
Por Elisiê Peixoto
Devemos ser donos da nossa boca para não sermos escravos das nossas palavras. Porque palavras ecoam, tomam uma proporção grande, atravessam oceanos. E causam um estrago enorme
Já tem algum tempo que aprendi a arte do calar. Eu, que sempre gostei de falar, conversar, conhecer, perguntar, comecei a emudecer diante de situações e pessoas. Eu achava que nunca na vida conseguiria ficar quieta diante de algumas colocações e até ofensas. Mas, ao entrevistar um coach, ele me alertou: o “calar”, muitas vezes, diz muito mais do que o “falar”. Na verdade, o silêncio é cheio de significados. Sinceramente, deixar de responder e de argumentar tem me feito mais feliz. Mesmo eu sabendo que esteja com a razão em diversas vezes.
Vez ou outra, fico sabendo de pessoas que se colocam em situações complicadas e até desafiadoras porque falam demais. A propósito, sabem demais, julgam demais, comentam demais. Professores de Deus existem aos montes, não é mesmo? E haja paciência. E não me façam perder tempo ao lado deles, mesmo porque eles sabem tudo e eu não acrescentaria nada! E aí, dobre a paciência!
Creio que o silêncio tem o seu lugar. É tão bem-vindo que revela uma sabedoria que ao longo da vida se vai conquistando ao falar aquilo que edifica, soma e beneficia. Respostas atravessadas nunca vão ajudar em nada, discursos longos entendiam, fofoca causa mal-estar e traz problemas, uma conversa a mais pode criar um mal-entendido pelo resto da vida. Nós precisamos saber calar em dados momentos, e agir como pacificadores, sem colocar lenha na fogueira e lançar palavras que certamente não voltam vazias, mas com mágoas e rancores.
A prudência é disciplinadora. A gente aprende com ela e colhe bons frutos. Saber falar oportunamente é tão inteligente quanto calar no momento certo. Algumas vezes basta um olhar para a pessoa decifrar um discurso inteirinho. Não sei se aconselho bem, mas meus filhos não falam pelos cotovelos. Entretanto, sabem que diante da injustiça, do preconceito, da covardia, o silêncio torna-se seu maior cúmplice, então é errado. Aí, nossa voz tem que ser eloquente, firme e direta. Mas quando um comentário é totalmente desnecessário e absolutamente em nada vai ajudar ou edificar, qual a razão de falar? Acima de tudo, não falar bobagens é mostrar sensatez.
Nem sempre o silêncio é esquecimento, nem sempre a falta de opinar é alienação, nem sempre não dizer o que se pensa é covardia. Minha mãe costumava falar que deveríamos ser donos da nossa boca para não sermos escravos das nossas palavras. Porque palavras ecoam, tomam uma proporção grande, atravessam oceanos.
A maior lição que tenho aprendido é saber que ser dona do meu silêncio me dá paz e tranquilidade. Não me considero omissa porque não discuto, não opino ou não esbravejo em algumas situações da vida e com determinadas pessoas. Considero-me inteligente, prudente, reflexiva. Diante de tantas agressões verbais, conversas interrompidas, tagarelices, calar demonstra bom senso. Desperdiçar palavras não é a melhor coisa a fazer. Mas falar no momento certo e para as pessoas certas revela sabedoria tal como este provérbio chinês: “Não abra os lábios se você não tem certeza de que o que você tem a dizer irá melhorar o silêncio”.


Muito bom! Não é à toa que temos dois ouvidos e uma boca kkkk. bjs
É bem tudo isso mesmo minha amiga!!! Descobrir o equilibrio exato entre saber calar e saber o q falar e a hora certa p isso.É libertador não se sentir obrigada a ter opinião sobre tudo …parabéns por mais um belo texto !! 😍😍😍
Caramba, que escritora maravilhosa, amei cada palavra. virei uma fã já