
Elas vestiram a camisa da causa que acreditam. Foram às ruas, bateram nas portas, soltaram a voz. O Coletivo Black Divas deu o recado: desarmar o preconceito, valorizar a cultura negra e enfrentar a violência contra a mulher. De Londrina para o Brasil!
Por Elisiê Peixoto
Quem são elas?
Elas têm uma história de vida juntas desde muito tempo. Algumas moravam próximas na mesma localidade, em Londrina (PR), compartilhavam, desde meninas, das mesmas dificuldades, tinham os mesmos objetivos. Cresceram vendo os pais trabalharem para proporcionar estudos às filhas que, determinadas, estudaram, se profissionalizaram e enfrentaram com ousadia o preconceito latente da época. Durante muitos anos enfrentaram a discriminação, mas não se deixaram abater. Ao contrário, essas mulheres conquistaram espaço e chegam para fazer a diferença. Nasce o Coletivo Black Divas, em 25 de julho de 2016.
“Mas foi há 13 anos que demos nosso grito de independência, não queríamos mais fazer ações isoladas. Não queríamos mais ficar à margem, queríamos mais, porque sabíamos do nosso potencial. Mas precisávamos dar voz ao nosso desafio e mostrar à sociedade a nossa cara. Juntamos as nossas histórias e começamos o nosso projeto, sem qualquer apoio, apenas incentivadas pela vontade de desarmar o preconceito. E finalmente realizamos o lançamento do Black Divas. Sem dúvida, uma conquista porque nós sabemos de tudo que enfrentamos para chegar até aqui”, conta a consultora Sandra Mara Aguilera, coordenadora geral do Coletivo, onde existe uma diretoria formada por oito integrantes. “Quando começamos, éramos eu, Edmara Alves, Maria José Barbosa (Mazé), Juliana Barbosa e Ilza Almeida, Ana Paula Oliveira, Deborá Proença, Meg Garcia, Josnete, Adilza Carvalho. De lá para cá, somos protagonistas de uma história de desafios para realizar ações educativas, empreendedoras e culturais, com foco na valorização da cultura negra, no combate ao racismo e no enfrentamento da violência contra a mulher”, explica Sandra.
Ações e parcerias
Hoje o Black Divas conta com 38 participantes de diferentes profissões. E para participar do coletivo é necessário estar disposta a se envolver efetivamente com as ações e o trabalho de empoderamento. “Realizamos várias ações e as próximas já estão sendo preparadas. Como todas nós trabalhamos muito em nossas profissões, o tempo que nos resta é para arregaçar as mangas. Com todas unidas, fica mais fácil para conquistar os objetivos nas questões do empoderamento da mulher negra. Ainda este ano traremos para uma palestra em novembro (dia 14) a ex-consulesa da França em São Paulo, Alexandra Loras, que hoje vive no Brasil e se dedica ao ativismo contra o racismo e as discriminações de gênero. Estamos trabalhando com a Ong Nós do Poder Rosa, no lançamento do Instituto Laço Branco, que tem como objetivo sensibilizar, envolver e mobilizar os homens no engajamento pelo fim da violência contra a mulher. Além disso, temos a Marcha do Orgulho Crespo, dia 11 de novembro”, relata a consultora, que ao lado das outras participantes está empenhadíssima nos preparativos.
“Para 2018 organizamos uma feira com tudo relacionado à cultura negra. Desde roupas a gastronomia, sem dúvida será um grande evento. Hoje, temos parcerias que têm contribuído na visibilidade do Coletivo, como o dr. Sebastião R. Neto, a Ong Nós do Poder Rosa, ILABRA, PROVOPAR, Boleria Dom Leonard, Menu Gastronomia, SINTRACOM, DEZAINY, CAPC, Cultura Inglesa, Elisiê Peixoto, RPC, Thiago Nassif, Folha de Londrina, GMCI – Grupo de Mulheres Corretoras de Imóveis, Studio Desirée Soares”, conta Sandra Aguilera.

Projetos, conquistas e empoderamento
As coordenadoras têm funções distintas. Sandra é consultora e coordenadora geral do Coletivo; a ex-modelo Edmara é professora de postura e passarela e faz parte da Diretoria de Eventos do Coletivo; Maria José, ex-secretária municipal da mulher, é coordenadora do Projeto de Trabalho Técnico Social e diretora de Gestão e Projetos. A pesquisadora e doutora Juliana Barbosa atua na área de Jornalismo e Comunicação, é da Diretoria de Comunicação e Marketing; a cantora e educadora Adilza Carvalho integra a diretoria da Ação Comunitária. E Ilza Almeida é mestre em Tecnologia da Informação, além de diretora financeira, com Eliane Pereira e Denise Paulino. Ana Paula de Oliveira, professora e diretora de Formação, com Débora Proença, professora, e Alexsandra Moreira, assistente social. Da diretoria da Ação Social fazem parte Josnete Perseti, empresária do ramo da gastronomia, e Andrea Rosa, enfermeira da Medicina do Trabalho.
Entre as ações do Black Divas estão os varais solidários, as palestras dadas em salas de aula, comunidades, universidades, empresas, sindicatos. “Já estamos com várias palestras agendadas e sempre é um prazer falar sobre a cultura negra.” Ela lembra que a lei 10.639, de 2003, obriga o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana em todas as escolas públicas e particulares, do ensino fundamental até o ensino médio. “A legislação é considerada um marco na luta do movimento negro. Porém, muitos professores não têm essa referência para passar ao aluno porque não fomos formados nessa perspectiva. E isso acabou gerando uma demanda. E essa demanda resultou em ações na formação de professores para a formação dos alunos. Com a lei, deu-se uma visibilidade maior e, por conta disso, somos procuradas por sindicatos e representantes da sociedade civil para falar, explanar o assunto. Eu acho isso ótimo”, comenta. “Sempre ressalto o fato de que as conquistas do movimento negro foram feitas com insistência, perseverança, fé e trabalho. Nossa herança não é nociva, é heroica. Esses movimentos se articularam e batalharam para as conquistas merecidas, nosso empoderamento é fruto da nossa voz movida pelo orgulho da nossa raça”, conclui.


Foto da capa e ilustração do texto : Pixabay


Querida Elisie….Amei muito o texto e a história de nossas afilhadas, amigas,guerreiras e poderosas que lutaram e lutam muito na capacitação. e preparação de jovens negras para enfrentarem , com dignidade uma sociedade ainda hostil quanto a questão da cor da pele.Muito tem sido feito mas muito ainda terá que ser relizado. CONTÉM COMIGO SEMPRE.
Obrigada Sônia Medeiros. Vc nos representa. GRatidão
Que movimento espetacular dessas lindas mulheres!!
Parabéns, desejo todo sucesso para vcs!!
Gratidão Grace
Você é fantástica. Ler o que vc escreve é um momento de lazer, indiscrítivel. Ver como retrata nossa etnia então, é magnífico. Obrigada por ser esta profissionalca, impecável, respeituosa,
Que matéria linda amiga, amo os textos q vc escreve, um sucesso sempre. Que movimento fantástico dessas mulheres. Parabéns mais uma vez.
Rosangela que bom que vcs acompanham. Seja bem vinda a conhecer de perto as ações
Linda matéria! Parabéns para estas mulheres guerreiras!!!
Audrey saiba que sem pessoas maravilhosas e com representatividade como Elisiê Peixoto, seria um projeto invísivel. GRatidão a vcs
Black Divas, mesmo! É isso aí mulherada. Siga em frente, sempre. A mulher negra tem muito a contribuir com esse país machista, racista e misógino. Vamos desarmar o Brasil do preconceito e do atraso.
Reinaldo Zanardi vc é nosso Black DIvo e sabe disso.
SIm. Seguimos resilentes.
#pormaispolíticaspúbicas!!!!
#fazemospolíticaspúblicassim!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Parabéns, lindo trabalho fico grata por ler os depoimentos, e eu msm já passei por preconceito da própria familia.
Beth convidamo a para participar conosco das ações.
E saiba somos o último pais a ter a abolição, estamos a anos luz de outros países, massssssssss não desistimos nem desistiremos.
Caminhemos resilientes