Em entrevista ao Portal Ideia Delas, o regente Rossini Parucci fala sobre o funcionamento de uma orquestra, sua trajetória na música e os desafios de manter viva a tradição da música de concerto em Londrina.
A Orquestra Sinfônica de Londrina (OSUEL) abre temporada 2026 com um concerto especial de aniversário. A estreia é nos dias 13 e 14 de março, sexta e sábado, às 20 horas, no Cine Teatro Ouro \verde. O evento celebrará o o aniversário de 42 anos da Orquestra, tendo como repertório Beethoven e Mozart.
Por Claudia Costa

A célebre expressão “um instante, maestro”, que marcou época na televisão brasileira na voz do apresentador Flávio Cavalcanti, era usada para interromper a orquestra e comentar a apresentação de um calouro. Desta vez, porém, a frase ganha um novo significado: NÃO para interromper, mas para DESTACAR o talento, a trajetória e o trabalho de um regente londrinense que vem conduzindo com sensibilidade e competência a Orquestra Sinfônica da Universidade Estadual de Londrina (OSUEL).
O maestro Rossini Parucci , que também atua em Belo Horizonte na Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, revela bastidores do funcionamento de uma orquestra, curiosidades sobre o trabalho do regente e um pouco da história de quem dedica a vida à música.
Em Londrina, à frente da OSUEL, Parucci tem se destacado pela forma didática com que aproxima o público do universo da música de concerto. Em suas apresentações, ele procura contextualizar as obras e ajudar o público a compreender melhor o que está ouvindo.
A relação de Rossini Parucci com a música começou ainda na infância. Filho de pais que cantavam em corais de igreja, ele cresceu em um ambiente onde a música fazia parte do cotidiano.
Mais tarde, passou pelos coros infantil e juvenil da Universidade, onde iniciou uma formação musical mais estruturada. Embora já demonstrasse interesse pela regência, o caminho até o pódio começou com um instrumento: o contrabaixo.
Seguindo a orientação do maestro e professor Othônio Benvenuto, fundador da Orquestra Sinfônica da Universidade Estadual de Londrina, Parucci decidiu estudar o instrumento para vivenciar a experiência dentro da própria orquestra antes de assumir a função de regente.
Benvenuto teve papel fundamental na história da música erudita em Londrina. Ele foi o responsável pela criação e consolidação da OSUEL, sendo um dos grandes incentivadores da formação de músicos na cidade e contribuiu decisivamente para o desenvolvimento cultural da região.
Seguindo esse conselho, Parucci passou a tocar contrabaixo e a conviver de perto com a rotina de uma orquestra.
“Foi uma orientação muito importante. Tocando dentro da orquestra eu pude entender melhor a convivência entre os músicos e observar o trabalho de diferentes maestros”, conta.
Essa trajetória o levou inclusive ao exterior. Em 2006, a convite do contrabaixista Catalin Rotaru, Rossini recebeu uma bolsa de estudos na Arizona State University (ASU), Estados Unidos, graduando-se em 2010 “com distinção”. Durante seus anos nos Estados Unidos, Rossini foi solista junto à ASU Sinfonietta e finalista da ASU School of Music Concerto Competition. Atuou também como Contrabaixo Principal da ASU Symphony Orchestra, da ASU Chamber Orchestra e do Lyric Opera Theater da mesma universidade.

“Cada músico tem sua formação e sua própria interpretação da obra. O papel do maestro é unificar essas visões e transformar tudo em uma única expressão musical.” Rossini Parucci
Como funciona uma orquestra
Uma das curiosidades que mais despertam interesse do público é a organização interna de uma orquestra.

O maior grupo de instrumentos costuma ser o das cordas, formado por violinos, violas, violoncelos e contrabaixos. Os violinos, por exemplo, são divididos em dois grupos: primeiros e segundos violinos, que desempenham funções diferentes dentro da música.
Cada conjunto de instrumentos possui um líder, conhecido como chefe de naipe, responsável por orientar tecnicamente os músicos daquele grupo.
Outro papel fundamental é o do spalla, líder dos primeiros violinos e uma espécie de ponte entre o maestro e a orquestra.
Segundo Parucci, a palavra vem do italiano e significa “ombro”. “O spalla funciona como um apoio do maestro. Muitas vezes ele ajuda a traduzir visualmente para os músicos aquilo que o regente está indicando com os gestos”, explica.
O trabalho por trás de um concerto

Ao contrário do que muitos imaginam, os músicos não aprendem a música apenas durante os ensaios.
Cada integrante da orquestra recebe o repertório com antecedência e realiza um estudo individual intenso. Nos ensaios, o objetivo é construir a interpretação coletiva da obra.
É nesse momento que entra o papel do regente: unificar diferentes visões e transformar várias interpretações individuais em uma única leitura musical.
Música e educação

Uma das marcas do trabalho desenvolvido por Parucci na OSUEL é a preocupação em aproximar o público da música de concerto.
Antes das apresentações, por exemplo, são exibidos vídeos explicativos que contextualizam as obras do programa. O material é apresentado pelo maestro e percussionista Werther Oliveira, que explica elementos históricos e musicais das peças executadas.
Desafios da OSUEL

Apesar de sua importância cultural, a Orquestra Sinfônica da Universidade Estadual de Londrina enfrenta desafios para manter sua estrutura.
Quando foi criada, a Orquestra chegou a contar com cerca de 75 músicos. Atualmente, o número é menor, 37 músicos, resultado de aposentadorias e da dificuldade de reposição de profissionais.
Para viabilizar as apresentações, a orquestra precisa contar frequentemente com músicos convidados.
“Hoje praticamente nenhum concerto sinfônico seria possível sem esses músicos convidados”, explica o maestro.
Segundo ele, a cobrança de ingressos tornou-se uma alternativa necessária para garantir a realização dos concertos.
“Eu gostaria que todos os concertos fossem gratuitos para a população, mas sem essa receita seria impossível manter as apresentações”, afirma.
Serviço:
Concerto da Orquestra Sinfônica da UEL – Série Arábica
Quando: sexta (13/03) e sábado (14/03)
Horário: 20 horas
Onde: Teatro Ouro Verde Rua Maranhão, 85 – Centro, Londrina
Ingressos: https://osuel.pagtickets.com.br/
*** Agradecimento ao apoio de Livia Affini pela captação da entrevista em vídeo.


Excelente trabalho e divulgação…parabéns
obrigado por seu comentário e incentivo Mafalda!
Que ótima entrevista, o maestro é uma pessoa admirável!!
sim, com certeza. O trabalho dele na OSUEL é admirável e a carreira dele também!
Obrigado Livia pelo apoio. O maestro tem muito conhecimento.