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A música na minha vida

22 de abril de 2019 por Elisiê Peixoto 4 Comentários

 

A música para mim tem um efeito engraçado. Quando estou muito cansada, ela me faz dormir rapidamente. Quando estou estressada, basta ouvi-la que os ânimos acalmam milagrosamente. Se estou feliz, é motivo para cantar bem alto e, se estou triste, motivo para deixar o sentimento fluir em lágrimas.

 

Por Elisiê Peixoto

 

Todo domingo de Páscoa, lembro-me da minha mãe, que adorava a data. Ela preparava o almoço com música tocando alto, entrando pelos quartos, acordando todo o mundo. E fatalmente era algum disco do Roberto Carlos, de quem ela era fã incondicional. A verdade é que a música sempre esteve presente na minha casa porque a minha mãe gostava muito e qualquer data, dia ou noite, era motivo para escutá-la.

Formei-me em piano clássico, estudei até próximo de começar a faculdade e deixei de lado porque os ensaios eram exaustivos, e aos 16 anos já trabalhava, além de estudar. Então era uma coisa ou outra. Tudo junto não era possível.

Acabei me casando com um apaixonado por música, sempre envolvido, na época um DJ disputado das “discotecas” e que mais tarde tornou-se um entendedor de música elitizada, com ouvido afinado para blues e jazz, um cara respeitado no meio musical. Meu filho Fernando tem para quem puxar, aprendeu algumas coisas com o pai Pedro e hoje domina alguns estilos. Reconhece uma música boa.

Tudo isso para dizer que a música é um combustível na minha vida. Eu acordo escutando, durmo escutando. Claro que tenho minhas preferências, mas adianto que sou bem eclética e, se a música é boa, eu ouço. Acho até que a idade faz a gente ficar mais exigente e o repertório vai mudando. E música é o seguinte, independe de ser rock, samba, clássica, qualquer estilo. Se ela é agradável ao ouvido, então faz bem.

A música para mim tem um efeito engraçado. Quando estou muito cansada, ela me faz dormir rapidamente. Quando estou estressada, basta ouvi-la que os ânimos acalmam milagrosamente. Se estou feliz, é motivo para cantar bem alto e, se estou triste, motivo para deixar o sentimento fluir em lágrimas. Faço meu treino na academia com meu fone de ouvido. No carro, em casa, em todo lugar, no computador trabalhando, a música está presente.

Conversando com um amigo cardiologista, ele afirma que, toda vez que escutamos música, o corpo libera endorfina, substância química com função analgésica e que propicia a sensação de bem-estar, igual ao sexo e chocolate. E também melhora a saúde dos vasos sanguíneos e a capacidade física. Olha isso!

Mas tem algo na música que é mais espetacular. Ela nos leva às recordações. Pode ser uma música que seu pai cantava para você dormir quando criança, ou aquela que faz recordar o primeiro namorado. Quem sabe uma música que você cantava para embalar seus filhos bebês ou até a música que a acompanhou por toda uma geração. Arrumando os álbuns de fotografias dos meus filhos, peguei-me cantando a canção que fazia a Roberta e o Fernando dormirem. Foi tão espontâneo que até me surpreendi. Aquele tempo está vivo no meu coração e na minha mente.

Dias atrás, depois de trabalhar muito, tarde da noite, sentei-me no chão da sala, coloquei algumas canções no spotify e mergulhei. Fui longe. Abençoado spotify que tem de tudo. Lembrei-me de momentos tão significativos da minha vida e cheguei à conclusão de como a minha vida tem sido abençoada, porque a cada canção tinha uma lembrança boa, fosse de um momento ou de uma pessoa.

É isso! Neste momento em que escrevo esta crônica estou curtindo Diana Krall, uma pianista canadense de jazz, maravilhosa e que aprendi a gostar depois de uma indicação do meu ex-marido.

Mas também ouço e adoro Roberto Carlos. Pelo simples motivo de lembrar-me da minha mãe.

Arquivado em: Cá pra nós

Sobre Elisiê Peixoto

Elisiê Peixoto foi colunista da Folha de Londrina durante 18 anos, lançou cerca de 30 livros. Atuou num programa semanal da extinta TV Mix, escreveu para diversas revistas, trabalha como jornalista e escritora na Editora Mondo. Como colaboradora da Ong Nós do Poder Rosa escreveu cinco livros em prol das causas da mulher. Atua junto ao departamento de marketing do Roberta Peixoto Academy.

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Comentários

  1. Roberta Peixoto diz

    23 de abril de 2019 em 06:51

    Mamisss super concordo com vc, sem musica nossa vida fica muito sem graça! Tenho varias em minha mente e coração…com certeza as cristãs, jazz e blues são as minhas favoritas!!!!😘

    Responder
  2. Marise diz

    23 de abril de 2019 em 08:56

    A Música é reconhecida por muitos pesquisadores como uma modalidade que desenvolve a mente humana, promove o equilíbrio, proporcionando um estado de agradável bem-estar.
    Na música estão contidos três elementos:
    As palavras, a harmonia e o ritmo.
    Sendo assim, eu me considero totalmente eclética pois amo diversos ritmos e toda forma de amor.
    Depois de ler sua matéria, Elisiê, eu parei e me perguntei se em alguma fase da minha vida eu não ouvi alguma forma de música e com certeza a resposta foi negativa, com exceção da morte da minha filha, onde eu precisei dar um tempo e me preservar um pouco, pois através da música eu sentia a pior dor do mundo.
    Mas, superei esta fase e voltei a praticar meu maior hobby da vida, pois eu ouço música no carro, na academia, enquanto cozinho e enquanto eu durmo, acredita? Sim, eu gosto de dormir com uma playlist de músicas gospel bem calcinhas e bem baixinho.
    Linda sua matéria, eu simplesmente amei!

    Responder
  3. San diz

    23 de abril de 2019 em 08:56

    I believe I can fly começo por essa Elisiê, e vou seguindooooo, As gospels me deixam apaixonada, porém gosto de Blues, Jazz realmente a música é muito relaxante, me faz ter mais concentração.
    Sou grata por ter o privilégio por ter leituras excelentes, as quais escreve.

    Responder
  4. San diz

    23 de abril de 2019 em 08:57

    I believe I can fly começo por essa Elisiê, e vou seguindooooo, As gospels me deixam apaixonada, porém gosto de Blues, Jazz realmente a música é muito relaxante, me faz ter mais concentração.
    Vc é abençoada e esse seu dom da escrita é maravilhoso.

    Responder

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