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Dulce Quental: Fantasmas, Fantomas e Fantasias 

19 de novembro de 2021 por Claudia Costa Deixe um comentário

Chegando às plataformas digitais hoje (dia 19/11, a partir das 18 horas) , Apenas Uma Fantasia, novo single de Dulce Quental, é o primeiro de seu novo álbum, Sob o Signo do Amor, e revela uma artista que se reinventa de acordo com seu tempo. O lançamento do disco está previsto para início de 2022.

A cantora Dulce Quental foi vocalista da banda Sempre Livre na década de 80 .Foto: Nana Moraes

Por Jonas Sá

Para falar do dilema da vida no caos das redes sociais, onde nos desencontramos dos nossos desejos autênticos em meio à multidão de miragens digitais, a cantora e compositora se entrega a metalinguagem e reestrutura sua própria canção.

Livre e inventivamente, recorta versos e vozes e os cola onde lhe parece interessante. Pratica, por meio dessas e de outras colagens, a mesma “desordem da imaginação” que salta dos versos por ela escritos e cantados.

A faixa se desenvolve em caminhos capilares, sem nunca olhar para trás. A música nunca volta ao mesmo arranjo de antes e a canção, de forma repentina e natural, se torna um rap.

Pairando sobre batidas sincopadas de MPC, coros harmônicos, matizes de sintetizadores analógicos e as guitarras inconfundíveis de Pedro Sá (produtor do disco, assim como eu), Dulce canta e versa sobre fantasmas mentais, corta pensamentos metafísicos com o celular e, em seguida, faz o paralelo entre smartphone e o lago de Narciso. Tudo isso para concluir que corpo e mente se nutrem de fantasias e que o desejo é uma condição inegociável do ser-humano.

“Essa canção é apenas uma fantasia”, canta uma Dulce Quental que nunca ouvimos, projetada para fora da explosão de quem ela é causa e consequência; como a estrela dançante de Nietzsche, impulsionada pela força do caos.

Single: Apenas Uma Fantasia

Lançamento: 19 de novembro de 2021

Pre-save:

Produção: Jonas Sá & Pedro Sá

Arranjo: Jonas, Pedro & Dulce Quental

Mixagem: Duda Mello

Masterização: Ricardo Garcia

Capa: Rodrigo Sommer

Foto: Nana Moraes

Produção artística & visage: Rodrigo Bastos

Assessoria de imprensa: Eliane Verbena

Lançamento: Cafezinho Edições & Produções Musicais

Voz: Dulce Quental

Baixos, Guitarras Base, Wah & Solo: Pedro Sá

Coros, MPC, Piano Fender Rhodes, Sintetizadores Grain Sample Manipulator (Reason), Korg Polysix, Minimoog, Yamaha CS-50 & Arp Oddissey : Jonas Sá

Guitarra: Thiago Nassif

 Letra

Apenas Uma Fantasia | (Dulce Quental)

É apenas uma fantasia / E você não consegue abrir mão / Vencida a validade / Desconectada da ação / São apenas fantasmas / Sem sangue nas veias / Vivendo do passado / Como religião.

 Essa canção é apenas uma fantasia / essa canção / não tem um fim / essa canção é apenas uma fantasia / são só palavras e a língua na boca / e aboca quando diz não.

 Não há vida que não passe agora / por alguma forma sem razão / não há vida que não passe agora / por alguma ordem de destruição / não há corpo que não seja resto / cinzas de uma velha paixão / não há corpo que não seja gozo / pela desordem da imaginação.

 Essa canção é apenas uma fantasia / mas o que pode, o que quer essa língua / esse cisco no olho do tempo / Tecendo rios / Rios de pensamentos / Rede de sentidos em correntes flutuantes / no espaço das cidades do interior / Plasma, língua acesa, mariposa, coisa vaga / A vertigem de um fantasma na sala de jantar.

 Apenas uma fantasia / Que não é perfeita como as luzes de neon / dos abjetos objetos da nossa servidão / A servidão humana / Oca / Oca e informatizada pelas tecnologias do eu / Mas o que pode o que quer essa língua / O carnaval, a alegria / e essa fantasia / Resto de pulsão, sexo consumado / Buraco sublimado da nossa condição / A condição humana / O celular / Narciso do outro lado / Tá tudo dominado / (Tá tudo dominado?) / Mas o que pode, o que quer essa magia? / O desejo.

 Mas o que quer, o que pode essa língua / esse cisco no olho do tempo / Tecendo rios de pensamentos / Rede de sentidos em correntes flutuantes / nos espaços das cidades do interior Plasma, língua acesa, mariposa, coisa vaga / A vertigem de um fantasma na sala de jantar.

 Apenas uma fantasia / E você não consegue abrir mão.

Quem é Dulce Quental

Como se renovar sem se tornar cinza?

Dulce Quental é mãe, cantora e compositora (não nessa ordem). Cronista em busca da poesia esquecida destes dias perdidos, Dulce  – vocalista original da banda Sempre Livre – (sobre) viveu (há) os anos 80, e procura uma forma de se renovar sem se tornar cinza. Ela ouve a voz da chuva, acredita no poder do desejo, e brinca de amar o cinema, a música e a vida. Gravou cinco discotecas: “Avião de Combate” (CBS-1984), “Délica” (EMI-1985), “Voz Azul” (EMI-1988), “Dulce Quental” (EMI-1989) e “Beleza Roubada” (Cafezinho Música / Sony Music – 2004). Formada em comunicação social, colaborou com resenhas de livros para o Caderno Ideias do Jornal do Brasil e artigos para a Revista de Estudos Femininos da UFRJ. Destacou-se principalmente como compositora tendo sido gravada por artistas dos mais variados segmentos. Realizou belas parcerias com Roberto Frejat, George Israel, Paulinho Moska, Ana Carolina, Zélia Duncan, Toni Garrido, Celso Fonseca, Zé Manoel e Paulo Monarco, entre outros. O quinto disco de carreira, “Música e Maresia”, saiu em LP, em 2016, e registra gravações realizadas nos anos 90. O LP lançado no mesmo ano virou especial de TV no Canal Brasil. Nele Dulce faz uma  retrospectiva da carreira. Em 2012 reuniu em um livro as “Caleidoscópicas”, mais de 40 crônicas escritas para o site paulista Scream & Yell, que depois virou coluna no iG e seguiu seu caminho pelas ruas da internet. A artista se apresenta pelo país não só como cantora, mas também como palestrante, em seminários, jornadas literárias e congressos, quando narra a sua experiência como compositora, autora e pesquisadora das palavras. Participou da V Jornada Internacional de Mulheres Escritoras, do I Congresso Nacional de Literatura e Gênero, e do Seminário de encerramento do Pacto Nacional pela Educação na Idade Certa. Trabalha também como profissional de música independente assessorando artistas e prestando serviços para o mercado de música independente.

Arquivado em: Vale a pena

Sobre Claudia Costa

Claudia Costa foi editora Folha de Londrina, suplemento da Folha da Sexta, durante 13 anos, e há mais de 17 anos está atuando em comunicação corporativa e marketing. Trabalhou nas empresas Unimed Londrina, Sociedade Rural do Paraná e Unopar. Atua na assessoria de imprensa e comunicação para AREL, SINDICREDPR e diversos profissionais liberais, principalmente, na área da saúde e diversas áreas de prestação de serviço.

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