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A simplicidade da vida

8 de dezembro de 2022 por Elisiê Peixoto 11 Comentários

Uma atitude tão gentil, vinda de alguém tão pobre, sem recursos, porém mostrando delicadeza e respeito…Foto Pixabay

Por Elisiê Peixoto

 

Quando era estudante de jornalismo, fui a uma comunidade muito simples fazer uma reportagem. Lembro-me que foi uma grande dificuldade encontrar a casa do entrevistado porque era um lugar de difícil acesso e eu nunca havia ido para aquela região. Na realidade, eu sequer sabia que existia aquela região. Enfim, quando cheguei, deparei-me com uma situação, até então, muito distante da minha, uma jovem imatura, com 18 anos, com tudo à mão, sem nunca ter passado qualquer necessidade. Era uma casa muito simples, sem piso, sem laje, com tecidos separando os três cômodos. Sentei-me num banquinho para conversar com o dono da casa que me pediu desculpas pela simplicidade do lugar. Ofereceu-me um copo d’água, que aceitei por cortesia, sabendo que talvez fosse apenas aquilo que poderia me dar. A esposa foi buscar e me trouxe água fresca numa caneca de alumínio brilhante, limpíssima, apoiada num pratinho de louça, com uma florzinha rosa pintada.

Quem sabe, um dia, poderei ter uma casinha na praia para envelhecer dormindo ao som das ondas que se chocam nas pedras e acordando com o som das gaivotas.

Nunca mais me esqueci daquele gesto. Uma atitude tão gentil, vinda de alguém tão pobre, sem recursos, porém mostrando delicadeza e respeito. Até hoje, quando vejo uma caneca de alumínio, lembro-me imediatamente daquele dia. Pode parecer uma bobagem, mas creio que são pequenos gestos, que passam tão despercebidos, que ficam guardados no coração. Naquele dia fui para a minha casa e dei valor a tudo o que eu tinha, à louça lavada, à comida na mesa, a tudo que me era proporcionado sem eu precisar fazer qualquer esforço. Ao relatar para a minha mãe o acontecido, ela me disse: “Minha filha, aquela mulher nunca estudou, mas tem aquilo que muitos estudiosos e doutores não têm: educação. Uma das maiores qualidades do ser humano e a arma mais poderosa do mundo”.

A gente vai passando pela vida e entendendo a relação que existe entre educação, simplicidade e humildade. Cada palavra tem o seu significado e são bem diferentes. Mas se encaixam perfeitamente quando sabiamente usadas. Aquela mulher que me serviu água numa caneca de alumínio uniu, em sua simplicidade, a humildade de uma casa com chão batido, a educação no gesto, a singeleza de um pires e a educação recebida na roça, sem qualquer estudo, na labuta de sol a sol. Lembro-me de ficar mais de uma hora conversando com aquele casal afável, receptivo. Não sei se a vida tornou-se menos difícil para eles, faço votos que sim. Sinto que a cada ano a vida parece que vai se tornando mais complicada, ou talvez por envelhecer – e isso é para todo o mundo, porque ninguém escapa. Vou ficando mais chata e mais seletiva. Pessoas arrogantes, inflexíveis, não povoam mais os meus pensamentos e certamente não estão presentes na minha vida. A falta de humildade, generosidade, simplicidade e educação tem sido uma constante, desde o atendente da padaria ao diretor de uma empresa. As pessoas não têm paciência com mais nada. Vamos ficando com medo de pedir, falar, solicitar. A gente vai se isolando de gente. É muito estranho isso.

A principal experiência adquirida com os anos é saber que precisamos de pouco para viver e que a felicidade não está numa casa grande e requintada que tenha como testemunhas as paredes de uma solidão a dois. Aquele casal pobre que relatei me fez rir contando as travessuras dos filhos e de como foi duro conquistar aqueles três cômodos, que tinham vasinhos de flores e um pequeno quintal com galinhas. Quando somos jovens, não nos contentamos com nada, sempre queremos mais: outro par de tênis, outra roupa, outro celular. Mas a vida é tão pouco e, se tivermos o que verdadeiramente nos interessa, temos tudo. Minha paciência foi embora para conversas de grifes, viagens sofisticadas, jantares requintados. Meu maior prazer é a minha casa onde moro há 20 anos, meu quarto, minhas coisas, minha família. Dinheiro é bom quando bem usado e dividido, compartilhado, aproveitado, ao lado de gente como a gente. E tudo o que quero para o meu mundo está em volta. Meus quadros, minhas flores, meus souvenirs, meus livros, meus amigos, meus filhos.

A principal experiência adquirida com os anos é saber que precisamos de pouco para viver… Foto Pixabay

Caminhando, dia desses vi uma frase pichada num muro: “As melhores coisas da vida não são coisas”. Eu sorri, porque a simplicidade daquelas palavras reflete a essência da vida. No dia a dia, vejo a insatisfação das pessoas com tudo, passam pela vida correndo atrás do vento, envelhecem frustradas, sem alegrias, mal-humoradas, inquietas e questionadoras. A gente deve ser feliz com o que nos cerca e com o que temos. Se conquistarmos mais, ótimo. Senão, vamos tirar proveito daquilo que nos foi permitido ter. Sinto-me privilegiada em ter o que tenho, não preciso de mais. Quem sabe, um dia, poderei ter uma casinha na praia para envelhecer dormindo ao som das ondas que se chocam nas pedras e acordando com o som das gaivotas. Mas se não for possível, continuarei feliz, fazendo da frase de Cora Coralina um lema para o resto da minha vida: “Fechei os olhos e pedi um favor ao vento. Daqui para frente levo apenas o que couber no bolso e no coração”.

Arquivado em: Cá pra nós Marcados com as tags: #alegria, #capranos, #simplicidade

Sobre Elisiê Peixoto

Elisiê Peixoto foi colunista da Folha de Londrina durante 18 anos, lançou cerca de 30 livros. Atuou num programa semanal da extinta TV Mix, escreveu para diversas revistas, trabalha como jornalista e escritora na Editora Mondo. Como colaboradora da Ong Nós do Poder Rosa escreveu cinco livros em prol das causas da mulher. Atua junto ao departamento de marketing do Roberta Peixoto Academy.

Reader Interactions

Comentários

  1. carmen kley diz

    30 de junho de 2017 em 13:40

    Comovente!
    Fiquei emocionada

    Bjs e nunca pare de escrever!

    Responder
  2. Wagner Donadio diz

    30 de junho de 2017 em 13:41

    Lindo seu texto… Sempre mostra um caminho…

    Responder
  3. Lucita diz

    30 de junho de 2017 em 15:39

    Lindo amiga . A maior riqueza da vida , é exatamente isso , valorizar o “ser ” , sermos humildes , educados , respeitar nosso próximo e a nós mesmos . Ter disponibilidade de amar . Deus é amor . Sermos agradecidos pelas bênçãos e pelos livramentos a cda dia . Estar com Deus acima de tudo , buscando sabedoria para administrar nossos pensamentos e nossas atitudes perante a vida . Ter paciência qdo necessário , continuando de mãos dadas sempre com o Ele . A simplicidade esta nos nossos corações , e é um tesouro . Que o Senhor nos dê a graça de podermos enxergar as Suas maravilhas , na singeleza da natureza , no canto dos pássaros e no sorriso das pessoas . Que possamos a cda dia , ter a esperança , que dias melhores virão em Cristo Jesus . Que possamos acrescentar coisas boas , compartilhar amor . Ameiiiii amiga , minha irmã do coração . Amo vc .

    Responder
  4. Grace Arrabal diz

    30 de junho de 2017 em 18:19

    Isso é ser e não ter!!!Essa senhora deu o melhor de si;na simplicidade mostramos realmente o que somos;nossos valores,nosso coração! !!

    Responder
    • Elisiê Peixoto diz

      30 de junho de 2017 em 18:35

      verdade amiga….por isso nunca mais me esqueci…bjs

      Responder
  5. Roberta Peixoto diz

    1 de julho de 2017 em 16:25

    Nossa mãe estou emocionada! Sinto e penso da mesma forma que você! Essa crônica nos faz refletir de como a beleza está na simplicidade e tb de como Deus foi…é e continuará sendo bom pra nós! Amo vc!!! 😍❤

    Responder
  6. Marisa Goettel diz

    3 de julho de 2017 em 15:14

    Prá variar, suas palavras me fizeram ter a sensação de até sentir o cheiro da casa. ..
    Lindo
    Emocionei

    Responder
    • Elisiê Peixoto diz

      3 de julho de 2017 em 15:22

      obrigada querida Marisa, sempre me prestigiando. Beijaoo

      Responder
  7. Rose Ramon Torres diz

    4 de julho de 2017 em 17:52

    Lindo texto. Linda história
    Bjssss

    Responder
  8. Fernando diz

    20 de agosto de 2017 em 19:54

    Parabéns pelo texto, como sempre, real, simples e bonito.

    Responder
  9. João Batista diz

    8 de dezembro de 2022 em 18:08

    Uma história que nos emociona. A bondade, a educação, a simplicidade e o respeito à tudo e a todos nos leva ao nosso bem viver. Cá entre nós, você é maravilhosa Elisiê. Muito obrigado por ter sua amizade.

    Responder

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