
“A falta de civilidade no trânsito e a falta de educação das pessoas estão sempre gerando atitudes impensadas e insanas”
Por Elisiê Peixoto
Dia desses, dirigindo de volta para a minha casa, sinalizei para a esquerda, mostrando que entraria na minha garagem – como sempre faço, quase um quarteirão antes – e, ao parar em frente ao portão, um motorista parou o carro e me xingou de todos os nomes possíveis. A princípio, achei que não era comigo, porque não havia razão, mas logo constatei que a bronca era comigo sim. E bronca feia, porque “vaca ignorante” foram as palavras mais bonitas que ele gritou. Imagine o resto. Um senhor que passava pela calçada parou e ficou observando tudo aquilo, olhou para mim, penalizado, e disse: “Com certeza, este foi traído ou perdeu o emprego”. No final, o que não era uma situação para rir acabou se tornando bem-humorada. Aquele transeunte percebeu o meu susto e constrangimento e gentilmente me fez sorrir.
Quando entrei em casa, ainda com o coração disparado, sentei-me no sofá e fiquei analisando a atitude daquele motorista que nunca me viu na vida. Não estava com a menor razão e, a exemplo de tantos outros motoristas neste trânsito enlouquecido que enfrentamos diariamente, toma atitudes extremas e inconsequentes por um motivo tão banal. No meu caso, nem motivo havia. A falta de civilidade no trânsito e a falta de educação das pessoas estão sempre gerando atitudes impensadas e insanas. Se fosse outra pessoa, quem sabe, poderia ter reagido e aquilo tudo terminaria numa confusão com sérias consequências. Eu fiquei muda, temerosa, assustada, como sempre fico quando presencio uma grosseria comigo ou com o meu próximo.
Isso me levou a pensar na falta de paz interior que a grande maioria das pessoas está vivendo. Que exemplo está sendo dado para os filhos, para os netos, para uma geração que está chegando num mundo caótico, carente de gente do bem e com mais paciência? Estamos vivendo de forma tão individualista, como se o mundo fosse apenas nosso, que não dependemos dos outros para nada, como se as ruas da nossa cidade fossem feitas apenas para nós. Esta situação que vivi no trânsito acontece todos os dias e, infelizmente, com finais trágicos, como a gente vê nos noticiários com frequência. Não foi a primeira vez que vivi isso. Não tem muito tempo um moço chutou o meu carro porque invadi um pouco a faixa de pedestres. Pouca coisa, mas o suficiente para ele se achar no direito de chutar o meu carro. Agradeci a Deus por me dar forças para não revidar. Voltei para casa indignada e triste com aquela bestialidade.
Viver em sociedade requer tolerância, paciência e doação. Não sou a melhor pessoa, mas busco ter paciência com as pessoas menos esclarecidas, tolerância com pessoas que me ofendem sem razão, aceitação de regras que não podem ser mudadas. O mundo não está ao meu dispor ou atendendo apenas às minhas necessidades. Vivemos numa sociedade, muitas vezes, injusta. Mas isso não me dá o direito de ofender e atacar uma pessoa por conta dos meus problemas pessoais.
Toda atitude depende de uma escolha. E escolhas erradas num momento de raiva tendem a se tornar um grande arrependimento. Serenidade e paciência são virtudes dos inteligentes. Atitudes como as daquele motorista demonstram infelicidade, ignorância e frustração. Então… vamos ter um pouco mais de educação, meu senhor!


Bom dia,
Infelizmente, muitos nas atitudes ressaltam o que tem de pior. Já sofri essa agressão verbal no Facebook. “Vaca” e nem imagino quem seja a pessoa. Uma verdadeira provação, uma vez que como seres culturais precisamos da educação, para anular nossos sentimentos primitivos herdados de nossos ascentrais. Acredito que a falha está na educação que vem do “berço”.
Faltam mesmo educação e respeito. Sei que tem horas que é difícil ter controle , mas quando a raiva ” bate” melhor ficarmos quietos e pensar….arrependimento é uma coisa muito ruim.
Elisiê, perfeita a sua crônica. Expostas que estamos, todos os dias, nesse trânsito “estúpido”, recebemos todos os tipos de ofensas. Há pouco tempo fui tão humilhada por um motoqueiro, que não tenho nem coragem de reproduzir o que ele me falou tb. Estou procurando seguir o que meu amado pai sempre me dizia, não revide, não buzine, não, não, não…assim como vc fez, afinal somos inteligentes, não? Abraço amiga! Adoro suas crônicas! Parabéns!
Aaafff eu passo por isso direto tbém. Está todo mundo estressado, irritado, sem paciência e olha que até eu já me peguei assim com pressa, querendo chegar logo e assim perdendo a calma. Uns minutinhos a mais não valem o desgaste de uma discussão que como vc mesma disse, pode acabar até em algo pior. Muita calma nessa hora né !!!
Elisie, é exatamente isto que convivemos! Cada dia mais nos deparamos com motoristas estressados, intolerantes e sem educação. Infelizmente, uma triste realidade.
Recebi ,agorinha ,um” zapzap” mostrando uma filmagem feita numa revendedora da Toyota ! Inacreditável as cenas de violência por conta de um simples esbarrão de um carro em outro !
A que ponto chegamos ? ” Mais calma,por favor,meu senhor !”