
Por Claudia Costa
É um distúrbio gastrointestinal que acomete de 10% a 20% da população adulta, principalmente as mulheres. Os principais sintomas deste problema funcional do intestino grosso e delgado são dor abdominal, cólicas, diarreia, prisão de ventre (ou ambos os sintomas), náuseas e má digestão.
A professora Ana Maria (nome fictício, pois o anonimato foi a condição exigida pela personagem para conceder esta entrevista), 57 anos, vinha sofrendo havia dois anos com os sintomas da Síndrome do Intestino Irritável e somente há 20 dias começou a fazer o tratamento. Por vergonha, a professora escondeu do próprio médico gastroenterologista os sintomas (diarreias incontroláveis várias vezes ao dia e cólicas). Entretanto, após o agravamento do problema, Ana Maria fez uma consulta com seu médico e contou o sofrimento que estava passando. Após passar por alguns exames, como a colonoscopia, ela iniciou o tratamento.
A professora conta que o problema foi se agravando até que ela teve que abrir o jogo com seu marido e também com o médico. “Por vergonha fiquei muito tempo calada, porém a situação ficou insustentável. Desmarcava compromissos, me isolei, não participava de encontros familiares e até minha vida sexual estava comprometida”, relata ela. Segundo a professora, o medicamento iniciado há aproximadamente 20 dias já fez efeito e melhorou bastante o problema. “Estou mais tranquila. Tive uma conversa franca com meu médico e com meu marido, que me apoiou muito. Ninguém deve ficar calada como eu fiz. Existe tratamento e o problema é muito mais comum do que a gente imagina”, explica Ana Maria, que também vem fazendo acompanhamento com médico psiquiatra.
Causas multifatoriais
As causas do distúrbio são multifatoriais e englobam a genética, o histórico familiar, problemas emocionais (como abuso sexual, traumas e perdas), dentre outros. Em 1988, em um Congresso Internacional de Gastroenterologia, realizado em Roma, o problema foi reconhecido, pela primeira vez, como distúrbio funcional intestinal, sendo realizadas novas revisões médicas nos congressos, realizados em Roma, novamente, de 1999 e de 2006 .

Segundo Clóvis Kuwahara, médico gastroenterologista e professor no curso de Medicina da PUC Londrina, o diagnóstico mal realizado e impreciso deste distúrbio é um problema sério e que tem prejudicado o tratamento adequado. O especialista explica que o diagnóstico da Síndrome do Intestino Irritável é realizado através de um exame clínico bem-feito, exames complementares (de fezes, colonoscopia, endoscopia e ultrassom), e após a exclusão de doenças importantes do aparelho digestivo. “A Síndrome do Intestino Irritável é um problema funcional que tem acarretado muito sofrimento aos pacientes. O que temos constatado em nosso dia a dia são diagnósticos mal realizados em que o paciente acaba sendo tratado de forma inadequada”, explica Kuwahara.
Perda da qualidade de vida
Segundo dados da Federação Brasileira de Gastroenterologia, 30% das pessoas têm sintomas leves, 50% moderados e 20% sintomas acentuados, com grande impacto na qualidade de vida. Os sintomas relatados por pacientes com Síndrome do Intestino Irritável são similares aos sintomas de muitos outros problemas gastrointestinais, o que dificulta o diagnóstico. O intestino é um tubo muscular longo que contrai e relaxa em uma forma organizada para digerir e absorver os alimentos, formar e expelir as fezes. Em algumas situações, o conteúdo do intestino pode se mover muito rapidamente, resultando em diarreia; ou muito lentamente, resultando em constipação. Caso uma área do intestino se contraia e a próxima área não relaxe, ocorrerá um espasmo temporário à medida que o conteúdo não se move e isto pode causar dor.
Em pessoas com Síndrome do Intestino Irritável a atividade intestinal produz dor, ao contrário de pessoas normais, nas quais os movimentos do tubo digestivo são praticamente imperceptíveis. Esta percepção aumentada é chamada de hipersensibilidade visceral. Muitas vezes, os sintomas da Síndrome do Intestino Irritável podem ser agravados por estresse. A ingestão alimentar pode desencadear o reflexo gastrocólico e pacientes portadores da síndrome, frequentemente, apresentam este reflexo como urgência evacuatória, cólicas ou diarreia pós-alimentar.
A perda da qualidade de vida é uma das principais consequências do paciente que tem Síndrome do Intestino Irritável. “Este paciente acaba deixando de realizar atividades diárias simples que contribuem para o seu bem-estar e deixa de conviver socialmente com seus familiares e amigos por causa deste distúrbio”, salienta o médico.
O tratamento deve ser realizado por uma equipe multidisciplinar. “Após identificarmos as causas que desencadearam o problema, trabalhamos com medicamentos que ajudam na motilidade (capacidade de se mover) do intestino, no tratamento da dor e com suporte psicológico.” Uma alimentação rica em fibras e hábitos de vida saudável (prática regular de atividade física) ajudam no tratamento e na prevenção da Síndrome do Intestino Irritável.
Fonte: Federação Brasileira de Gastroenterologia
http://www.fbg.org.br/Busca/Resultado/buscar?valorBusca=s%C3%ADndrome+do+intestino+irrit%C3%A1vel


Muito boa a matéria, esclareceu bastante, eu já sabia algumas coisas, com a matéria entendi melhor.
Essa irritação intestinal é muito forte. Parece que o mau humor se instala na gente além das dores ocasionais. Muito boa a matéria e esclarecedora.