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Desmitificando o medo da anestesia

23 de outubro de 2018 por Claudia Costa Deixe um comentário

Por Claudia Costa

A palavra anestesia significa perda total ou parcial da sensibilidade, principalmente a dolorosa. Ela tem origem no grego antigo αν-, an-, “ausência”; αἲσθησις, aisthēsis, “sensação”

Foto: Pixabay

Não é possível falar das grandes invenções de medicina sem um capítulo especial dedicado àquele que descobriu como era possível fazer uma cirurgia com anestesia geral. Isso aconteceu em 1846, na cidade de Boston, no Estado de Massachusetts, nos Estados Unidos, quando o dentista americano Thomas Green Morton, pela primeira vez, usou o éter para realizar uma cirurgia. Existe também o registro de que o primeiro médico a usar éter etílico como um anestésico foi o Dr. Crawford Long, que o administrou em 30 de março de 1842, durante um procedimento cirúrgico para remover um tumor de um paciente.

Essa grande invenção da medicina beneficiou não só os pacientes, como também tornou mais fácil o trabalho dos médicos que não tinham mais que lidar com pacientes se contorcendo de dor durante os procedimentos cirúrgicos.

Desde a sua descoberta até os dias de hoje houve muita evolução na anestesia. Porém, durante muito tempo os pacientes não tinham contato com o médico-anestesista. Todos sabiam que existia esse profissional durante uma cirurgia, mas ele era um “médico fantasma”, pois sua figura não era pública. Essa falta de contato com o anestesista também contribuiu muito para o medo que as pessoas tinham da anestesia. Felizmente isso mudou no Brasil em 2006, após decisão do Conselho Federal de Medicina (Resolução 1.802/2006) que definiu que o paciente, ao ser encaminhado para um procedimento cirúrgico com anestesia, deve passar por uma avaliação pré-anestésica. Nessa consulta, o médico-anestesista avalia as condições clínicas do paciente, esclarece dúvidas, se for o caso pode até recomendar preparos especiais, além de planejar a técnica mais adequada e segura, visando reduzir o risco de complicações no procedimento cirúrgico.

É folclore que uma pessoa anestesiada revele “segredos” que não faria se estivesse consciente. Isso não acontece de fato. “Essa consulta é importante, temos mais tempo para conhecer o paciente, fazer a avaliação clínica dele e até solicitar algum exame caso consideremos necessário, visando aumentar a segurança do paciente. Também contribui para que o paciente tire suas dúvidas e se sinta mais seguro em relação à anestesia”, explica Oziel Torresin de Oliveira, médico-anestesista há 36 anos. O especialista salienta que o paciente precisa informar nesta consulta quais medicamentos faz uso, se fuma, se tem alergia a medicamentos e alimentos, e inclusive se é dependente químico. “Estas informações são sigilosas, mas fundamentais para que possamos garantir a segurança do paciente durante o procedimento”, diz.

Equipamentos de monitoramento

Em pacientes saudáveis ou sem doenças graves, as chances de ocorrer um evento grave durante uma cirurgia devido à anestesia é muito pequena. Muito do medo que as pessoas ainda possuem em relação à anestesia geral é em função de casos antigos em que o paciente foi fazer uma cirurgia e sofreu uma parada cardíaca ou sofreu um choque anafilático.

A pessoa não precisa ter medo da anestesia. É um procedimento muito seguro e houve uma grande evolução dos medicamentos usados e dos equipamentos de monitoramento.”, salienta o médico-anestesista Oziel Torresin

Durante a cirurgia, é o anestesista que tem a missão de monitorar as funções vitais do paciente, como pressão arterial, pulso, ritmo cardíaco, respiração e temperatura corporal. “Cuidamos do paciente durante toda a cirurgia e mesmo depois do procedimento terminar, e só o liberamos do centro cirúrgico após ele estar totalmente consciente. Na sala de recuperação o paciente permanece em média uma hora quando é uma cirurgia mais simples e duas horas em média quando é uma cirurgia mais complexa, como uma gastroplastia”, explica Oziel Torresin, enfatizando que a pessoa não precisa ter medo da anestesia. “É um procedimento muito seguro e houve uma grande evolução dos medicamentos usados e dos equipamentos de monitoramento.”

A anestesia diminui as funções do organismo, mas os medicamentos usados e os modernos equipamentos auxiliam o trabalho do médico-anestesista, que consegue monitorar qualquer alteração no paciente. Dentre os equipamentos estão o eletrocardioscópio, o oxímetro de pulso, o capnógrafo, o teletermômetro e o monitor do nível de consciência (BIS).

Medo de complicações

Em uma pesquisa com 460 pessoas que se submeteram a uma cirurgia, 85% declararam, um dia após a operação, que estavam com medo da anestesia geral, de acordo com um estudo publicado na revista internacional Journal of Advanced Nursing. Mais especificamente, 70% dos pacientes responderam que estavam extremamente angustiados e apenas 15% que não estavam preocupados.

A principal preocupação é o medo da morte devido à anestesia; em seguida, o de não acordar depois. A angústia de acordar no meio da intervenção, assim como a ansiedade em ter que esperar antes de ir para a sala de cirurgia, também foram mencionadas. “O nosso estudo salienta a importância da necessidade em fornecer aos pacientes informações esclarecedoras sobre a anestesia, na véspera da intervenção cirúrgica”, avaliou o Dr. Mark Mitchell, da Universidade britânica Salford em entrevista publicada no jornal francês Le Figaro.

Por que fazer jejum antes

Em uma situação normal, o nosso corpo tem mecanismos que permitem prevenir a regurgitação do conteúdo gástrico. Quando ficamos inconscientes, esses mecanismos não funcionam e há o risco de que esse conteúdo seja aspirado para os pulmões. Assim, é mais seguro ter o estômago vazio quando é efetuada uma anestesia geral. Numa situação de emergência, como pode ter comido recentemente, o anestesista tem de ter precauções especiais para reduzir o risco de aspiração pulmonar.

Os tipos de anestesia

Qualquer tipo de droga pode gerar reações adversas quando entra no organismo. Por isto, é essencial uma avaliação do médico antes de ela ser adotada. Porém, quando é administrada de forma correta e por profissional habilitado e na dosagem exata, tanto a anestesia quanto a analgesia apresentam riscos quase nulos à saúde. Na analgesia, as drogas usadas têm o objetivo apenas de aliviar ou minimizar a dor, provocando a ausência ou o amortecimento da dor sem perda de consciência. Já na anestesia são usadas drogas anestésicas no paciente para que o cérebro dele não reaja à dor durante um procedimento cirúrgico. Dependendo do tipo, o paciente pode ou não ficar consciente.

  • Anestesia local: uma área específica do corpo é anestesiada.
  • Anestesia regional: pela administração de anestésicos em um grupo de nervos, uma área maior do corpo é anestesiada. As mais utilizadas são a anestesia subaracnoídea (raquidiana ou espinhal), a anestesia peridural (epidural) e o bloqueios de plexos nervosos ou de nervos específicos (braquial, femoral, ciático, etc.).
  • Anestesia geral: compreende a inconsciência e a perda da sensibilidade.

 

Agradecimento:

  • Revisão – Jackson Liasch (fone (43) 99944-4848 – e-mail: jackson.liasch@gmail.com

Fontes:

  • Saúde 247- artigos

https://www.brasil247.com/pt/saude247/saude247/230697/Anestesia-geral–O-medo-de-n%C3%A3o-acordar-persiste.htm

  • Info-escola

https://www.infoescola.com/medicina/historia-da-anestesia/

  • Jornal Brasileiro de Medicina de Patologia e Medicina Laboratorial

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1676-24442009000400001

 

Arquivado em: Saúde

Sobre Claudia Costa

Claudia Costa foi editora Folha de Londrina, suplemento da Folha da Sexta, durante 13 anos, e há mais de 17 anos está atuando em comunicação corporativa e marketing. Trabalhou nas empresas Unimed Londrina, Sociedade Rural do Paraná e Unopar. Atua na assessoria de imprensa e comunicação para AREL, SINDICREDPR e diversos profissionais liberais, principalmente, na área da saúde e diversas áreas de prestação de serviço.

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