Calcula-se que o risco de aparecimento aos 75 anos seja o dobro do apresentado por mulheres com 50 anos, revela estudo feito pela Sociedade Brasileira de Mastologia.
Por Claudia Costa
Aa Sociedade Brasileira de Mastologia reforça sua mensagem à população para a importância do diagnóstico precoce, com a realização de exames preventivos e visitas regulares ao médico. Outubro Rosa é um que movimento chama a atenção para a necessidade de adoção de um estilo de vida que compreenda a prática de atividades físicas e alimentação saudável, minimizando riscos não só do câncer de mama, como de muitas outras doenças. Outra mensagem-chave da entidade é para, quando preciso, o tratamento seja iniciado logo após o diagnóstico, aumentando a sobrevida e chances de cura da paciente.
Câncer de mama em Idosas
Os médicos também alertam para a negligência no cuidado ao câncer de mama em idosas. Especialistas afirmam que elas não recebem a atenção necessária e traçam diretrizes para o combate do tumor que mais mata a população feminina mais velha

Há algumas décadas, os avanços obtidos pela ciência da longevidade permitem a extensão da vida por mais tempo e com qualidade. Hoje, a mulher brasileira vive, em média, 78 anos. Estima-se que aquelas que comemoram os 70 anos desfrutem de mais 15 anos de vida e que as com 80 anos tenham pela frente outros dez. É uma ótima notícia, mas ela também alerta médicos, pacientes e familiares para a necessidade de mudarem a forma de encarar a prevenção e o tratamento do câncer de mama entre essa população. Até hoje, prevalece entre muitos profissionais de saúde e também em boa parte da sociedade o entendimento de que quando a doença é diagnosticada ou tratada após os 65, 70 anos, o ideal é restringir as terapias a um espectro mais conservador sob os argumentos de que o organismo não suportaria intervenções mais agressivas ou o de que comorbidades comuns à idade apresentariam mais risco à saúde do que o tumor.
Trata-se, porém, de uma visão equivocada e que precisa ser superada. Por isso, discussões sobre o tema têm sido feitas em todo o mundo com o objetivo de atualizar as diretrizes de tratamento voltadas às mulheres mais velhas. No Brasil, a seção paulista da Sociedade Brasileira de Mastologia preparou um documento no qual elenca cinco questões concernentes aos recursos disponíveis e sua adoção para mulheres com mais de 70 anos. “O objetivo era saber se eles eram aplicáveis a essa população e em quais circunstâncias”, explica o mastologista Guilherme Novita, presidente da regional paulista. Cada uma foi discutida por comissões específicas e depois referendadas pelo Conselho Científico da entidade. As conclusões estão disponíveis para consulta no www.sbmastologia.com.br
Medidas do gênero são fundamentais para auxiliar os especialistas nesse momento de ajuste no tratamento do tipo de câncer mais prevalente em mulheres com mais de 70 anos. “Calcula-se que o risco de aparecimento aos 75 anos seja o dobro do apresentado por mulheres com 50 anos”, explica Novita. Apesar da alta taxa, a maioria dos casos é diagnosticada tardiamente, quando o tumor é palpável (com mais de dois centímetros). Além disso, cerca de 20% das pacientes apresentam subtipos agressivos da doença, o que agrava a situação. O resultado disso tudo é assustador: cerca de 20% das pacientes com mais de 70 anos com câncer de mama inicial morrem da doença. Quando o estágio do tumor é mais avançado, a mortalidade alcança 40%. demonstram negligência no trato de problema tão sério e urgente. “Análises de grupos de mulheres idosas tratadas demonstraram que existe maior proporção de pacientes recebendo terapia incompleta, com menor indicação de cirurgia, radioterapia e terapia sistêmica. Tais números podem ser explicados pelas limitações clínicas destas mulheres, mas também pela menor oferta de tratamento adequado pelos profissionais de saúde. Esta segunda hipótese não encontra justificativa na literatura médica”, escreveram os autores no documento da Sociedade Brasileira de Mastologia-SP.
É importante deixar esse cenário para trás. Se a medicina dispõe de recursos acessíveis e aplicáveis, mulheres de todas as idades têm direito a eles. A maneira mais segura de identificar o câncer de mama é com a mamografia, capaz de detectar os menores tumores.

Uma pesquisa da Rede Brasileira de Pesquisa em Mastologia em parceria com a Sociedade Brasileira de Mastologia mostrou que a proporção de mulheres que fazem o exame pelo SUS vem diminuindo. Em 2017, o percentual era de 24%, enquanto que em 2018, 22%. O estudo mostra também que o número de mamografias feitas em 2018 foi o pior dos últimos 6 anos, apenas 2.648.227 exames realizados e infelizmente este numero vem aumentando a cada ano.
O problema não estaria na falta de máquinas para realização do exame, mas na má distribuição delas e na dificuldade de acesso da população com a longa espera por atendimento na rede pública.
A cada ano surgem 60 mil novos casos de câncer de mama, e toda mulher tem 14% de risco de desenvolver a doença. Este é o tipo de câncer que mais acomete as mulheres.
A doença se caracteriza pela proliferação anormal, de forma rápida e desordenada, das células do tecido mamário. Desenvolve-se em decorrência de alterações genéticas, mas nem todos os tumores de mama aparecem em função da hereditariedade. Um tumor pode ser benigno (não perigoso para a saúde) e não é considerado cancerígeno, pois não se espalha por outras partes do corpo. Já os tumores malignos (considerados cancerosos), se não tiverem suas células controladas, podem crescer e invadir tecidos e órgãos vizinhos, podendo se espalhar por outras partes do corpo.
Fala-se muito em prevenção, mas prevenção é quando se sabe a causa do problema. “No caso do câncer de mama ainda não foi descoberta a causa, por isso o correto é falar sobre o diagnóstico precoce. Todo sucesso do tratamento da doença baseia-se, principalmente, no diagnóstico precoce. Quanto mais cedo se descobrir o câncer de mama, menos agressivo o tratamento e maior a chance de ter um melhor resultado”, explica o médico mastologista Walter Jorge Sobrinho.
Fatores de risco
Segundo a Sociedade Brasileira de Mastologia, são considerados fatores de risco para o câncer de mama, tanto para homens quanto para mulheres, o histórico familiar, a obesidade, o sedentarismo e os antecedentes de patologias mamárias. Estima-se que por meio da alimentação, nutrição e atividade física é possível reduzir em até 28% o risco de a mulher desenvolver câncer de mama.
Não existe um consenso entre a Sociedade Brasileira de Mastologia e os sistemas de saúde de cada país sobre a partir de que idade a mulher deve fazer a sua primeira mamografia. “Em função de nossa vivência, do número de casos que atendemos e da idade em que temos visto a doença aparecer, indicamos a realização da mamografia a partir dos 35 anos”, salienta Walter Jorge Sobrinho, médico mastologista paranaense que atua ha mais de 30 anos anos nesta área.

Diagnóstico precoce
O médico salienta que o autoexame da mama pela mulher é importante, porém somente este exame não basta. “A paciente tem que fazer a sua parte examinando a mama, mas não pode deixar de procurar um médico uma vez por ano, que fará um exame clínico e solicitará os exames de imagem (mamografia, ultrassom e ressonância) quando for necessário”, salienta.
Reposição hormonal
Muitas mulheres fazem reposição hormonal durante a menopausa. Walter Jorge explica que a reposição é uma indicação para a qualidade de vida da mulher, o que é muito importante. Porém, a reposição hormonal deve ser avaliada pelo médico sobre os riscos e os benefícios. O especialista explica que “é importante salientar que as mulheres que usam o estrogênio e a progesterona, através da reposição hormonal, a cada quatro anos de uso têm aumento de 1% de risco de ter câncer de mama. Quanto à tibolona (hormônio sintético) e o estrogênio puro não existe nenhum indicativo que aumenta o risco da doença”.
Tratamento
O especialista explica que o tratamento do câncer de mama envolve avaliação se o paciente vai passar por cirurgia e também se vai precisar de um tratamento complementar de quimioterapia, radioterapia, hormonioterapia. “Cada caso é único. A paciente pode precisar de apenas um desses procedimentos ou de todos. Tem um exame, o imuno-histoquímico, que é feito no tumor para identificar o tipo de câncer específico”, salienta Walter Jorge Sobrinho.
Mais fontes:
www.sbmastologia.com.br
https://www.inca.gov.br/sites/ufu.sti.inca.local/files//media/document/cartilha-mama-6-edicao-2021_1.pdf


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