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Falar menos, escutar mais

14 de setembro de 2017 por Elisiê Peixoto 3 Comentários

Por Elisiê Peixoto

Devemos ser donos da nossa boca para não sermos escravos das nossas palavras. Porque palavras ecoam, tomam uma proporção grande, atravessam oceanos. E causam um estrago enorme

 

Já tem algum tempo que aprendi a arte do calar. Eu, que sempre gostei de falar, conversar, conhecer, perguntar, comecei a emudecer diante de situações e pessoas. Eu achava que nunca na vida conseguiria ficar quieta diante de algumas colocações e até ofensas. Mas, ao entrevistar um coach, ele me alertou: o “calar”, muitas vezes, diz muito mais do que o “falar”. Na verdade, o silêncio é cheio de significados. Sinceramente, deixar de responder e de argumentar tem me feito mais feliz. Mesmo eu sabendo que esteja com a razão em diversas vezes.

Vez ou outra, fico sabendo de pessoas que se colocam em situações complicadas e até desafiadoras porque falam demais. A propósito, sabem demais, julgam demais, comentam demais. Professores de Deus existem aos montes, não é mesmo? E haja paciência. E não me façam perder tempo ao lado deles, mesmo porque eles sabem tudo e eu não acrescentaria nada! E aí, dobre a paciência!

Creio que o silêncio tem o seu lugar. É tão bem-vindo que revela uma sabedoria que ao longo da vida se vai conquistando ao falar aquilo que edifica, soma e beneficia. Respostas atravessadas nunca vão ajudar em nada, discursos longos entendiam, fofoca causa mal-estar e traz problemas, uma conversa a mais pode criar um mal-entendido pelo resto da vida. Nós precisamos saber calar em dados momentos, e agir como pacificadores, sem colocar lenha na fogueira e lançar palavras que certamente não voltam vazias, mas com mágoas e rancores.

A prudência é disciplinadora. A gente aprende com ela e colhe bons frutos. Saber falar oportunamente é tão inteligente quanto calar no momento certo. Algumas vezes basta um olhar para a pessoa decifrar um discurso inteirinho. Não sei se aconselho bem, mas meus filhos não falam pelos cotovelos. Entretanto, sabem que diante da injustiça, do preconceito, da covardia, o silêncio torna-se seu maior cúmplice, então é errado. Aí, nossa voz tem que ser eloquente, firme e direta. Mas quando um comentário é totalmente desnecessário e absolutamente em nada vai ajudar ou edificar, qual a razão de falar? Acima de tudo, não falar bobagens é mostrar sensatez.

Nem sempre o silêncio é esquecimento, nem sempre a falta de opinar é alienação, nem sempre não dizer o que se pensa é covardia. Minha mãe costumava falar que deveríamos ser donos da nossa boca para não sermos escravos das nossas palavras. Porque palavras ecoam, tomam uma proporção grande, atravessam oceanos.

A maior lição que tenho aprendido é saber que ser dona do meu silêncio me dá paz e tranquilidade. Não me considero omissa porque não discuto, não opino ou não esbravejo em algumas situações da vida e com determinadas pessoas. Considero-me inteligente, prudente, reflexiva. Diante de tantas agressões verbais, conversas interrompidas, tagarelices, calar demonstra bom senso. Desperdiçar palavras não é a melhor coisa a fazer. Mas falar no momento certo e para as pessoas certas revela sabedoria tal como este provérbio chinês: “Não abra os lábios se você não tem certeza de que o que você tem a dizer irá melhorar o silêncio”.

Arquivado em: Cá pra nós, Sem categoria

Sobre Elisiê Peixoto

Elisiê Peixoto foi colunista da Folha de Londrina durante 18 anos, lançou cerca de 30 livros. Atuou num programa semanal da extinta TV Mix, escreveu para diversas revistas, trabalha como jornalista e escritora na Editora Mondo. Como colaboradora da Ong Nós do Poder Rosa escreveu cinco livros em prol das causas da mulher. Atua junto ao departamento de marketing do Roberta Peixoto Academy.

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Comentários

  1. CAROLINA SODRÉ diz

    16 de outubro de 2017 em 10:52

    Muito bom! Não é à toa que temos dois ouvidos e uma boca kkkk. bjs

    Reply
  2. Sandra P Piazzalunga diz

    22 de outubro de 2017 em 23:08

    É bem tudo isso mesmo minha amiga!!! Descobrir o equilibrio exato entre saber calar e saber o q falar e a hora certa p isso.É libertador não se sentir obrigada a ter opinião sobre tudo …parabéns por mais um belo texto !! 😍😍😍

    Reply
  3. PAMELA MELO diz

    21 de outubro de 2020 em 11:52

    Caramba, que escritora maravilhosa, amei cada palavra. virei uma fã já

    Reply

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