Os retratos humanos sempre foram destaque na arte, seja na pintura, escultura ou na fotografia. A exposição destaca três retratos da colecionadora

Até o dia 15 de dezembro, de quarta à domingo, das 14h às 18h, a Casa-Museu Ema Klabin promove a exposição “Retratos de Ema Klabin”, com curadoria do arquiteto Paulo Costa. Na exposição, o público poderá conferir em destaque, na entrada do espaço cultural, obras que retratam a mecenas e colecionadora que deixou como legado o Museu que leva seu nome e é um dos grandes pontos turísticos de São Paulo.
Ao longo de sua vida, Ema Klabin (1907 – 1994) encomendou
De acordo com o curador Paulo Costa , os três retratos de Ema Klabin foram produzidos em um período marcado por importantes mudanças em sua vida pessoal e transformações no cenário econômico e cultural de São Paulo, que despertava para um momento de progresso e estabilidade propiciado pelo final da Segunda Guerra Mundial.
“ Após a morte de seu pai Hessel, em 1946, Ema Klabin deixou de ser a irmã do meio que cuidava do pai e, aos quarenta anos de idade, transformou-se em uma mulher independente, de personalidade e atitude. É justamente nesse momento que Ema começa a formular uma nova persona pública para si, que manteria até o final da vida: a empresária e mecenas, colecionadora e viajante incansável, de espírito livre e altivo ”, explica Paulo Costa.
Em comum nos retratos de Ema Klabin , Paulo Costa aponta a forma despojada em que a colecionadora se apresenta, com roupas e penteado simples e sem qualquer joia ou adereço, trazendo a atenção para sua expressão facial e seu olhar, pensativo e distante.
O curador ainda salienta que outro denominador entre os artistas e a colecionadora– que possivelmente foi determinante na sua escolha – é o fato de todos fazerem parte dos movimentos migratórios que marcaram o início do século XX. Ema era filha de imigrantes lituanos (educada na Suíça e Alemanha), Kaufmann um judeu alemão, expulso pelo nazismo, que se estabeleceu nos Estados Unidos. Tanto Warchavchick quanto Bella eram naturais de Odessa (Ucrânia), ela chegou ao Brasil ainda criança e estudou com mestres do nosso modernismo, e ele formado em Arquitetura em Roma.
O período de realização dos retratos também é significativo pelo esforço conjunto empreendido por paulistanos de famílias tradicionais e imigrantes para a criação de instituições culturais que moldariam a identidade cultural de São Paulo. Entre eles: a criação do MASP (1947), do MAM (1948), a realização da 1ª Bienal (1951), culminando com as grandes exposições do IV Centenário da cidade (1954), que inaugurou o Parque do Ibirapuera.

Serviço:
Exposição Retratos de Ema Klabin – Curadoria: Paulo de Freitas Costa
Data: Até 15 de dezembro
Visitas livres : De 4ª a domingo, das 14h às 18h, não é necessário inscrição
Entrada : Sábados, domingos e feriados: entrada franca. De 4ª a 6ª : R$10 – Sem agendamento
Local : Fundação Ema Klabin
Endereço: Rua Portugal, 43, Jardim Europa – São Paulo. Tel: 11 3897-3232
Obras Apresentadas:
- Arthur Kaufmann (Mülheim, Alemanha, 1888 – Nova Friburgo, RJ, 1971). Retrato de Ema Klabin, 1949. Óleo sobre tela, 100 x 73 cm.
- Bella Karawaewa Prado (Odessa, Ucrânia, 1925). Ema Gordon Klabin, 1954. Gesso, 41 x 23,5 x 26 cm
- Gregori Warchavchik (Odessa, Ucrânia, 1896 – São Paulo, SP, 1972). Séries fotográficas de Ema Klabin (série I – anos 1940, série II – 1951).
Sobre Ema Klabin – Uma mulher à frente de seu tempo:
Ema Klabin (1907 – 1994) foi educada na Europa, visitando frequentemente o Brasil. Sob tutela de professores particulares, tornou-se admiradora de artes plásticas, ópera e música. Demonstrou desde cedo apreço pelo colecionismo.
Em 1946, Hessel Klabin faleceu, legando às filhas Ema e Eva Klabin todos os seus bens e nomeando Ema como sua sucessora no conselho da empresa. Sem planos de constituir uma família, Ema passou a se dedicar à atividade empresarial e às atividades filantrópicas e culturais de São Paulo. Dedicou-se também a ampliar sua coleção de arte, principalmente com aquisições feitas em suas frequentes viagens.
Em 1948, Ema encomendou estudos arquitetônicos para a construção de uma nova residência no terreno que herdara do pai no Jardim Europa, onde hoje funciona a Casa-Museu Ema Klabin.
Ema teve uma ativa participação na vida cultural da cidade. Foi membro dos conselhos da Fundação Bienal de São Paulo, do MASP, do Museu de Arte Moderna de São Paulo. Colaborou na criação do Museu Lasar Segall e da Fundação Magda Tagliaferro, foi sócia da Sociedade Cultura Artística e da Orquestra Filarmônica de São Paulo, entre outros. Sua casa converteu-se em um ativo ponto de encontro de importantes personalidades do mundo da política, dos negócios e das artes. E depois de sua morte, em uma Casa-Museu aberta para visitação.


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