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Gentileza

10 de outubro de 2017 por Elisiê Peixoto 1 comentário

Gentileza, uma palavra tão cheia de significados. Respeito, educação, amor, carinho se revelam nos pequenos gestos e podem melhorar o dia das pessoas. Sem falar que gentileza gera gentileza. Vamos colocar em prática?

Por Elisiê Peixoto

 

Minha mãe costumava dizer que para conhecer uma pessoa verdadeiramente bastava observar como ela tratava os pais. Por causa disso sempre fui muito observadora, principalmente quando namorava e o moço apresentava a família. Se cometia alguma grosseria ou destratava pai e mãe, o namoro não evoluía. Talvez por eu nunca ter gritado com meus pais, respeitá-los sempre foi algo natural na minha casa, um conceito que passei aos meus filhos. Até mesmo por uma questão de educação. De que vale toda uma performance maravilhosa e educada quando se trata pai e mãe com desrespeito, gritaria e grosseria. Não vale nada.

Em tempos nos quais a gentileza anda em falta, ver uma cena educada no cotidiano sempre desperta atenção. Como aconteceu recentemente, numa fila de supermercado, onde geralmente a grosseria impera caso você saia da fila num instante perto de ser atendida para buscar um produto na prateleira. Há pessoas que não têm a menor paciência e se irritam, fazendo alguns comentários desnecessários. Pois bem, havia uma moça com um filho pequeno no colo que, ao passar toda a compra, não tinha o total do dinheiro para pagar. Ela precisaria tirar alguns produtos, o que causou um certo constrangimento. Foi quando um senhor se ofereceu para pagar a diferença, completar o valor que estava faltando. Era um homem desconhecido, que naquele momento agiu de forma gentil e principalmente solidária. Enquanto o resto da fila bufava sem a menor consideração.

Entrei no meu carro e vim embora refletindo sobre aquela situação banal, que teve um desfecho feliz por conta da “gentileza”. Que palavrinha abençoada. Aquele homem não teria qualquer obrigação com aquela mulher, eles não se conheciam, nunca se viram na vida. Mas a atitude dele revelou quem ele é. Creio que gentileza e educação vão muito além de cumprimentar o porteiro, pedir licença para entrar numa casa, falar baixo no hospital, se oferecer para carregar a sacola de compras, puxar a cadeira para uma mulher ou abrir a porta do carro. Gentileza é se dispor a fazer algo sem receber nada em troca, simplesmente pelo fato de servir, de agradar e mostrar solidariedade. Gentileza revela muitas vezes o caráter, demonstra um bom coração, o respeito ao próximo.

Adoro ser tratada com gentileza quando entro numa loja, por exemplo. Não gosto de vendedoras que se tornam insistentes ou a ignoram porque você diz que não vai levar nada. Se for gentil comigo, certamente voltarei àquela loja e comprarei algo. Admiro um senhor japonês, dono de um lava-rápido na esquina da minha casa, que me recebe sempre com um sorriso quando levo meu carro para lavar. Gosto de ir à quitanda próxima da minha quadra, onde compro verduras, porque a moça me presenteia com alguma fruta num sinal de delicadeza. Sempre volto ao restaurante no qual o garçom me chama pelo nome e se lembra do que eu gosto de beber. Gentileza não se aprende, é algo inerente ao caráter. Palavras gentis geram atitudes gentis. Um homem gentil sempre deixará boas lembranças no coração de uma mulher. Uma mulher gentil sempre fará toda a diferença na vida de um homem. Filhos gentis serão sempre bem-vindos na casa dos amigos.

Educação ensinamos aos filhos. Mas gentileza não se ensina, ela é observada e vivida. Trata-se de uma qualidade que deve ser revelada e copiada. Devemos promover gentileza porque ela desarma um coração ferido, faz sumir a hostilidade, abre portas, desmorona uma pessoa raivosa e desfaz um mal-entendido que, em muitos casos, acaba se tornando um abismo entre as pessoas.

Lembro-me de uma música (Gentileza) interpretada por Marisa Monte que diz assim: “Nós que passamos apressados/Pelas ruas da cidade/Merecemos ler as letras/E as palavras de gentileza”. É por aí. Tão bom esbarrar em gente gentil com atitudes gentis. Que podem ser atitudes pequenas, mas que ganham uma proporção do tamanho do seu coração, da sua carência e da sua busca.

Arquivado em: Cá pra nós

Sobre Elisiê Peixoto

Elisiê Peixoto foi colunista da Folha de Londrina durante 18 anos, lançou cerca de 30 livros. Atuou num programa semanal da extinta TV Mix, escreveu para diversas revistas, trabalha como jornalista e escritora na Editora Mondo. Como colaboradora da Ong Nós do Poder Rosa escreveu cinco livros em prol das causas da mulher. Atua junto ao departamento de marketing do Roberta Peixoto Academy.

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Comentários

  1. Meyre Eiras diz

    10 de outubro de 2017 em 11:16

    Texto muito bom Elisiê…..como sempre! Falar; ler e refletir sobre o ato de ser “gentil” é de suma importância nos dias atuais! Tendo em vista que esta “nobre atitude”, muito pouco exercida atualmente, é reflexo de uma sociedade cada vez mais individualista e muito “pouco” solidária. Parabéns pela escolha do tema !!! Concordo plenamente com vc….!

    Responder

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