Com direção de Luciana Canton, o espetáculo é um autorrelato dançante que celebra mais de quarenta anos de carreira

Aos 66 anos, Wilson Aguiar passeia pelo teatro, dança e relato autobiográfico ao estrear o solo Concerto para um Corpo Traquejado, com direção de Luciana Canton. O espetáculo tem sua temporada de estreia de 7 de março a 5 de abril no Atelier Cênico, com sessões aos sábados, às 20h, e aos domingos, às 19h.
Como é contar e dançar a própria história? O bailarino e coreógrafo Wilson Aguiar se debruça sobre sua vocação nesse autorrelato que vai da infância à profissionalização, revisitando seus anos de formação na dança. O espetáculo propõe um percurso através do corpo, do tempo e da memória, entrelaçando experiências pessoais e dimensões coletivas: um corpo que sai de um bairro da periferia de São Paulo para estrear no palco do Teatro Municipal.
Em cena, o artista se apresenta como território de experiência. Seu corpo deixa de ser apenas suporte da ação para se afirmar como um arquivo em movimento, atravessado por encontros, tentativas e descobertas que marcaram sua trajetória na cena brasileira. Ao revisitar episódios de sua vida artística, o artista não busca explicar o passado, mas ativá-lo corporalmente no presente. É nesse processo que o espetáculo se estrutura como um concerto: uma experiência sensorial em que o movimento dialoga com a palavra e a presença física se afirma como força dramatúrgica.
A encenação se organiza a partir de um campo de escuta e precisão, no qual a direção de Luciana Canton atua como dispositivo de ativação sensível e de organização dos ritmos, articulando dureza e lirismo, densidade e humor. A iluminação de Marisa Bentivegna delimita o espaço e a atmosfera das cenas por zonas de incidência, transformando cada área iluminada em um território de memória. O figurino de Fábio Namatame acompanha essa operação ao tratar o corpo como superfície atravessada pelo tempo, pelo uso e pelo desgaste, recusando identidades fixas e permitindo que a experiência inscrita no corpo se revele em cena.
Mais do que narrar uma trajetória artística, Concerto para um Corpo Traquejado propõe uma reflexão sensível sobre o ato de permanecer dançando e de se reinventar em cena. Ao longo da apresentação, constrói-se uma experiência a ser atravessada, que revisita o passado não para fixá-lo, mas para reacendê-lo no presente. Um concerto em que cada gesto carrega camadas de tempo e cada presença se torna convite a olhar o corpo — qualquer corpo — como território de linguagem, pensamento e resistência. Nesse encontro, o espectador é convocado a reconhecer, no corpo do outro, algo de sua própria experiência de tempo, falha, persistência e transformação. O corpo não representa: ele permanece — e é nesse permanecer que o espetáculo afirma sua força poética e política.
Ficha Técnica
Criação e interpretação: Wilson Aguiar
Direção artística e produção: Luciana Canton
Iluminação: Marisa Bentivegna
Figurino: Fábio Namatame
Preparação corporal: Magali Soares
Operação de Luz: Rodrigo Damas
Operação de som: Márcio Carneiro
Fotografia: Arô Ribeiro
Assessoria de Imprensa: Pombo Correio
Esse projeto foi contemplado pelo Edital Fomento CultSP PROAC Nº 20/2024- Projetos Culturais para Pessoas 60+ na Indústria Criativa da Secretaria da Cultura, Economia e Indústrias Criativas do Governo do Estado de São Paulo.
Sinopse
Concerto para um Corpo Traquejado é um solo de Wilson Aguiar que combina dança, teatro e autobiografia a partir de episódios marcantes de sua trajetória artística — da infância na periferia de São Paulo aos grandes palcos da cidade. Com direção de Luciana Canton, o espetáculo propõe um encontro íntimo com um corpo de 66 anos, atravessado por falha, persistência e transformação. Ao afirmar sua força poética e política, Concerto para um Corpo Traquejado convida o espectador a reconhecer, no corpo do outro, ecos de sua própria experiência de estar no mundo.
Serviço
Concerto para um Corpo Traquejado
Temporada: 7 de março a 5 de abril de 2026
Sábados, às 20h e domingos, às 19h
Atelier Cênico – Rua Fortunato 241, Vila Buarque, São Paulo
Ingressos: Grátis, retirados pelo link:
https://www.sympla.com.br/
Duração: 60 minutos
Classificação: 14 anos
Acessibilidade: espaço térreo acessível a pessoas com mobilidade reduzida e pessoas com deficiência visual.
WILSON AGUIAR — intérprete e criador
Bailarino e coreógrafo, Wilson Aguiar construiu uma trajetória de mais de 40 anos nas artes da cena. Integrou o elenco do Balé da Cidade de São Paulo na década de 1980. Recebeu o Prêmio APCA de melhor bailarino em 1986 e o Prêmio APCA de melhor coreógrafo em 1990, com Fractal. Ao longo de sua trajetória, trabalhou com nomes fundamentais da dança brasileira, como Klauss Vianna e Maria Esther Stockler, além de colaborações com José Possi Neto, Emilio de Biasi, José Celso Martinez Corrêa e diferentes núcleos do Nova Dança. Nos últimos anos dançou Devolve Duas Horas da Minha Vida, Oroboro e Dez Anos em Oito e Meio, de Alex Soares.
BIO LUCIANA CANTON — direção artística
Diretora, atriz e preparadora, Luciana Canton é graduada e mestre em Cinema e doutora em Pedagogia do Teatro pela Universidade de São Paulo. Seu primeiro longa-metragem como diretora, Intimidade Pública (2016), recebeu 11 prêmios internacionais
. Mais recentemente, assinou a preparação de elenco do longa Oeste Outra Vez. No teatro, dirigiu o espetáculo online Pagu: Onde Começa a Voz e as obras de dança-teatro Dueto e Machomachine.
Texto e foto: divulgação


Deixe um comentário