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Aprenda a dizer não!

29 de agosto de 2017 por Claudia Costa 4 Comentários

Por Elisiê Peixoto

 

Dizer “não” é libertador! (pixabay)

“Hoje eu não posso” era uma frase que não estava no meu vocabulário. Custei a aprender que dizer “não” ao outro, em várias situações, é dizer “sim” a si mesmo. É respeitar a si próprio, dar-se a oportunidade de escolher.

Desde que me conheço por gente sou uma pessoa que acumula funções, gosta de desafios, me viro nos trinta em qualquer situação. Desde criança sou assim. Minha mãe costumava dizer que eu era ligada em 220 volts e que na infância era a mais travessa da rua, a que dormia mais tarde e acordava mais cedo. E, sei lá, acho que isso não se aprende, faz parte da personalidade, da forma de encarar a vida. Se precisa fazer, vou lá e faço. Muito difícil eu delegar alguma função, não gosto, não me sinto à vontade, e continua sendo assim desde muito jovem.

Entretanto, algo eu precisei aprender com os anos e me custou um exercício diário e difícil. Tive que aprender a dizer “não”. Durante muito tempo, mesmo contrariada, não conseguia dar uma negativa a qualquer pessoa deste mundo. Era tamanha dificuldade que os vendedores me levavam no bico tranquilamente. Já voltei para casa com peças de roupa que nunca usei na vida. No dia seguinte à compra, eu olhava aquilo e me perguntava: “Qual a razão de eu ter comprado isso?” Mas comprava… porque tinha dificuldade de falar “não quero”, “não gostei”, “não preciso”, “jamais usarei isso”.

Precisava me virar “nos trinta” pra dar conta de tudo! (Pixabay)

Essa falta de firmeza alcança todas as relações e situações. Quantas vezes fui a festas que não tinham absolutamente nada a ver comigo porque temia magoar o dono da casa? Mesmo enrolada com mil coisas, eu dava um jeito, mas não deixava de ir. Ficava quieta num canto e contando os minutos para ir embora. Mas não negava o convite. No colégio, eu estava sempre pronta a ajudar nas tarefas escolares dos amigos de classe. Outras vezes, e não foram poucas, acabei cedendo a um pedido que eu tinha certeza de que iria me causar danos. Durante uma vida toda foi assim. Até que isso se tornou um problema de fato, porque falar “sim” o tempo todo tem consequências.

Quando nos destinamos a ser “pau para toda obra”, estamos abrindo um leque de opções. Você sempre será a amiga mais boazinha e que dará o ombro em toda e qualquer situação, será a pessoa a quem fatalmente alguém pedirá um empréstimo, aquela que estará detonada todo final do dia porque correu para atender a parentada e acabou se esquecendo dela própria. Ou, quem sabe, acabará o final de semana indo a um restaurante que não gosta para agradar o namorado, mudando o roteiro de uma viagem para agradar as amigas, abrindo mão de dormir até mais tarde porque precisa atender um cliente num domingo pela manhã.

Costumo dizer que aprender a dizer “não” é um desafio constante. “Hoje eu não posso” era uma frase que não estava no meu vocabulário. Custei a aprender que dizer “não” ao outro, em várias situações, é dizer “sim” a si mesmo. É respeitar a si próprio, dar-se a oportunidade de escolher. Há pessoas que dizem “não” com a maior naturalidade. Pouco se importam se aquilo magoa, ofende, fragiliza alguém. E seguem com a vida delas. Conheço um monte delas. Creio que são bem determinadas e não perdem o sono por pouca coisa. Mas para mim, que precisei de coragem e ousadia, dizer “não” foi libertador.

 

Dizer “sim” a tudo e a todos acaba comprometendo o emocional e a saúde! (PIxabay)

E tem mais: algo importante que aprendi nesse exercício é que ninguém tem obrigação de concordar comigo, fazer tudo o que eu queira, pensar da forma que eu penso, apenas porque eu sempre dizia “sim” a todos. Quando foi que descobri tudo isso? Quando a minha saúde estava pedindo arrego, quando meu sono estava comprometido, minhas relações interpessoais esgotadas. Ser boazinha o tempo todo suga nossas forças.

A lição que tirei é que, mesmo aprendendo a me impor, somente na maturidade e a partir dos “nãos” que começaram a sair da minha boca, muita gente desapareceu, alguns pedidos ficaram engavetados e convites sumiram. Permaneceram os amigos verdadeiros, os lugares que realmente me fazem bem, as escolhas que somam. Não carrego mais culpa se não posso fazer, não enrolo se não quero ir, não fico quieta se discordo. Para finalizar, uma dica: um grande problema na sua vida pode começar quando se diz “sim” para a pessoa ou a situação errada. Um “não” pode ser assertivo. E você tem todo o direito de não querer, não fazer e não concordar.

Quando você começar a dizer não, prepare-se para ficar sozinha. Mas ainda assim vale a pena. (Pixabay)

Arquivado em: Cá pra nós

Sobre Claudia Costa

Claudia Costa foi editora Folha de Londrina, suplemento da Folha da Sexta, durante 13 anos, e há mais de 17 anos está atuando em comunicação corporativa e marketing. Trabalhou nas empresas Unimed Londrina, Sociedade Rural do Paraná e Unopar. Atua na assessoria de imprensa e comunicação para AREL, SINDICREDPR e diversos profissionais liberais, principalmente, na área da saúde e diversas áreas de prestação de serviço.

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Comentários

  1. Geo montoza diz

    29 de agosto de 2017 em 11:04

    Claro e direto , bom texto de alerta às pessoas boazinhas. Dizer “não” é da maior importância. Usar com sabedoria também.

    Responder
  2. Ana Lucia diz

    29 de agosto de 2017 em 11:08

    Aprender a dizer não, de fato é um desafio constante. Muito bom texto.

    Responder
  3. Marilena Gardano diz

    29 de agosto de 2017 em 12:19

    Esse texto me retratou.
    Faz muito pouco tempo que comecei a dizer não. Mesmo assim as vezes me machuca ..Aprendo um pouco todos os dias, inclusive com esse texto tão bem escrito.

    Responder
  4. Suze Borda diz

    29 de agosto de 2017 em 13:24

    Aprender a dizer “não” é libertador. Retrata muitas pessoas. Ótimo texto.

    Responder

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