O Brasil registrou 11.433 mortes por suicídio em 2016, o equivalente a 31 casos por dia. Esses dados registram um aumento de 2,3% em relação ao ano anterior, segundo informações divulgadas no último dia 20 de setembro pelo novo Boletim Epistemológico do Ministério da Saúde. O Governo estima que os casos reais de suicídio sejam bem maiores devido à sub-notificação dos registros.

Por Claudia Costa
O número de casos de suicídio em adolescentes , adultos jovens e idosos no Brasil está aumentando. É um ato de desespero uma pessoa deliberadamente tirar a própria vida, fato que merece atenção de toda a sociedade. E para conscientizar e prevenir o suicídio, desde 2014, acontece a campanha SETEMBRO AMARELO, que alerta para a realidade do suicídio no Brasil e no mundo. A campanha é resultado do esforço do Centro de Valorização da Vida (CVV), do Conselho Federal de Medicina e da Associação Brasileira de Psiquiatria.
Isolamento
As pessoas com pensamentos suicidas podem se isolar, não atendendo a telefonemas, interagindo menos nas redes sociais, ficando em casa ou fechadas em seus quartos, reduzindo ou cancelando todas as atividades sociais, principalmente aquelas que costumavam e gostavam de fazer.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), nove em cada 10 casos de suicídios poderiam ser evitados. “A sociedade nos ‘vende’ que a felicidade está em viver o sucesso, e não aprendemos a lidar com o insucesso”, explica a psicanalista Stella Berbel. Ela afirma que a sociedade pode ajudar a prevenir o suicídio parando de “propagar a ideia de que a felicidade está no sucesso. A felicidade está em viver com o que se tem. O que a sociedade prega cada vez mais é que não tem fim. Você conquista um ideal e, à medida que conquistou, já tem um próximo. Não há tempo de curtir uma vitória”, salienta Stella, ressaltando a importância de ouvir o outro. (Veja a entrevista completa da psicanalista no vídeo.)
As causas do suicídio podem ser desde doenças do corpo até doenças da mente: depressão, angústia, frustração por não conseguir lidar com o fracasso e nem atender as expectativas das outras pessoas, desilusão amorosa, dentre outras. De acordo com dados da OMS, o Brasil é o país campeão de transtornos de ansiedade e ocupa o quinto lugar em número de pessoas com depressão, ou seja, aproximadamente 11,5 milhões de brasileiros sofrem com essa doença.
Tabu e preconceito
A Associação Brasileira de Estudos e Prevenção do Suicídio (ABEPS) enumera diversos fatores que podem impedir a detecção precoce e, consequentemente, a prevenção do suicídio, dentre eles o estigma e o tabu relacionados ao assunto. Por questões religiosas, morais e culturais, o suicídio foi considerado um grande “pecado”. Este é um dos motivos da dificuldade, do medo e da vergonha de falar abertamente sobre o assunto. Para a ABEPS, outras circunstâncias importantes, como a dificuldade em buscar ajuda, a falta de conhecimento por parte dos profissionais de saúde e a ideia errônea de que o comportamento suicida não é um evento frequente, condicionam barreiras para a prevenção. Lutar contra esse tabu é fundamental para que a prevenção seja bem-sucedida.
Comportamento suicida
Segundo a ABEPS, erros e preconceitos vêm sendo historicamente repetidos, contribuindo para a formação de um estigma em torno da doença mental e do comportamento suicida. O estigma resulta de um processo em que pessoas são levadas a se sentirem envergonhadas, excluídas e discriminadas. A tabela abaixo ilustra alguns mitos sobre o comportamento suicida e o conhecimento pode contribuir para a desconstrução deste estigma.
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MITOS |
VERDADES |
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O suicídio é uma decisão individual, já que cada um tem pleno direito a exercitar o seu livre-arbítrio.
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FALSO. Os suicidas estão passando quase que invariavelmente por uma doença mental que altera, de forma radical, sua percepção da realidade e interfere em seu livre-arbítrio. O tratamento eficaz da doença mental é o pilar mais importante da prevenção do suicídio. Após o tratamento, o desejo de se matar desaparece.
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| Quando uma pessoa pensa em se suicidar terá risco de suicídio para o resto da vida. | FALSO. O risco de suicídio pode ser eficazmente tratado e, após isso, a pessoa não estará mais em risco.
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As pessoas que ameaçam se matar não farão isso, querem apenas chamar a atenção.
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FALSO. A maioria dos suicidas fala ou dá sinais sobre suas ideias de morte. Boa parte dos suicidas expressou, em dias ou semanas anteriores, frequentemente aos profissionais de saúde, seu desejo de se matar.
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| Se uma pessoa que se sentia deprimida e pensava em suicídio, e num momento seguinte passa a se sentir melhor, normalmente significa que o problema já passou.
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FALSO. Se alguém que pensava em suicídio e, de repente, parece tranquilo, aliviado, não significa que o problema já passou. Uma pessoa que decidiu suicidar-se pode sentir-se “melhor” ou sentir-se aliviada simplesmente por ter tomado a decisão de se matar. |
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Quando um indivíduo mostra sinais de melhora, ou sobrevive a uma tentativa de suicídio, está fora de perigo.
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FALSO. Um dos períodos mais perigosos é quando se está melhorando da crise que motivou a tentativa, ou quando a pessoa ainda está no hospital, na sequência de uma tentativa. A semana que se segue à alta do hospital é um período durante o qual a pessoa está particularmente fragilizada. Como um preditor do comportamento futuro é o comportamento passado, a pessoa suicida muitas vezes continua em alto risco.
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Não devemos falar sobre suicídio, pois isso pode aumentar o risco.
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FALSO. Falar sobre suicídio não aumenta o risco. Muito pelo contrário, falar com alguém sobre o assunto pode aliviar a angústia e a tensão que esses pensamentos trazem.
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| É proibido que a mídia aborde o tema suicídio.
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FALSO. A mídia tem obrigação social de tratar desse importante assunto de saúde pública e abordar esse tema de forma adequada. Isto não aumenta o risco de uma pessoa se matar; ao contrário, é fundamental dar informações à população sobre o problema, onde buscar ajuda etc.
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| Fonte: Associação Brasileira de Estudos e Prevenção de Suicídio | |
Fontes:
- Associação Brasileira de Estudos e Prevenção de Suicídio http://www.abeps.org.br/prevencao/
- Setembro Amarelohttp://www.setembroamarelo.org.br/
- LIGUE 141– CVV (CENTRO DE VALORIZAÇÃO DA VIDA) http://www.cvv.org.br/
O Centro de Valorização da Vida (CVV) promove apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que queiram e precisem conversar, sob total sigilo, por telefone, e-mail, chat e Skype, 24 horas todos os dias.
Fontes:
Ministério da Saúde http://http://portalms.saude.gov.br/saude-de-a-z/suicidio
Associação Brasileira de Estudos e Prevenção de Suicídio http://www.abeps.org.br/prevencao/
- Setembro Amarelo http://www.setembroamarelo.org.br/
- LIGUE 141 – CVV (CENTRO DE VALORIZAÇÃO DA VIDA) http://www.cvv.org.br/
O Centro de Valorização da Vida (CVV) promove apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que queiram e precisem conversar, sob total sigilo, por telefone, e-mail, chat e Skype, 24 horas todos os dias.


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