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O Projeto Estação Samba encerra temporada com homenagem a Zeca Pagodinho

30 de outubro de 2019 por Claudia Costa Deixe um comentário

 

O show terá a participação de Rakelly Calliari, Rafael Fuca, Wilsinho Saraiva , André Gião , Gigo Blues , Mi Dupand, André Vercelino, Betinho e Rafão .

O projeto Estação Samba encerra em Londrina sua temporada 2019 neste domingo, 03/10, com o tributo “Contagiante do Jeito Zeca Pagodinho”, às 20h30min no palco do bar Valentino. A temporada foi dedicada aos atributos culturais e comportamentais considerados exemplares na cultura do samba.

A pesquisadora Juliana Barbosa é a produtora e apresentadora do Projeto Estação Samba

“Sambista Perfeito”, composição de Nei Lopes e Arlindo Cruz serviu de inspiração aos três espetáculos do ano: “Elegante do Jeito Paulinho”, em maio, “Cativante do Jeito Martinho”, em agosto, e agora “Contagiante do Jeito Zeca Pagodinho”. “Ser contagiante significa a pessoa ser querida em todo lugar; ser alguém que transmite alegria e que aglutina o samba e a festa em torno de si. Esse é Zeca Pagodinho”, define a pesquisadora Juliana Barbosa, produtora e apresentadora do espetáculo.

 

Simplesmente Zeca Pagodinho

Foto: site oficial

Zeca Pagodinho fez 60 anos esse ano. Quando despontava, teve a carreira musical catapultada com uma força de Beth Carvalho. No início dos anos 80, Beth o viu pela primeira vez, garoto magrinho, chegando no Cacique de Ramos com um cavaco dentro de uma sacola de supermercado. Ao ouvi-lo naquele dia cantar “Camarão de dorme a onda leva”, ela foi conquistada. A madrinha gravou a música no CD que lançou em seguida, com a participação dele. Foi sucesso absoluto.

 

O batismo de Jessé Gomes da Silva Filho como Zeca Pagodinho veio igualmente no início dos anos 80. Ele era percebido como bom versador e fazia suas primeiras composições, o que pedia um nome artístico. O jovem Jessé e os amigos faziam parte do bloco carnavalesco Bohêmios de Irajá, na Ala do Pagodinho. Um dia, ao descer do ônibus alguém o chamou assim: “- Fala, Pagodinho!” e um amigo logo emendou: “- Olha o nome artístico aí. Vai ser Zeca Pagodinho!” Estava batizado.

 

O primeiro disco solo chegou em 1986, com o nome “Zeca Pagodinho” e com sucessos como “Coração em Desalinho”, “Judia de Mim” e “Brincadeira tem Hora”. Mais de um milhão de cópias foram vendidas. Seguiram-se muitos outros álbuns nos anos seguintes. No final dos anos 90, era indiscutível Zeca ser um dos grandes nomes do samba e da música brasileira, aclamado pela crítica e pelo gosto popular.

 

De lá até aqui, Zeca gravou 30 álbuns, o que significa que para cada dois anos de sua vida um álbum foi gravado. Em 2016, depois de cantar junto com Maria Bethânia no “Quintal do Pagodinho”, uma constante reunião de sambistas promovida por ele no sítio em Xerém, foi convidado pela cantora para um projeto juntos. Em 2018 nasceu “De Santo Amaro a Xerém”, onde dividiram o palco em um espetáculo que lotou salas em Recife, Salvador, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, São Paulo e Brasília. Esse ano, acaba de sair do forno, em setembro, o álbum “Mais feliz”, com 14 faixas, contendo parceria com Moacyr Luz, interpretação de “O sol nascerá”, de Cartola e Elton Medeiros, e gravação de composições de Monarco e Nelson Rufino, entre outras preciosidades.

 

Tamanha admiração popular alcançada, tanta fama, nem sempre foi fácil de lidar para Zeca, um garoto que gostava mesmo era do ambiente das rodas de samba. Juliana Barbosa conta que por ter começado e gostado de cantar sem projeção midiática, no início do sucesso Zeca não conseguia lidar bem com suas implicações. Teve dificuldade de se adaptar à vida de entrevistas, às vezes faltava em algumas e não queria fazer shows para multidões.

 

Juliana relata que num momento dessa fase, Bira, líder do Fundo de Quintal, conversou seriamente com ele, dizendo mais ou menos o seguinte: “- Olha, quando você deixa de ir a um programa, uma entrevista, nessa altura do campeonato, não está respondendo só por você. Você é o samba. Se você falta é o samba que não comparece. Você é referência da nossa cultura.” Zeca diz que essa fala de Bira despertou nele a consciência que passou a ter. “Por essa carga de verdade o Zeca é tão contagiante”, afirma a pesquisadora.

 

Encerrar a temporada de 2019 com homenagem a Zeca Pagodinho significa, para Juliana Barbosa, mostrar uma história que responde pela legitimidade do samba. O espetáculo “Contagiante do Jeito Zeca Pagodinho” vai mostrar sucessos do cantor de diferentes períodos, com um repertório de 13 sambas, que serão interpretados pelo cantor londrinense Leandro Rubi. Entremeadas aos sambas, estarão curiosidades e histórias sobre a vida e as composições de Zeca.

 

Ao pensar no espetáculo, a produtora e pesquisadora achou que tinha que estar nele Rakelly Calliari: “Me veio muito forte a Rakelly para fazer a direção musical. Ainda não tínhamos tido uma mulher nessa tarefa e o envolvimento dela é muito grande. É cantora, compositora, instrumentista e tem vivência de samba”. No momento em que Rakelly aceitou a direção musical, já sugeriu como intérprete Leandro Rubi, que tem familiaridade com o repertório de Zeca e com as rodas de samba.

 

“Com Zeca, encerramos a temporada em clima de festa”, diz Juliana. “Vai ser um espetáculo bem para cima, com músicos bambas no palco, combinando muito profissionalismo com informalidade. Vamos estar nos divertindo, para que o público se divirta também. Do jeito Zeca Pagodinho”, arremata.

Ficha Técnica:

Produção, e apresentação: Juliana Barbosa

Intérprete: Leandro Rubi

Direção Musical: Rakelly Calliari

Músicos:

Coro: Rakelly Calliari e Rafael Fuca.

Instrumentos: Rafael Fuca no violão sete cordas; Wilsinho Saraiva no cavaco, André Gião no contrabaixo, Gigo Blues na gaita, com Mi Dupand, André Vercelino, Betinho e Rafão na percussão.

 

Serviço:

Mesas com quatro lugares custam R$ 180,00. Ingressos individuais custam R$ 30,00. Eles podem ser adquiridos pelo telefone (43) 9 9821-2757, com Fatinha, e também pela internet na plataforma sympla, no link bit.ly/estacaozeca.

Arquivado em: Vale a pena

Sobre Claudia Costa

Claudia Costa foi editora Folha de Londrina, suplemento da Folha da Sexta, durante 13 anos, e há mais de 17 anos está atuando em comunicação corporativa e marketing. Trabalhou nas empresas Unimed Londrina, Sociedade Rural do Paraná e Unopar. Atua na assessoria de imprensa e comunicação para AREL, SINDICREDPR e diversos profissionais liberais, principalmente, na área da saúde e diversas áreas de prestação de serviço.

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