

Ao saber que Carol Garcia Cid embarcaria rumo à África, convidei-a novamente para colaborar com a coluna Passaporte do Ideia Delas. Viajante incansável e apaixonada por explorar novos países, uma missão que cumpre com impressionante dedicação, Carol partiu ao lado da irmã Cristiane, e retornou com um acervo fotográfico extraordinário e um relato tocante, publicado aqui na íntegra. O diário de viagem, tão repleto de momentos emocionantes, de nuances e sensibilidade, promete despertar a curiosidade e transportar o leitor para uma experiência única. Acompanhe a jornada da Carol. Certamente despertará emoções no coração de vocês, como despertou no meu. (EP)
“Convite aceito, frio na barriga e muito treino, porque para subir a montanha mais alta da África é preciso muito preparo físico e, principalmente, preparo mental.”
“Com certeza, entre todas as viagens que fiz, esta foi a mais completa de todas. Uma experiência cheia de vida, em todos os sentidos. Tudo começou com o convite de uma amiga, a Ju, para subir o Monte Kilimanjaro com um grupo de pessoas de Londrina, liderado pelo nosso querido “Largados e Pelados” da academia R80, Richards Moura. Eu, que já amo uma viagem, não poderia ficar de fora dessa — especialmente com um desafio desse tamanho pela frente!
Convite aceito, frio na barriga e muito treino, porque para subir a montanha mais alta da África é preciso muito preparo físico e, principalmente, preparo mental. Comecei a viagem pelas praias paradisíacas de Zanzibar, já sentindo aquela energia africana que faz toda a diferença.Fomos — eu e minha irmã Ane — para aqueles hotéis super bacanas, all incluse, mas na verdade, mal curtimos o hotel, porque a ilha tem muito o que fazer!
São inúmeros passeios, restaurantes, um centrinho com lojinhas que amamos, principalmente as joalherias com suas famosas tanzanitas, que ficam na cidade histórica de Stone Town”.


“…o que mais me marcou foi almoçar em um restaurante que fica em cima de uma rocha, dentro do mar! Parece mentira, mas é real.”
“Há também fazendas de temperos, a Ilha dos macacos vermelhos, a Ilha das tartarugas gigantes, mergulho de cilindro, nado com golfinhos e, por fim, aquela praia deliciosa com o drink predileto na mão! Além de nadar com os golfinhos, fazer mergulho de cilindro e ver aquela variedade linda de peixes e estrelas do mar, e o que mais me marcou, certamente, foi almoçar em um restaurante que fica em cima de uma rocha, dentro do mar!!! Sim, parece mentira, mas é real! O restaurante se chama THE ROCK, e é um “must go” por lá! Comida saborosa, fresca e com uma vista de tirar o folego! Após dias passeando pela ilha, pegamos um voo rumo a Moshi, a cidade onde se inicia a grande aventura. Uma cidade feia, cor de terra, super pobre, que impressiona ao chegar, mas cujo sorriso dos africanos e sua receptividade diminuem qualquer impacto inicial. Encontramos nosso grupo e começamos a aventura rumo ao Kili!”.

“Por mais bonito que fosse o caminho, nada se compara à beleza de avistar o primeiro acampamento. São horas de caminhada com peso nas costas, chuva e subidas! “
“A caminhada do primeiro dia é linda: pura mata, muito verde, trilhas encantadoras com cachoeiras e macacos. Fomos caminhando e conversando, conhecendo nossa equipe de 22 africanos ao longo do caminho. Éramos sete no grupo e tínhamos 22 profissionais para nos acompanhar: carregadores de malas, de comida, de água, utensílios de cozinha, além de três guias, um cozinheiro e um garçom; todos ali para cuidar de nós. Por mais bonito que fosse o caminho, nada se compara à beleza de avistar o primeiro acampamento. São horas de caminhada com peso nas costas, chuva e subidas! Os acampamentos são simples, porém muito aconchegantes: quartos com beliches, banheiros do lado de fora, um refeitório grande para várias nacionalidades e uma vista maravilhosa por todos os lados. As refeições são simples, porém saborosas e ricas em carboidratos — energia pura! E ai de você se não comer tudo! Nossos guias ficavam ali observando e mandando comer mais e mais. Todos os dias havia alguma variação de frango ou carne com macarrão, batata, pizza, tortilhas, saladas e frutas de sobremesa — tudo feito com muito amor e carinho. À noite, após o jantar, recebíamos uma bacia com água quente para tomar “banho”. Pelas manhãs, éramos acordados pelo nosso “garçom” com café ou chá e ganhávamos uma nova bacia para o banho matinal”.

“O nervosismo aperta, mas seguimos firmes e fortes! “
“Tomávamos nosso farto café da manhã — ovos, panquecas, pão, crepes, geleias — alongávamos e seguíamos nossa subida, cantando a famosa música tanzaniana, curtindo a paisagem, fazendo pequenos intervalos para comer mais carboidratos e nos encantando com nossa equipe africana, que nos animava o tempo todo. O famoso “mal das montanhas” começa a surgir por causa da altitude: dores de cabeça, enjoos, diarreia, vômitos. O nervosismo aperta, mas seguimos firmes e fortes! Rindo, cantando, brincando e sentindo dificuldade a cada passo rumo ao acampamento 3, o último antes do ataque ao cume e o mais esperado de todos”.


“Às vezes eu até conseguia olhar para cima e ver o sol nascendo, lindo de viver, mas logo voltava ao meu mantra: “vamos embora, ainda tem muito chão pela frente.”
“O dia do ataque ao cume: tudo começa à meia-noite! Um frio cortante, o cansaço dos dias anteriores, o sono pesado — ninguém dorme bem na véspera, de tanta ansiedade. E ainda assim é nesse momento que temos que fazer o trecho mais difícil e perigoso da montanha. Começamos a dar os primeiros passos bem pole pole — frase que escutamos o tempo todo na montanha. Significa “passos lentos”, ou seja, ir devagar. É preciso respeitar a altitude. Vamos nos aclimatando a cada acampamento e a montanha precisa te aceitar. E ir “pole pole”, somado a muita hidratação (“water is life”, outra frase constante), é o segredo do sucesso. A subida levou 10 horas até o cume. Eu imaginei que fosse um momento para pensar na vida, resolver questões internas, fazer resoluções para 2027… mas que nada! Durante todo o trajeto, eu só conseguia olhar para o chão e ver meus passos, um atrás do outro, lentamente, lutando para não dormir de tão cansada, batalhando passo a passo para conseguir chegar ao seguinte. A respiração é tão ofegante que ninguém consegue conversar! Foram dez horas de pura meditação — mindfulness, como dizem? Às vezes eu até conseguia olhar para cima e ver o sol nascendo, lindo de viver, mas logo voltava ao meu mantra: “vamos embora, ainda tem muito chão pela frente”. Quando chegamos ao cume, finalmente pude apreciar a beleza ao redor. Mas só depois de cair num choro profundo — não de emoção, e sim de tamanha exaustão! Não há palavras para descrever aquele momento vivido ali, em silêncio, passo a passo, ao lado dos africanos que subiam cantando, nos oferecendo chá, comida e força psicológica.”

“Conversando com eles, descobrimos que, para casar a filha com um maasai, o pai da noiva precisa doar 20 cabeças de gado!”
“Depois de alguns dias, finalmente entendi o bem que essa meditação involuntária faz para a alma. Voltando a Moshi, fizemos um passeio à linda cachoeira de Materuni Village, onde tomamos um banho revigorante e conhecemos a tribo do café, vivenciando todo o processo de produção do café arábica orgânico. Fizemos um safári no Parque Ngorongoro, onde vimos vários animais e conhecemos a tribo dos Maasai.Esse povo vive em aldeias, organizados em clãs, usa roupas tradicionais e muitas joias de miçangas coloridas. O gado representa riqueza e status. Conversando com eles, descobrimos que, para casar a filha com um maasai, o pai da noiva precisa doar 20 cabeças de gado! O chefe da tribo tem 11 esposas! Ficamos chocados e encantados com a jumping dance, a dança dos guerreiros, em que cada homem pula o mais alto possível sem dobrar os joelhos. Os pulos representam força e resistência.
As mulheres cantam melodias que acompanham o ritmo. O artesanato de miçangas, 100% feito à mão, é valioso e vendido pelo mundo afora’.




“E, para finalizar essa viagem, comemorei meus 49 anos em um karaokê africano!”
“Fizemos também trabalho voluntário em duas creches com bebês e crianças órfãs, abandonadas pelos pais. Lá, elas recebem estudo, comida, roupa, água e amor! Também realizamos voluntariado em uma escola para jovens mulheres, chamada More Than a Drop, onde elas passam um ano aprendendo culinária para garantir um futuro melhor. Que experiência! E, para finalizar essa viagem, comemorei meus 49 anos em um karaokê africano! Quanta diversão!”
A palavra que define essa viagem? GRATIDÃO.
“Gratidão à minha família Kili: minha irmã Cristiane, minha amiga Ju, nosso mestre Richards — que tem uma força mental incrível — e meus novos irmãos Leo, Márcio e Cesar. Todos acrescentaram aprendizado à minha vida, cada um com seu jeito único. Gratidão eterna! Esta foi, sem dúvida, a viagem mais completa que fiz na vida. Teve de tudo: turismo, cultura, conhecimento, praias belíssimas, paisagens exuberantes, calor e frio, pôr do sol inexplicavelmente lindo, cachoeiras, a tribo do café, a tribo dos Maasai, safáris, amizades verdadeiras, respeito ao próximo, voluntariado, alta performance física, superação, frustração, aprendizado, autoconhecimento, trabalho em equipe, momentos de reflexão e muito, muito, muito amor envolvido.”
“TANZÂNIA ficará no meu coração e na minha memória para sempre.”
Carol Garcia Cid




Que reportagem!!!🤜🤛👏👏De tirar o fôlego , mesmo.Experiência incrível; lindaaa em todos os aspectos, enriquecedora …. pessoalmente, culturalmente; imperdível a matéria!! Parabéns p a trupe da viagem!!!👏🙏😍
Viagem incrível, fotos excelentes , reportagem perfeita ! Parabéns meninas !