
Por Claudia Costa e Elisiê Peixoto
Foi-se o tempo, felizmente, que cozinhar era um ato exclusivo das mulheres. Normalmente, quando o homem vai para o fogão, o cardápio é dos mais saborosos. Muitos encontram prazer na culinária e uma maneira de relaxar das atividades estressantes do dia a dia. Eles curtem cada detalhe, como a ida ao supermercado para escolher cada ingrediente, tempero, e principalmente servir as iguarias para seus convidados. O resultado não poderia ser melhor: cardápios saborosos e fãs de sua culinária. Vejam as histórias de profissionais competentes em suas áreas e que são chefs de cozinha respeitados e admirados por seus familiares e amigos.
Churrasqueiro detalhista
Antenor Ribeiro, ex-vereador de Londrina e atual chefe da Ciretran/Detran é um grande cozinheiro. Todo final de semana ele pilota o fogão ou a churrasqueira em sua casa, que possui um espaço aconchegante onde reúne os amigos e familiares enquanto produz seus cardápios preferidos, como churrasco ou quibe (cru, assado, frito), dentre outros pratos. Ele é um cozinheiro detalhista que quando vai preparar quibe, por exemplo, gosta até de moer a carne. “Comprou uma máquina de moer especialmente para produzir seus pratos”, entrega a esposa Neli Ribeiro.
Quando prepara sua outra especialidade, o churrasco de picanha ou de costela, Antenor curte até a ida ao açougue para escolher o melhor pedaço de carne. “O próprio açougueiro já sabe como eu gosto e indica qual o melhor pedaço. Não gosto de comprar picanha embalada a vácuo. Ter amizade com os açougueiros é fundamental porque facilita muito, eles já entendem o gosto do cliente e até indicam qual carne devemos ou não comprar”, diz. O ex-vereador explica que aprendeu a fazer churrasco com os gaúchos, que usam apenas o sal grosso no preparo. Ele morou em Porto Alegre em 1974.

Antenor dá uma dica para quem deseja começar a cozinhar: “Não tenha preguiça. Quando vou preparar costela para o almoço, por exemplo, eu a coloco no fogo às 8 da manhã. Tenho prazer em cozinhar, gosto de servir as pessoas, mas quando vou para a cozinha não gosto de ninguém me atrapalhando, apenas a Neli que me ajuda preparando os complementos como salada, farofa e sobremesa”, salienta.
Cozinha cultural
O médico ortopedista Herculano Braga Filho começou a cozinhar há sete anos por causa de um problema de saúde. Ele precisava emagrecer 30% do seu peso, então decidiu que iria aprender a produzir seus pratos para ter um cardápio saboroso, diversificado e de baixas calorias. Naquela época, ele emagreceu 35 quilos.

Admirador do chef Jamie Olivie, do Reino Unido, pela praticidade na maneira de cozinhar, Herculano Braga diz que gosta de preparar diversos pratos. “Para mim, cozinhar é um ato de amor e respeito. É mais importante do que dar flores para a pessoa amada”, filosofa. O médico salienta que a sua “cozinha é cultural” e bem prática, pois pesquisa a origem dos pratos e segue à risca a maneira de preparar e os seus ingredientes. Ele explica, por exemplo, que o macarrão à moda carbonara não leva creme de leite, como muitos acreditam. A receita original de Roma é preparada com ovos, queijo parmesão, queijo pecorino romano, toucinho, pimenta-preta e banha, azeite ou manteiga. Um dos cardápios famosos preparados pelo médico Herculano é a paella, um prato espanhol que surgiu no século XV, quando os camponeses saíam para o trabalho levando arroz, óleo de oliva e sal, além do recipiente para cozinhar: uma panela redonda com alças, ampla e rasa, chamada de paella. “Em uma hora e meia a minha fica pronta. Gosto de praticidade”, ensina.
Autodidata e criatividade
O empresário Mauro Donald Valente, 79 anos, conta que nunca fez qualquer curso de gastronomia, mas que ao passar as férias no litoral, sem poder ficar exposto muito tempo ao sol, encontrou na arte de cozinhar uma forma de distração. “Acompanhado da minha família, viajava nas férias para uma casa que tínhamos na praia. Como não podia ficar muitas horas na praia, assumia a cozinha e procurava inventar pratos. Isso já tem 50 anos. E, desde então, nunca mais parei, testando, conhecendo aromas e sabores, ingredientes. Cozinhar desafia nossos sentidos, deve ser a razão de despertar tanto fascínio nas pessoas. Tornou-se um prazer e me desligo da rotina”, comenta.

Mauro é excelente cozinheiro, fato comprovado pelos amigos que adoram saborear as suas massas e risotos, peixes, frutos do mar, filés. “Sempre tem algum prato mais requisitado. O meu, certamente, é o filé ao molho de frutas secas e especiarias. Também capricho no barreado, ossobuco, galinhada, arroz de carreteiro, bacalhoada, moquecas, feijão gordo acompanhado de um belo churrasco”, revela. Acostumado à cozinha que é muito bem equipada, por algumas vezes divide o fogão com a esposa Elza. “Ela não cozinha com tanta frequência. Mas, quando faz, é detalhista. Sua feijoada é maravilhosa e prepara as massas caseiras com ovos caipiras. Fica excepcional. Mas o molho é por minha conta, então acabamos fazendo a quatro mãos”, finaliza.
Precoce na cozinha

O talento para cozinhar foi despertado cedo na vida do advogado Dimas José de Oliveira, 63 anos. “Aos 14 anos eu já tinha vontade de mexer com panelas, ingredientes, conhecer receitas. Foi uma descoberta movida pela necessidade, depois fiz cursos e fui aprimorando os conhecimentos. Cozinhar requer amor, criatividade e paciência. Interpreto como uma forma de amor ao próximo. Afinal, quando você prepara um belo prato para os amigos, demonstra carinho, consideração”, comenta. A paella, sem dúvida, é o prato mais elogiado e requisitado. E a esposa colabora. “Quando entro na cozinha e coloco o meu avental, ela está lá, me ajudando.” Questionado sobre um prato de sua preferência, ele enfatiza: “Adoro macarrão com trufas negras”, sempre uma excelente opção, apesar de um pouco ‘salgado’ no preço. Mas é delicioso”.
Fogão a lenha
Adalmir Garutti, corretor de imóveis, 57 anos, começou a cozinhar aos 12 anos, quando ia para a fazenda com o pai. “Comecei ainda criança, fazendo macarrão, aprendi observando a minha mãe cozinhar. Depois, quando adulto e já residindo fora, tive que me virar. Pedia receita para a família, experimentava. Depois de casado, comecei a cozinhar para os filhos e aí os amigos foram chegando e aprovando. Adaptei uma cozinha às minhas necessidades, adoro um fogão a lenha. E estou sempre na internet, em busca de receitas, além de comprar livros de gastronomia”, revela o corretor que não usa nada industrializado. “Os molhos que preparo são todos com ingredientes naturais, minha galinhada é saborosa, meu molho é especial e amo uma comida de fazenda, bem temperada.”

Adalmir chega a cozinhar para 30 pessoas se for necessário. “Não me aperto, faço com prazer. Trabalhei muitos anos com escoteiros. Nos acampamentos éramos em muitos, e acabei ensinando aos meninos a prática de cozinhar. Também adquiri certa experiência em beira de rio. Pescava e lá mesmo preparava o peixe.” Aos domingos, o corretor assume o fogão e sempre prepara algo para a esposa e os filhos. “Minha esposa não cozinha, deixa a meu cargo. E, como eu adoro, não acho ruim. Minha alegria é ver a família saboreando um prato que preparei para o almoço dominical.”


Não sou tão “chef” quanto eles mas tb acerto em algumas receitas.
Muito show Elisiê Peixoto.
Show Elisiê
Gente!!! Típica matéria gostosa. Ainda mais na hora do jantar! Quanto ao talento do Mauro Valente, para a cozinha, já tive a satisfacão de experimentar algumas vezes. Assim como a alegria, o bom humor e o carinho com que ele recebe os convidados.
Que maravilha, os grandes chefes a maioria são homens;eles estão de parabéns !!!
Ja comi diveraos pratos feitos pelo Mauro Valente e posso dizer que sao maravilhos, mais os meus preferidos sao a galinhada e o feijao gordo que ele faz, realmente ele e um ecelente cozinheiro e pessoa.
Matéria muito agradável de lêr !!! Os homens se esmeram qdo gostam de cozinhar…tenho.um em casa q está sempre ” a caça” de uma nova receita ☺!!!
Que delicia . Deu fome e vontade de comer todos os pratos
Ainda bem que tenho meu Antônio para cozinhar para mim! 😄