O legado olímpico – o Brasil pós-Jogos
Por Natália Falavigna

Há um ano encerravam-se os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Ao apagar da tocha, todos se perguntavam como o esporte brasileiro ficaria. O que seria do País, do Rio de Janeiro, das instalações olímpicas, dos patrocinadores e, principalmente, dos atletas brasileiros. Passado um ano, temos um cenário de crise política e financeira, o Rio de Janeiro encontra-se em estado de calamidade pública, os patrocinadores esvaziaram-se do ambiente esportivo. Muito se falou da corrupção de dirigentes e organizações esportivas, desvios em obras públicas voltadas ao esporte. Será que tudo está perdido?
Estou aqui para falar de outro cenário, do qual muitas vezes os fãs e telespectadores esportivos acabam não tendo conhecimento ou a mídia dá pouca visibilidade: a complexidade da gestão esportiva. Por pior que o cenário nacional esteja, existe um movimento em prol do esporte e uma mudança acontecendo. Caso muitos não saibam, existe uma geração de atletas que, recém-aposentados, estão engajados e fortalecidos para mudar o cenário esportivo atual.

Estive esta semana no Curso Avançado de Gestão Esportiva, ao lado de grandes ícones como Emanuel Rego, Isabel Swan e tantos outros atletas olímpicos e profissionais, debatendo e buscando mudanças e inovações para o desenvolvimento da política esportiva no Brasil. E alguns avanços muito importantes estão sendo feitos.
O primeiro deles se baseia na Lei Pelé, que prevê apenas o direito a uma reeleição no mandato do presidente, o que evitará que o dirigente esportivo se perpetue no poder. Outra iniciativa foi a criação do rating do esporte, uma ferramenta capaz de avaliar e estabelecer parâmetros sobre o estágio de desenvolvimento de clubes, associações e federações, avalizada por entidades esportivas e empresas, que irá estimular boas práticas de governança.
Outras iniciativas são os cursos do Instituto Olímpico Brasileiro, com foco na formação e capacitação de treinadores e gestores, como Curso de Gestão para Treinadores, Academia Brasileira de Treinadores, Fundamentos da Administração Esportiva, Curso Avançado de Gestão Esportiva e Jornada de Gestão Estratégica. Em todos os níveis, são supervisionados pelo Comitê Olímpico Internacional e pelo GET – uma plataforma criada pelo Comitê Olímpico Brasileiro que avalia as oito categorias que compõem as boas práticas da governança corporativa e auxilia as confederações que estejam com necessidade de profissionalização e melhoras na sua visão estratégica e execução de planejamento.
Vale ressaltar que essa corrente pela melhora do esporte nacional passa pela obrigatoriedade de cada confederação criar a sua Comissão de Atletas: os protagonistas do espetáculo, em vez de virarem plateia e ficarem observando de longe a administração de suas confederações, terão agora direito a um de seus pares representado em assembleia, com direito a voto e participação nas decisões do planejamento estratégico de suas organizações esportivas.
Como vimos, temos muito a fazer e progredir quando pensamos em políticas esportivas, no sonho de elevarmos o Brasil ao patamar de potência olímpica e transformarmos a sociedade brasileira por meio do contato com os valores e regras que o esporte ensina. Existe muita gente competente se qualificando, discutindo, exigindo e trabalhando para que o nível de governança das organizações esportivas olímpicas esteja no mesmo patamar de conquistas que nossos heróis olímpicos atingem.
Quer saber mais? Acesse:
http://atletaspelobrasil.org.br


Matéria muito interessante. O esporte é importante para uma nação. Nosso país tem tradição em algumas categorias como futebol, vôlei, tênis entre outros. Em contrapartida, é lamentável as autoridades competentes não prosseguirem com projetos ao incentivo ao esporte após os eventos da copa e das olimpíadas com as construções de arenas e do parque olímpico. No Rio de Janeiro, este tranformou-se em mocó devido ao abandono e poderia ter sido muito útil a muitos futuros esportistas de modo geral.