Um grupo de amigas encontrou no consórcio uma forma de se divertir e economizar. Mensalmente, cada uma contribui com o valor estipulado e leva o apurado entre as demais participantes. O único trabalho é abrir a casa e oferecer o jantar regado a bom vinho e boa conversa!

Por Elisiê Peixoto
São sete mulheres. Com idade, profissão, temperamento e rotina diferentes. A única coisa que elas têm em comum é a forma de poupar dinheiro. Sim, essa história começou há 15 anos, quando um grupo resolveu se unir para fazer um consórcio de dólares. Mensalmente se reuniam, de preferência na casa de uma delas, e todas faziam a contribuição de 100 dólares. O tempo foi passando, os anos correndo, e o grupo, que chegou a ter 30 mulheres, foi se desfazendo. Permaneceram as sete que têm como lema: poupar e divertir.
Trata-se de um consórcio informal, “caseiro”, e que só é lembrado no momento do sorteio da próxima anfitriã! Porque o clima do encontro é sempre de alegria, troca de experiências, confidências, diversão. E apenas na hora de escolher a próxima contemplada é quando se fala em dinheiro. “Permanecemos em sete amigas que têm como finalidade poupar e desestressar. Sim, porque nos jantares a cada 30 dias existe informalidade, boa conversa ao redor de uma mesa farta, regada a vinho de excelente safra. Hoje definimos o valor em reais, achamos mais prático”, comenta a empresária e maratonista Mônica.
O consórcio de dólares ou reais existe há 25 anos. Durante um tempo foi uma “febre” entre as mulheres. “Comecei participando quando meus filhos ainda eram adolescentes e os anos foram passando e eu adorando estar com essas amigas que fazem parte da minha vida. Sempre espero ansiosa pelos jantares porque são horas de cumplicidade, de afetividade e de reencontro, uma vez que todas têm funções diferentes e trabalham muito”, diz Helen, empresária do ramo de moda.
A maioria das participantes desse tipo de poupança considera a atividade mais uma “brincadeira” do que necessariamente um investimento. Afinal, esse hábito é mantido por pessoas de confiabilidade, uma vez que há apenas um acordo informal, no qual o que vale é a palavra. “Nunca tivemos qualquer tipo de problema entre nós. Já aconteceu de, no dia do jantar, uma ou outra amiga estar sem a quantia estipulada. Todas entendemos e não deixamos que isso afete a relação de amizade. Certamente ela fará o acerto dali alguns dias ou no próximo jantar. Entre nós nunca existiu ‘calote’. A confiança é a base dessa relação que dura dez anos”, salienta Cristina, empresária do ramo gourmet.

Anfitriã do mês
O valor estipulado pelo grupo é de R$ 350 por pessoa. A cada mês, uma contemplada abre as portas da sua residência e recebe a quantia de seis participantes. Ao todo, são R$ 2.100, sem contar o investimento da anfitriã. “Eu aproveito esse dinheiro para investir numa viagem, comprar dólares ou euros”, diz Lúcia, funcionária pública e professora. “Encaro essa poupança forçada como uma forma leve de economizar e ter dinheiro num momento de sufoco financeiro. E também de diversão, pois a vida é estressante e estar com amigas é sempre muito bom”, finaliza Vânia, do ramo de estética.
Para a professora aposentada Geo, o encontro é mais prazeroso pela alegria de se reunir com as amigas do que necessariamente pela poupança. Para ela, a estratégia é positiva. “Acredito que a maioria das pessoas que fazem esse tipo de investimento não atua efetivamente no mercado financeiro. É uma forma gostosa e saudável de economizar”, finaliza.
Formando poupadores
Segundo especialistas financeiros, o “bolão”, ou “consórcio entre amigas”, é um meio para formar poupadores. Além disso, é uma ajuda mútua, porque não há rentabilidade, uma vez que a anfitriã do mês recebe o dinheiro e paga mensalmente o mesmo valor para as demais participantes. Trata-se de um empréstimo sem juros. Isso funciona perfeitamente bem entre amigos que têm, inclusive, a liberdade para escolher um mês que mais precisem financeiramente. “Já aconteceu de uma de nós precisar do dinheiro em determinada data e pedir para ser a escolhida de tal mês, ou por conta de uma viagem, festa de aniversário, inauguração de um negócio, uma necessidade qualquer. Todas entendem e abraçam a proposta, revela Mônica. “Quando entrei no consórcio, meu objetivo era poupar. Mas hoje, acima de tudo, está a alegria de reencontrar amigas, de rir e de trocar confidências. O que se fala nas reuniões, morre ali. Ninguém leva para fora, somos amigas que não se veem com frequência, mesmo porque cada uma tem um estilo de vida. Mas prevalecem a confiança e o carinho. Uma por todas e todas por uma”, completa Helen.

Informalidade
Outro tipo de consórcio informal entre amigas tem sido o de maquiagem e cosméticos. Acontece nos mesmos moldes que o de dólares ou reais. Geralmente, uma das participantes atua na área de make e fornece os produtos. Como exemplo, dez mulheres que durante dez meses pagam uma determinada quantia e cada uma é sorteada a cada encontro. A maioria participante adora porque é um jeito de adquirir vários produtos e de sua preferência. Já os homens optam pelo mesmo formato, mas para adquirir vinhos. Os apreciadores e conhecedores encontram nessa forma de consórcio uma ótima opção para aumentar os produtos de suas adegas. Além de, a cada jantar de sorteio, saborear um tinto de Bordeaux de excelente safra! No final é sempre a mesma intenção: reunir-se com amigos ou amigas, ou até casais, que uma vez por mês se encontram para comer, beber e se divertir!


Uma excelente estratégia pra guardar um dinheirinho beijos
Muito legal,uma maneira divertida de se reunir e poupar!!!
O melhor do consórcio, é reunir um grupo bacana de amigas.