Este é o tema da campanha que a (SBM) Sociedade Brasileira de Mastologia esta fazendo neste outubro rosa para alertar sobre o câncer de mama. Segundo a SBM, o cenário desta doença no Brasil é desanimador. A entidade volta a alertar sobre o principal gargalo que ocorre no país, que é a dificuldade de acesso das mulheres para conseguir atendimento desde o rastreamento para o diagnóstico precoce até o tratamento.
De acordo com o presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia, Antonio Frasson, o acesso das mulheres com alterações clínicas ou radiológicas precisa ser facilitado no Brasil, já que muitas vezes, entre o início dos sintomas e/ou percepção da alteração no exame, elas levam de 6 a 12 meses para procurar o especialista por falta de disponibilidade, sobretudo no serviço público.

A cada ano surgem 60 mil novos casos de câncer de mama, e toda mulher tem 14% de risco de desenvolver a doença. Este é o tipo de câncer que mais acomete as mulheres.
A doença se caracteriza pela proliferação anormal, de forma rápida e desordenada, das células do tecido mamário. Desenvolve-se em decorrência de alterações genéticas, mas nem todos os tumores de mama aparecem em função da hereditariedade. Um tumor pode ser benigno (não perigoso para a saúde) e não é considerado cancerígeno, pois não se espalha por outras partes do corpo. Já os tumores malignos (considerados cancerosos), se não tiverem suas células controladas, podem crescer e invadir tecidos e órgãos vizinhos, podendo se espalhar por outras partes do corpo.
Fala-se muito em prevenção, mas prevenção é quando se sabe a causa do problema. “No caso do câncer de mama ainda não foi descoberta a causa, por isso o correto é falar sobre o diagnóstico precoce. Todo sucesso do tratamento da doença baseia-se, principalmente, no diagnóstico precoce. Quanto mais cedo se descobrir o câncer de mama, menos agressivo o tratamento e maior a chance de ter um melhor resultado”, explica o médico mastologista Walter Jorge Sobrinho.
Fatores de risco
Segundo a Sociedade Brasileira de Mastologia, são considerados fatores de risco para o câncer de mama, tanto para homens quanto para mulheres, o histórico familiar, a obesidade, o sedentarismo e os antecedentes de patologias mamárias. Estima-se que por meio da alimentação, nutrição e atividade física é possível reduzir em até 28% o risco de a mulher desenvolver câncer de mama.
Não existe um consenso entre a Sociedade Brasileira de Mastologia e os sistemas de saúde de cada país sobre a partir de que idade a mulher deve fazer a sua primeira mamografia. “Em função de nossa vivência, do número de casos que atendemos e da idade em que temos visto a doença aparecer, indicamos a realização da mamografia a partir dos 35 anos”, salienta Walter Jorge Sobrinho, médico especialista que atua há 25 anos nesta área.
Diagnóstico precoce
O médico salienta que o autoexame da mama pela mulher é importante, porém somente este exame não basta. “A paciente tem que fazer a sua parte examinando a mama, mas não pode deixar de procurar um médico uma vez por ano, que fará um exame clínico e solicitará os exames de imagem (mamografia, ultrassom e ressonância) quando for necessário”, salienta.
Reposição hormonal
Muitas mulheres fazem reposição hormonal durante a menopausa. Walter Jorge explica que a reposição é uma indicação para a qualidade de vida da mulher, o que é muito importante. Porém, a reposição hormonal deve ser avaliada pelo médico sobre os riscos e os benefícios. O especialista explica que “é importante salientar que as mulheres que usam o estrogênio e a progesterona, através da reposição hormonal, a cada quatro anos de uso têm aumento de 1% de risco de ter câncer de mama. Quanto à tibolona (hormônio sintético) e o estrogênio puro não existe nenhum indicativo que aumenta o risco da doença”.
Tratamento
O especialista explica que o tratamento do câncer de mama envolve avaliação se o paciente vai passar por cirurgia e também se vai precisar de um tratamento complementar de quimioterapia, radioterapia, hormonioterapia. “Cada caso é único. A paciente pode precisar de apenas um desses procedimentos ou de todos. Tem um exame, o imuno-histoquímico, que é feito no tumor para identificar o tipo de câncer específico”, salienta Walter Jorge Sobrinho.
“Mais acesso para celebrar a vida”
O cenário do câncer de mama no Brasil é desanimador. E neste Outubro Rosa, a Sociedade Brasileira de Mastologia volta a alertar sobre o principal gargalo que ocorre no país, que é a dificuldade de acesso das mulheres para conseguir atendimento desde o rastreamento para o diagnóstico precoce até o tratamento. A campanha +Acesso para Celebrar a Vida chama a atenção para esse problema. O conceito da campanha é mostrar a VIDA, ou seja, se as mulheres tiverem mais acesso ao diagnóstico e tratamento, poderão continuar a curtir as situações cotidianas da vida com alegria.
O primeiro obstáculo é a falta de informação sobre onde podem agendar consulta com o mastologista, assim como a realização de mamografia, biópsia e cirurgia, já que os sistemas de regulação dos estados são complexos e obrigam as mulheres a ficarem aguardando em casa por um telefonema.
Como o câncer tem pressa e muitas mulheres demoram meses para chegar ao tratamento, o que se vê nos hospitais são pacientes diagnosticadas com tumores avançados – pelo menos de 60% dos casos, o que não colabora com a redução da mortalidade. Quem pode, começa a pedir doações com familiares e amigos e inicia o tratamento na rede particular, mas as que não conseguem precisam aguardar o agendamento.
De acordo com o presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia, Antonio Frasson, o acesso das mulheres com alterações clínicas ou radiológicas precisa ser facilitado no Brasil, já que muitas vezes, entre o início dos sintomas e/ou percepção da alteração no exame, elas levam de 6 a 12 meses para procurar o especialista por falta de disponibilidade, sobretudo no serviço público. “Este quadro drástico e lamentável precisa ser modificado com urgência. Os cerca de dois mil mastologistas distribuídos por todo o Brasil estão mobilizados nesta causa, que é um problema de todos”, afirma ele.
Além da realização de consultas e exames periódicos, a SBM reforça a necessidade da busca por hábitos saudáveis de vida, com prática regular de exercícios, dietas pobres em gordura, combate a obesidade e aumento da cintura abdominal, sabidamente relacionadas com o aumento do risco de desenvolver câncer de mama, sobretudo nas mulheres após a menopausa, como demonstram diversos estudos realizados.
Fontes:
Sociedade Brasileira de Mastologia
INCA- Instituto Nacional do Câncer
http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/tiposdecancer/site/home/mama/cancer_mama++


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