
Por Claudia Costa
A torção gástrica é a dilatação do estômago, seguida da torção desse órgão sobre si mesmo, levando à intensificação da fermentação e aprisionamento de gás e alimento em seu interior. Esta síndrome acomete principalmente cães de portes médio e grande e pode ser fatal para o animal se não for tratada em até 12 horas. O médico-veterinário André Luis Carvalho Ramos, que atua na clínica médica e cirúrgica há 23 anos, explica que alguns cuidados podem ajudar a prevenir a torção gástrica, como evitar alimentar o cão apenas uma vez ao dia, não praticar exercícios após a refeição e também não deixar que o animal beba muita água após se alimentar.

Por que ocorre a torção gástrica?
A torção gástrica, também conhecida como vólvulo gástrico ou dilatação-vólvulo gástrico (DVG), não possui uma causa primária bem estabelecida em literatura. Sabe-se que envolve uma motilidade anormal do estômago e pode estar relacionada com a conformação torácica, por exemplo, cães com tórax mais profundo em relação à largura (como o observado nos labradores), e também predisposição genética.
Trata-se de uma dilatação excessiva e torção do estômago do cão. É um problema emergencial e atinge, principalmente, os cães de porte grande ou gigante. Essa dilatação se deve à presença de gases, fluidos e/ou alimentos em excesso.
Podendo ocorrer pela ingestão excessiva de água ou alimento, causando uma rápida dilatação no estômago, faz com que o mesmo gire sobre o seu próprio eixo, principalmente em cães que ficam agitados após se alimentarem.
Essa afecção pode levar à síndrome da dilatação-vólvulo gástrico, que é uma manifestação sistêmica secundária ao DVG. Apresenta um alto índice de mortalidade, causando severas alterações na função renal, respiratória e cardiovascular.
Acontece somente em cães ou em outros animais também?
Acomete principalmente cães de porte grande ou gigante, ocorrendo raramente em cães pequenos ou em gatos.

A torção gástrica é mais comum em alguma idade específica? Tem como prevenir?
São mais propensos os animais com idade avançada, baixo peso, e também aqueles com dieta rica em alimentos secos e gordurosos. Acredita-se que o risco aumenta quando o animal se alimenta somente uma vez por dia, pois, assim, acaba ingerindo uma grande quantidade de alimento rapidamente.
Assim como no caso de outras doenças, determinadas raças contam com uma predisposição maior. Alguns exemplos são dogue alemão, rottweiler, boxer, labrador retriever, golden retriever, doberman, husky, akita, dálmata, entre outras, sendo que a ocorrência desse tipo de complicação tende a aumentar conforme o avanço da idade do animal.
Algumas precauções simples podem ser tomadas para diminuir o risco do seu cão desenvolver uma torção:
- a) Evitar fornecer apenas uma refeição por dia. Assim como na alimentação humana, o ideal é que a alimentação seja fracionada em, no mínimo, duas porções ao longo do dia. Evita-se, assim, a ingestão rápida do alimento, prevenindo a dilatação excessiva do estômago e aerofagia (ingestão de ar). Rações pobres em fibras ou com alta taxa de fermentação (amido, grãos e quaisquer alimentos ricos em hidrato de carbono) devem ser evitadas.
- b) Evitar que o cão beba grande quantidade de água de uma só vez, principalmente durante as refeições.
- c) Evitar também exercícios (como correr e pular), logo após as refeições.
Quais são os principais sintomas deste problema?
A torção compromete a circulação sanguínea dos órgãos da região e a absorção dos gases retidos no estômago causa intoxicação no animal, que pode vir a óbito em poucas horas caso não receba o atendimento adequado.
Os sinais são bastante específicos e geralmente se iniciam cerca de 3 horas após a refeição do cão.
O aumento repentino de abdômen com extrema sensibilidade dolorosa é o primeiro sinal de alerta. Além disso, o cão sente dificuldade para respirar devido ao aumento de pressão causado pela dilatação gástrica.
São observadas também: salivação em excesso, tentativa de vômito, flatulência e palidez das mucosas dos olhos e boca, uma agitação anormal seguida de apatia e, em muitos casos, a perda de consciência. Um quadro comum é o animal ficar deitado com a respiração ofegante e o abdômen bem distendido.
Como são realizados o diagnóstico e o tratamento?
Uma sonda é introduzida pela boca do animal até o estômago. Se a sonda não chegar até o estômago, será confirmado o diagnóstico da torção. Pode ser diagnosticado também por meio de radiografia abdominal, na qual é observado o aumento do estômago com presença de grande quantidade de gás.
A DVG deve ser tratada como emergência. O tratamento inicial consiste na descompressão do estômago por meio de sonda ou gastrocentese (uso de cateter), que melhora a função cardíaca e a circulação sanguínea nos órgãos da região. Deve ser então realizada uma lavagem gástrica para remoção do conteúdo alimentar e monitoramento do paciente. Após a estabilização do animal, é realizado o procedimento cirúrgico de reposicionamento e fixação do estômago na parede abdominal (gastropexia). Esse procedimento é curativo e evita a reincidência do caso.
Além disso, o animal precisa receber fluidoterapia, para auxiliar a eliminação das toxinas, protetores gástricos, antieméticos, analgésicos e antibióticos. O prognóstico é reservado e varia de acordo com a rapidez com que o diagnóstico e o tratamento são efetuados.
É verdade que a torção gástrica é fatal em 60% dos casos em cães se não for tratada dentro de 12 horas?
Sim, a torção gástrica é fatal em aproximadamente 60% dos casos tratados tardiamente, podendo levar o animal a óbito dentro de poucas horas (6 a 12 horas).
Serviço:
Animavet Clínica Veterinária
Rua Pará, 2.014, fone (43) 3324-9900, Londrina (PR).
Agradecimento:
Revisão: Jackson Liasch (fone (43) 99944-4848 – e-mail: jackson.liasch@gmail.com


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