
Por Claudia Costa
A escrivã de polícia aposentada, Izabel Urbaneja, o atendente de farmácia, Ricardo Correia, e o cabeleireiro Jesse Misael de Oliveira não se conhecem, mas têm muita coisa em comum. Os três tiveram COVID-19 e ficaram hospitalizados na UTI, onde ficaram intubados por muitos dias. A intubação Orotraqueal do paciente visa manter as vias aéreas abertas até o pulmão para auxiliar na respiração. Uma das principais sequelas da COVID-19 é o comprometimento das vias respiratórias e dos pulmões dos pacientes. O procedimento consiste em passar um tubo pelo nariz ou boca do paciente até chegar na traqueia. Lá, esse tubo é conectado a um respirador e o paciente tem uma ventilação artificial.
Felizmente os três conseguiram superar essa terrível doença, diferentemente dos mais de 604 MIL brasileiros mortos (números de vítimas do COVID-19, divulgados pelo Consórcio de Imprensa no último dia 20 de outubro).
Atualmente Izabel, Ricardo e Jesse fazem tratamentos para recuperarem-se das sequelas da doença. Nesta entrevista ao Portal IDEIA DELAS, eles falam sobre como enfrentaram a doença e como estão as vidas atualmente.
IZABEL Cristina Urbaneja, 55 anos, viúva, escrivã de polícia aposentada, e mãe de três filhos. Ela só ficou sabendo da morte do marido Marcelo Urbaneja, aos 54 anos, causada pelo COVID-19, quando teve alta hospitalar e retornou para casa.
Izabel Urbaneja é mãe de três filhos, José Augusto, 34 anos, Marcelo, 29 anos e Lucca ,21 anos. Ela é viúva de Marcelo Urbaneja, 54 anos, professor e ex-presidente do SINDISERV ( Sindicato dos Servidores de Londrina). A família Urbaneja é mais uma das milhares de famílias brasileiras que vive o drama desta Pandemia que assola o Brasil e o mundo inteiro. Izabel, os três filhos, sua mãe, o marido e sua ajudande tiveram COVID. Ela ficou intubada 21 dias, e conseguiu sobreviver a essa terrível doença, mas o marido Marcelo Urbaneja, com quem foi casada 35 anos, não resistiu. Marcelo Urbaneja, 54 anos, morreu em maio deste ano. Izabel só ficou sabendo da morte precoce do marido quando teve alta. O casal e o filho mais velho (José Augusto) ficaram hospitalizados ao mesmo tempo. Ela faz até hoje tratamento para recuperar-se das sequelas do COVID19.


RICARDO Gomes Correia, 47 anos, casado, é atendente de farmácia em Londrina, mas mora na cidade vizinha de Ibiporã. Ele foi diagnosticado com COVID-19 no dia 04 de março de 2021 e hospitalizado no dia 10. Ricardo ficou hospitalizado 43 dias, sendo que durante 15 dias ficou intubado (ventilação artificial ). Quando teve alta hospitalar, no dia 23 de abril, Ricardo foi para casa de cadeiras de rodas. O atendente de farmácia não conseguia ficar em pé e caminhar, sentia muita fraqueza muscular, pois emagreceu 22 quilos

Ricardo não havia tomado nenhuma dose da vacina contra COVID19. Segundo o atendente de farmácia, ele não estava conseguindo acessar com rapidez o cadastro de agendamento da vacina, apesar de trabalhar na área saúde. Por causa desta dificuldade, ele foi deixando para depois. Ricardo ficou hospitalizado 43 dias, e intubado durante 15 dias . Quando recebeu alta hospitalar, no dia 23 de abril, teve que ir para casa de cadeiras de rodas. Ele não conseguia ficar em pé e caminhar, sentia muita fraqueza muscular, perdeu 22 quilos por causa da doença. Após sete meses, vida está voltando ao normal. Ricardo voltou a trabalhar na farmácia em outubro. Agora já tomou as duas doses da vacina.

“Foram dias muito difíceis, mas em nenhum momento enquanto eu estava hospitalizado, passou em minha mente que eu iria morrer. Lutava dia a dia, pensando em voltar para minha esposa e filhos. A COVID-19 desencadeou vários problemas em meu organismo. Eu tive 75% dos pulmões comprometidos, embolia pulmonar, contraí cinco tipos de bactérias, e perdi 22 quilos. Eu sai do hospital totalmente debilitado, mas comecei o tratamento com uma fisioterapia logo em seguida. Minha eterna gratidão a minha fisioterapeuta Jamyle Braga, que com grande profissionalismo, amor e dedicação, usou todo o seu conhecimento para que eu pudesse ter uma rápida e eficaz recuperação. Hoje ,uso apenas um medicamento para recuperar toda a capacidade pulmonar, pois ao fazer exercícios de grande intensidade, eu me canso rápido”, salienta Ricardo Correia.

“A minha esposa Isis tem sido o meu alicerce,e amparo. Quando nossas forças se esgotaram, buscamos em Deus, por meio de Cristo Jesus, através de orações e meditações das escrituras sagradas. Isto tem nos ajudado a superar esse momento que mudou completamente as nossas vidas. Apesar de todo sofrimento, o COVID 19 abriu nossos olhos, e nos mostrou como somos frágeis e imprevisíveis. A gratidão tem sido o maior remédio, ela está em nossa alma, e em nossos lábios, pois chegamos à conclusão que seja qual for as circunstâncias, Deus tem nos concedido o privilégio de viver para superar os desafios e vencê-los”, salienta Ricardo que é casado com Isis de Paula , há 12 anos, com quem tem dois filhos, João Vitor, 14 anos, e João Miguel, 5 anos. O atendente de farmácia também é pai de Allysson, 31 anos, de um relacionamento da juventude.
O cabeleireiro Jesse Misael de Oliveira, 52 anos, proprietário do Status Cabeleireiros, de Londrina, foi diagnosticado com COVID19 no dia 13 de junho de 2021. Ele não havia tomado nenhuma dose da vacina, pois a data para a sua faixa etária ainda não havia chegado. A esposa Roseli também teve COVID-19 na mesma época que ele, porém Jesse foi hospitalizado e ela ficou em casa, recebendo tratamento domiciliar (DOM) pela Unimed Londrina. A filha do casal, Fernanda, de 28 anos, também teve a doença em dezembro de 2020, mas não chegou a ser hospitalizada.

“Fiquei internado por 42 dias, sendo que durante 15 dias fiquei intubado. Perdi mais de 20 quilos. Tive muita perda muscular e perdi a voz. Hoje em dia faço fisioterapia para me recuperar das sequelas. Estou melhorando a cada dia e voltando a nossa rotina. Sempre tive muita fé e força de vontade, recebi muito apoio da minha família e amigos. Sou grato a Deus por estar vivo e bem, já estou trabalhando em meu salão ao lado da minha filha, esposa e pais”.

Fotos: Arquivo pessoal
Agradecimento: Banner/ Vladmir Farias


Excelente matéria Claudia.
Parabéns !!!👏👏👏
Excelente matéria Claudia.
Parabéns 👏👏👏
Claudia Costa, sempre com temas bem atuais e muito interessante. Ótima matéria!
Que ótima matéria Claudia. Uma doença triste mesmo. Ainda que o Brasil esteja avançando nas vacinas, a responsabilidade é de todos.
Muito pertinente o assunto em voga, ainda não acabou, todo cuidado é pouco diante de tantas perdas. Meus sinceros sentimentos às famílias enlutados.
Como é bom ver o amigo Ricardo contando sua história! Foram dias difíceis, mas Deus foi maravilhoso!
Parabéns pela matéria!
Excelente matéria. Muito bem escrita, de forma informativa e humana. Parabéns. As pessoas merecem um espaço de comunicação como este, isento, inteligente, sensato. Agradável surpresa.
Obrigada Gaziella, por seu incentivo e apoio ao nosso trabalho.