
Ainda gosto de folhear livros velhos, tenho muitos, com anotações e rabiscos. Gosto de ter em mãos a minha primeira Bíblia, com uma dedicatória feita em 1998, presente de uma amiga: cheia de marcações, com datas, nomes de pastores, igreja. Adoro os álbuns de capa dura, com fotos já grudadas no plástico por causa do tempo. Mas não importa. Lá está um pouco da minha vida.
Essa mania de guardar fotos, cartinhas de filhos, cartões de presente, peças de decoração, acredito que tenha herdado da minha mãe. Não sou uma pessoa que revive passado, nem gosto, se passou, vira-se a página sideeffects.com. Mas há recordações que fazem bem. Por isso me organizei ao longo dos anos, guardando tudo de forma fácil e prática para mostrar aos filhos (que não têm muita paciência para ver e escutar) e, de alguma forma, para mim mesma. Esta crônica escrevo em meio a um festival de lembranças que estou encaixotando para colocar em outro armário, etiquetando algumas pastas e aproveitando para reviver, dar risadas e até me emocionar.
Acho importante guardar coisas que trazem boas recordações. Até porque a nossa memória vai falhando com o tempo pela idade e pelo acúmulo de coisas na cabeça. Aí, quando você encontra uma foto sua, grávida, dois dias antes de ganhar sua primogênita, e outra em seguida com o bebê no colo, dá uma saudade gostosa que leva imediatamente há 36 anos que voaram. Ou, então, quando seu segundo filho aparece no colo da avó materna na temporada de férias, aos 3 anos de idade, na casa que serviu de cenário para tantos acontecimentos. Ou outra recordação da primeira vez que você viu neve, da primeira viagem que fez com uma amiga à Europa. Ou quando você encontra uma tela desenhada por um artista de rua em Paris e que simplesmente a presenteou; quando abro uma caixinha de música que foi da minha mãe e ainda funciona ou um chapéu Panamá que ganhei de um amigo de trabalho, uma figa de marfim e ouro dada pela minha avó materna (não uso, mas guardo com muito carinho).
Sou dessas que gostam de ter para reviver, não para sofrer, mas para agradecer a Deus pelas boas oportunidades que tive na vida na companhia de pessoas que amo. Uma grande maioria das pessoas revive com tristeza porque não está mais naquele lugar ou porque não vive mais aquela época. Mas eu penso justamente ao contrário. Que bom poder ter vivido tudo aquilo e hoje poder falar apenas com um leve sabor de saudosismo, mas de forma até divertida. Acabo rindo muito de algumas fotos com aqueles trajes estranhos que usávamos e totalmente caídos de moda. Recordações do local onde trabalhei por 20 anos e que era uma redação barulhenta, com amigos de muitos anos, diariamente lado a lado e que só me acrescentaram.
Nesta época em que a tecnologia está inserida em nossas vidas, claro que sentimos alguma saudade. Ainda gosto de folhear livros velhos, tenho muitos, com anotações e rabiscos. Gosto de ter em mãos a minha primeira Bíblia, com uma dedicatória feita em 1998, presente de uma amiga: cheia de marcações, com datas, nomes de pastores, igreja. Adoro os álbuns de capa dura, com fotos já grudadas no plástico por causa do tempo. Mas não importa. Lá está um pouco da minha vida. Lá estão momentos com meus pais, meus filhos, o pai dos meus filhos, meu casamento, meus amigos de 40 anos, minha primeira gestação, a minha festa de 15 anos e a da minha filha também.
Esta semana fiz algo que me deu intensa alegria. Abri uma caixa com roupinhas de bebê que foram dos meus filhos. Blusinhas de cambraia pagão bordadas à mão, vira mantas, mantas de tricô, camisola de batizado! Havia me esquecido disso tudo. Levei para lavar, engomar e preparei uma caixa bonita para guardar. Não tenho netos ainda, mas guardei essas roupinhas já pensando neles. E, ao pegá-las, recordei da minha maternidade, de como foi bom ter meus filhos nos braços e acompanhá-los por uma vida.
Também tenho lembranças do perfume da minha mãe que ela usou a vida toda, uma água de colônia que não encontro mais para comprar. Uma pena, mas ainda tenho uma echarpe florida que a minha mãe adorava, e que guardo na primeira gaveta da cômoda. E que mantém, ainda não sei como, o cheiro gostoso dela. Então é isso.


Elisiê, tb tenho essas recordações! Bom D+! Tenho mtas páginas da Folha da Londrina , da sua coluna , marcando os momentos da minha família (principalmente da Aline) ! Vc fez parte das nossas vidas ,obrigada por todo carinho dado !
E, vamos abrir as caixinhas …
Namaste🙏🙏😘😘
Elisiê que coisa gostosa bateu agora com suas lembranças viajei com seu depoimento aqui!!! Qta saudade de tdo que passou!!! São recortes de jornais, roupinhas das meninas 🥰 que saudade me deu!!! Bom ter vc pra nos recordar e lembrar pelo que passamos!!! Bom ter vc junto de nós!! 🥰🥰 bjo gde no ❤️
Vc faz parte viva das minhas lembranças .
Bela reflexão minha amiga… me levou para algum lugar gostoso… obrigado.
Nosa, a mais pura coincidência… fiz essa arrumação há pouco tempo . Como guardamos coisas. Nossas e dos nossos filhos que já saíram de casa. Transformei-me em fiel guardiã de inúmeros objetos que eles nunca vão levar mas não dos quais nao querem se desfazer. Lembranças adoráveis. Bem proposital seu texto
Amei…. me fez relembrar de muitas coisas.
😘🙏
Também tenho um baú cheio de recordações, e muito bom relembrar e viver-los novamente!!!
Vc escreve sobre coisas que nos trazem a memória tanta coisa importante.
Que bom tê la sempre por aqui
Prazeroso por demais ler o q vc escreve
um abraço carinhoso