só falta corrigir o nome do artista. Alekcey Willians.

    Responder
  3. Luis diz

    13 de setembro de 2018 em 23:36

    Bela reportagem, belo site

    Responder

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