O final de semana no 25º Festival Kinoarte de Cinema (FKC) vem recheado de atrações, no Cine Villa Rica. Neste sábado (11), o veterano, cineasta afro-brasileiro londrinense, Ari Cândido Fernandes, morto em 19 de agosto passado, será homenageado pelo festival em uma sessão especial, em parceria com o Cocine (Coletivo de Cinema Negro de Londrina). A sessão começa às 16h, é aberta ao público e serão exibidos cinco curtas de Ari Cândido Fernandes: Martinho da Vila, Paris, 77; Por que Eritréia?; O Rito de Ismael Ivo; O Moleque e Jardim Beleléu.
Ainda na programação de sábado, o público poderá ver o documentário “Exu e o Universo”, de Thiago Zanato (18h), seguido de debate com a participação de Isabela Cunha e Robson Arantes, com valor a R$ 12,00. Já às 20h30, a sessão abre com “O Jogo dos Espíritos”, pela competitiva Londrinense de curtas, seguido da estreia nacional do documentário Insubmissas – Mulheres em luta no Saara Ocidental, de Laura Dauden e Miguel Angel Herrera (26 min). Na sequência, na mesma sessão, será exibido o longa-metragem, “Solange” (ficção), de Nathalia Tereza e Tomás Osten, fechando com o debate com a atriz londrinense, Cássia Damasceno. O valor da sessão será R$ 12,00.
Lembrando, que este ano, as competitivas Londrinense de curtas então inseridas na sessão do longa-metragem principal do dia (R$12,00), abrindo esta sessão diariamente.

O Domingo e Segunda no Festival
O Kinoarte – Instituto de Cinema de Londrina -, instituição responsável pela realização do FKC, completa 20 anos de atividade. Uma sessão especial, de nove filmes, produzidos nas oficinas da Kinoarte, está na programação do festival neste domingo (12), às 15h30, com entrada gratuita. A competitiva Paranaense de curtas acontece no domingo às 17h e é aberta ao público, com a exibição de sete filmes. O longa-metragem “De Você Fiz Meu Samba”, um documentário de Isabel Nascimento Silva, começa às 19h. E a sessão das 20h30 inicia com o curta “Entre Espaços”, da competitiva Londrinense, seguido do longa “Propriedade”, de Daniel Bandeira. O ingresso das duas últimas sessões custam R$ 12,00 cada.

Nesta segunda-feira (13), o festival será aberto com as atividades dos projetos sociais da 25ª edição do FKC. A organização do evento leva às 9h, uma sessão especial até o Instituto Roberto Miranda. No Cine Villa Rica começa às 13h, a sessão do Projeto Kinocidadão que atende estudantes de 06 a 15 anos. Fecha o dia do festival a sessão das 20h, com a competitiva Londrinense de curta exibindo “A Grande Nuvem de Magalhães”, seguida do longa “O Coringa do Cinema”, de Sérgio Kieling, com ingresso a R$12,00.
Serviço:
25º Festival Kinoarte de Cinema de Londrina.
De 10 a 19 de novembro.
Local: Espaço Cultural Villa Rica (Rua Piauí, 211- Centro/Londrina)
Programação geral – Site: www.kinoarte.org/festival
Ingressos:
- competitivas Ibero-americana, nacional e paranaense: gratuitas.
- sessões de longas-metragens, preço único: R$ 12,00. A sessão competitiva Londrinense de curta está incluída.

Assinatura:
Realização: Kinoarte – Instituto de Cinema de Londrina.
Produção: Leste.
Patrocínio: Secretaria Municipal de Cultura, por meio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic).
Apoio: Universidade Estadual de Londrina (UEL); Cine Villa Rica; LAVI – Londrina Audiovisual; Supermercados Viscardi; Viação Garcia; Sanepar; Sabor & Ar; Refriko e UEL FM.
Ari Cândido. Um representante do cinema negro
Ari Cândido é londrinense e viveu em São Paulo desde os anos 1980. É considerado um dos principais representantes do cinema negro brasileiro. O contato com o cinema veio nos anos 1960, através do cineclubismo em Londrina. Jovem, mudou-se para Brasília onde iniciou o curso de cinema na Universidade de Brasília (UnB) e em função da Ditadura Militar, por suas posições e atividades políticas, se exilou em Estocolmo (Suécia), com a ajuda de amigos, onde sobreviveu com empregos diversos, foram tempos de aprendizado de vida e teve contato com cineastas de renome.
Em 1975 mudou-se para Paris (França), onde se formou em cinema pela Nouvelle Sorbonne. Nesta época produziu o seu primeiro curta “Martinho da Vila, Paris” e também iniciou um trabalho em fotografia com agências e atuou como fotojornalista de guerra, com coberturas na África, Saara Espanhol e Irã. Foi o único fotógrafo brasileiro a cobrir a guerra civil na Eritréia (Africa), o que resultou em um livro e no premiado filme, “Por que Eritréia?”.
Ari Cândido Fernandes retornou ao Brasil com a anistia nos anos de 1980 e paralelo a atividade de professor universitário, ativista do movimento negro, um dos criadores e coordenador do Projeto Zumbi, em São Paulo e do manifesto Dogma Feijoada SP, “ainda consegui (não sei como) fazer cinema”, como o próprio Ari comentou em entrevista publicada, logo após sua morte, no Portal Geledés (fonte). O cineasta tem vários curtas premiados entre eles “Por que a Eritreia?” (1979), “O Rito de Ismael Ivo” (2003), “O Moleque” (2005), “Pacaembu — Terras Alagadas” (2006) e “Jardim Beleléu” (2009), quye o público poderá ver no 25º Festival Kinoarte de Cinema.

Kinoarte: 20 anos de cinema
Trajetória conta com a realização de 46 filmes, além da promoção de oficinas e mostras de cinema
A produção cinematográfica do Paraná ganhou um impulso significativo a partir de julho de 2003 com a criação da Kinoarte – Instituto de Cinema de Londrina, que nasceu com o objetivo de desenvolver e promover o cinema, e também de outras linguagens artísticas como a música, artes performáticas e artes visuais.
A comemoração da trajetória dos 20 anos da Kinoarte será realizada neste domingo (12), às 15h30, no Villa Rica, com sessão especial Kinoarte 20 anos com a exibição de curtas produzidos nas oficinas. A entrada é gratuita.

Formação extensa
A Kinoarte é responsável por abrir as portas para muita gente se tornar cineasta. Através de uma formação extensa e abrangente nas áreas de produção, roteiro, direção, montagem, fotografia, som e edição, os apaixonados por cinema aprendem na prática as técnicas e teorias para realizar seus próprios filmes.
“A Kinoarte nasceu em 2003 a partir de um desejo coletivo de se fazer filmes num lugar onde o cinema, enquanto prática, ainda precisava ser construído”, explica Artur Ianckievicz, curador e organizador do festival. “O Instituto de Cinema de Londrina vem atuando há décadas com práticas que englobam quatro objetivos principais: produzir, exibir e preservar filmes, além de realizar projetos de formação audiovisual.”
Durante estes 20 anos de trajetória, a Kinoarte contabiliza a realização de 46 filmes – nos mais variados suportes: 35mm, HD, mini-DV e super-8. Toda esta produção resultou na conquista de mais de 60 prêmios em festivais nacionais e internacionais.
Destaque para “Londrina em Três Movimentos”, “O Quinto Postulado”, “Satori Uso”, “Booker Pittman”, “Haruo Ohara”, “Maria Angélica”, “Galeria”, “Do Outro Lado do Rio”, “O Castelo” e “Sylvia” – todos premiados.
“Desde que foi criada, a Kinoarte esteve presente em grande parte do que foi produzido em termos de audiovisual na região e auxiliou na formação de centenas de pessoas que hoje se dedicam ao fazer cinematográfico”, informa Artur Ianckievicz.
Da filmografia da Kinoarte, 31 são curtas em suporte digital; quatro curtas em 35mm; seis curtas para televisão; três curtas em super-8; além dos média-metragens “Inimigo Público N°1” (mini-dv), “Andrea Tonacci” e “Ouro Verde: Memórias da Cidade do Café”.

Festival e oficinas
Além da produção cinematográfica, a Kinoarte realiza diversos eventos ligados ao setor, como o “Festival Kinoarte de Cinema” – o mais antigo do Paraná; a “Kinoarte Mostra Curtas”, que exibe curtas em escolas e centros culturais; o “Kinoclube”, que faz a projeção de filmes em espaços culturais; e as “Oficinas Kinoarte”, voltadas à produção audiovisual e ministradas por cineastas renomados.
Oficinas Kinoarte
Realizadas desde 2005, as oficinas Kinoarte já receberam importantes nomes do cinema nacional como Ruy Guerra (direção), Walter Lima Jr. (direção de atores), Andrea Tonacci (direção), Marçal Aquino (roteiro), Joel Pizzini (cinema de poesia), Carlos Ebert (direção de fotografia, pintura e cinematografia digital), Hilton Lacerda (roteiro), Kiko Goifman (documentário), Luiz Adelmo (som), Oswaldo Lioi (direção de arte), Rodrigo Aragão (Maquiagem de Efeitos especiais).
O instituto também promoveu oficinas práticas em cidades como Aracaju (SE), Araraquara (SP) e Marília (SP). Cada oficina resulta em um curta-metragem, realizado pelos próprios alunos. Em 2020, o projeto de oficinas nas áreas de figurino, desenho de som, roteiro, direito do entretenimento, entre outros, atendeu 250 alunos de forma on-line.
Kinoarte Mostra Curtas
O Projeto Kinoarte Mostra Curtas foi criado em outubro de 2004 com o objetivo de disseminar a produção nacional em curta metragem. Através da iniciativa, estudantes assistem a exibições gratuitas em escolas, centros comunitários e centros culturais de Londrina.
Kinoclube
Cineclube da Kinoarte, criado em 2006, exibe filmes de longa-metragem e curta-metragem organizados em ciclos temáticos em espaços culturais.
Fotos e texto: divulgação


Deixe um comentário