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A Casa é o sorriso de Irene; a metáfora habitada, a coisa

5 de julho de 2017 por Elisiê Peixoto 2 Comentários

Por Antônio Mariano Jr

 

“Não arrancou a cortina. Deixou a janela com o sorriso amarelo…” (Foto Pixabay)

Irene, que canta e que ri, quando abre a casa, a dela,

rima o que lhe é possível: coração e emoção; há tempos, não.

(…)

A casa da Irene é um lugar onde os desejos e afeições vêm e vão;

vão e vêm, entram e saem e deixam visgos e assoalhos gastos. Faz parte.

(…)

A casa de Irene localiza-se no Bairro das Possibilidades;

cujas vias são pavimentadas com as mais

discretas pedrinhas de brilhante; essas ruas não são dela;

somente a janela da casa é dela, a rima é singela; de lá se avista o

luar do Sertão. Emoldurado.

(…)

Dia certo, numa noite inexata, pensou em fechar a janela, para sempre.

Arrancaria as onomatopeias da cortina há tempos instalada no trilho já torto.

De maneira assim, resumidamente:

Vapt! Pá!!

(…)

De forma tal, faria assim:

Com mãos iradas ela puxaria a cortina amarela; cobriria a cabeça com

o então esvoaçante véu amarelo; gritaria deeeeeeuuuuuussss, sem muita

convicção.

Deixaria a janela rindo aos luares inevitáveis.

E desceria a escada pisando com vontade nos pontos mais rangentes dos degraus,

para ser unicamente Irene, a dona daquela

casa onde se canta e se ri. Ainda.

(…)

Tsc tsc tsc tsc tsc…

Não arrancou a cortina. Deixou a janela com o sorriso amarelo.

Tirou Irene o coração do copo d’água; deixou apenas o desejo imerso no recipiente sobre o criado-mudo.

Numa noite inexata, descuido da natureza aflita, chacoalhou o coração aguado e o recolocou no lugar devido; pela boca engolido, como de costume.

Tomou um gole da água do copo onde guardava também suas rimas, suas soluções e suas fendas.

Foi abrir a casa na noite qualquer; e cantou e riu. Entornou copos e ânsias alheias, misturou desejos.

(…)

De uma queda foi ao chão.

Quase todos a acudiram; assustou-se com um terceiro que lhe deu a mão.

E lhe tirou o chão.

Grogue e vesga, baixa visão.

(…)

O terceiro foi aquele que a Irene deu a mão;

E que ferveu as calhas da casa interna onde Irene guardava seus finos tratos.

E também as suas cantigas de roda e pragas nunca rogadas;

e coisas ainda tão suas e íntimas e tão pouco provadas que

de uma queda foi ao chão, não a Tereza, a Irene.

(…)

O terceiro.

A mão mais precisa do mundo, a firmeza dos propósitos nas pontas dos dedos.

Acenou o terceiro com todos os dentes e carnes e pelos e uma arte no calcanhar;

Irene estendeu a mão e possíveis rimas.

(…)

Daqui para cima, dizem, ficou febril;

Daqui para baixo, contam, fez-se feliz.

(…)

Fixou moradia no centro exato do desejo;

habita entre os iguais também.

Que, daqui para baixo, gotejam.

Que, daqui para cima, constituem o fogo sagrado.

(…)

O terceiro fez convite para subir ao céu;

Para sorver ângulos; lamber o dedo em riste,

o riste;

Alcançar o teto. Tocar, quem sabe, o dedo de Deus.

Ou tocar pomos.

(…)

Feliz e metafórica, Irene espalhou-se em adjetivos

e sensações; desfez-se da cidadania italiana.

Dizem: nem tinha ela a cortina amarela;

a janela, sim.

(…)

O primeiro.

O segundo.

O terceiro.

Noves fora, gente adentro;

quem avista a janela joga uma trova;

(…)

A janela ri ansiosa, aberta e desejosa;

rima toda prosa e facilmente.

Pode ser rosa ou Irene,

Aquela que ri, minha gente.

(…)

A vontade é feminina;

Não o gênero, a coisa.

 

“Tirou Irene o coração do copo d’água; deixou apenas o desejo imerso no recipiente sobre o criado-mudo…” (Foto Pixabay)

Arquivado em: Antonio Mariano Jr, Vale a pena

Sobre Elisiê Peixoto

Elisiê Peixoto foi colunista da Folha de Londrina durante 18 anos, lançou cerca de 30 livros. Atuou num programa semanal da extinta TV Mix, escreveu para diversas revistas, trabalha como jornalista e escritora na Editora Mondo. Como colaboradora da Ong Nós do Poder Rosa escreveu cinco livros em prol das causas da mulher. Atua junto ao departamento de marketing do Roberta Peixoto Academy.

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Comentários

  1. Cristiane diz

    5 de julho de 2017 em 20:54

    Maravilhosa crônica, Antonio Mariano Júnior.

    Reply

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