Por Claudia Costa
Três mulheres, três histórias de vida distintas que se encontram no amor pela arte, em especial pela pintura.
As artistas plásticas Neuman Chaiben, Neldy Kalau e Lurdes Soares Costa têm em comum o amor pelos pincéis e cores. Suas obras refletem a beleza da natureza e a história de uma época retratada em telas e objetos.

Neuman Chaiben, 64 anos, casada, mãe de duas filhas e avó de quatro netas
Quem conhece a londrinense Neuman Chaiben sabe que ela é uma artista nata, seus objetos pessoais e a sua casa são recheados de beleza e bom gosto. Desde cedo, aos 15 anos, ela começou a pintar em porcelana. Estudou no tradicional Colégio Mãe de Deus, de Londrina, onde aprendeu a arte da pintura. Neuman conta que sempre gostou de desenhar e que, além de pintura, estudou música, especificamente violino.
Ela é casada com o professor e auditor fiscal Sadi Chaiben, e um dos hobbies do casal é viajar pelo mundo e também pelo Brasil. Já conhecem mais de duas dezenas de países. E, nessas andanças pelo mundo, Neuman conheceu muita arte, em especial porcelanas ricas em detalhes e histórias. Por um bom tempo, ela também deu aula de pintura em porcelana, mas decidiu se dedicar somente à pintura, pois o compromisso com os alunos acabava restringindo um pouco sua agenda para poder viajar com seu eterno companheiro.

Suas obras já passaram por diversos estilos, que vão desde pintura de flores e crianças até paisagem. Entretanto, desde o ano 2000 Neuman se dedica a registrar sua arte com imagens de Londrina. São vasos, pratos, cachepôs, agendas, canecas, bloquinhos de recados, dentre tantas peças, com imagens do Museu Histórico de Londrina, da Catedral, da UEL, da Biblioteca, do Lago Igapó, etc. As suas criações viraram souvenirs que já foram dadas como presente para diversas autoridades, dentre elas presidente da República, embaixadores, prefeitos e governadores. Neuman Chaiben explica que quando vai idealizar a peça ela pesquisa sobre o monumento que irá pintar. “Gosto de enriquecer a porcelana com detalhes sobre o local, data de fundação, etc. Mostrar que aquele monumento tem uma história por trás e reflete um povo e uma época de Londrina”, explica ela, que gosta de estudar sobre o objeto da sua criação e trabalhar no ateliê que mantém em sua casa.

Neldy kalau: um legado que herdou da família

A professora e artista plástica Neldy Kalau, 83 anos, viúva, mãe de cinco filhos, é uma referência para centenas de alunas e alunos de Londrina e região que aprenderam com ela os segredos dos pincéis, das gamas das cores e das texturas de um belo quadro. Neldy deu aula de pintura por mais de 40 anos, suas telas a óleo espatuladas são de uma beleza singular, sendo destaque a beleza da natureza, em especial as árvores-símbolos de Londrina (peroba), do Paraná (araucária) e do Brasil (ipê).
Neldy começou a pintar na infância. Ela gostava de tocar piano, mas, para não incomodar o pai, sua mãe a estimulou a ir “brincar” com os pincéis. Antes de se dedicar profissionalmente à pintura, enveredou por outros caminhos. Ela foi, aos 17 anos, a primeira bancária de Londrina, atuando no Banco Brasul de São Paulo. Mas a veia artística falou mais alto e a pintura se transformou na sua grande paixão.

Neldy Kalau conviveu desde sempre com a arte. Ela é filha de marceneiro artístico, o alemão Gustav Kalau, e da artista plástica Amélia Chaiben, a primeira artista plástica de Londrina. Natural de Castro, cidade a 159 km de Curitiba, onde existe o famoso Canyon Guartelá, Neldy mudou-se para Londrina em 1943, vindo de Iraty. Em 2014, recebeu o título de Cidadã Honorária de Londrina. Segundo a artista plástica, o título também é um reconhecimento ao trabalho desenvolvido por sua mãe. A família já está na terceira geração de pintoras, pois a filha Beth Kalau Costa é uma conceituada artista plástica.

As obras de Neldy Kalau viajaram o mundo. Somente na cidade de Cagliari, na Sardenha (Itália) existem 38 telas suas. Apesar da idade, ela se mantém ativa na produção de telas. Seu trabalho fica exposto em uma sala/galeria que mantém no Shopping Quintino Bocaiuva, em Londrina.
Lurdes Soares Costa: uma artista de múltiplos talentos

“Eu respiro arte!” Assim a artista plástica Lurdes Soares da Costa, 64 anos, solteira, define a importância da arte na sua vida. Ela é professora de artes, possui especialização em artes cênicas e já participou de muitos cursos na área.
Lurdes mora na capital paulista há muitos anos, mas é natural de Paranapuã, cidade do interior do Estado. Ela explica que cresceu em um ambiente familiar muito criativo. “Papai tocava e cantava, e a mamãe cantava e era animadíssima”, salienta ela, explicando que o pai, Ulisses Costa, era dentista prático, mas “um artista da boca, tinha grande habilidade manual e criativa. Fazia os nossos brinquedos. Acredito que a minha e habilidade do fazer artístico vem daí. Meus pais gostavam muito de dançar e o ritmo foi introduzido na família de forma natural”, salienta Lurdes, que também canta e toca violão.

Suas peças têm uma grande ligação com a natureza e os animais. “Minhas primeiras bonecas foram de espigas novas de milho. Eu já me encantava com as cores diferentes dos cabelos do milho. Não tínhamos condições para comprar brinquedos, mas não era problema, nunca sentimos falta. Construíamos os nossos brinquedos e isso nos deixava felizes”, salienta a professora. Sua criatividade sempre foi destaque, tanto que na adolescência ela criava suas roupas, bolsas e sapatos.
Seu talento também apareceu no campo da música. Ela nunca fez aula de música, mas toca violão e cantar é uma de suas paixões. Aos 19 anos foi vencedora como melhor intérprete de um festival de música na faculdade. “Fui convidada para gravar em São Paulo, mas papai não deixou e me envolvi com as artes visuais”, relembra a artista plástica, que depois de muitos anos cursou na capital paulista uma especialização em teatro, além de participar de vários cursos de extensão na área de artes visuais e teatro.
A pintura entrou na vida de Lurdes Soares Costa logo na infância. A artista plástica já participou de muitos cursos e exposições individuais e coletivas. Ela diz que na pintura tem grandes mestres como inspiração: Tarsila do Amaral, Portinari, Van Gogh, Franz Krajcberg, Antoni Gaudi, Bia Lessa, Vick Muniz e Frida Kahlo. “A minha pintura é moderna, expresso nas pinceladas fortes e cores vibrantes as coisas simples do cotidiano da vida no interior, a beleza do cerrado, seus bichos e pássaros”, salienta.

Em sua cidade natal, Paranapuã, a artista mantém uma galeria com suas obras. “Hoje, eu produzo em São Paulo, mas minhas peças ficam expostas em minha galeria e também na loja Celeiro em Santa Fé do Sul, cidade do interior paulista.” Ela também pinta “utilitários”. São objetos que têm muita relação com sua infância, como lamparinas, regadores, ferros antigos de passar roupa, moinhos de café e peças sacras. “Tem um senhor que produz essas lamparinas para mim. São peças inéditas que produzo”, diz ela.
Agradecimentos:
Arte-capa : Vladmir Farias
Revisão: Jackson Liasch (fone (43) 99944-4848 – e-mail: jackson.liasch@gmail.com


Deixe um comentário