
Logo na entrada da Boulangerie Molina, o aroma é delicioso. O pão é a figura principal e está nas prateleiras em diversas versões. A loja virou o reduto de pessoas que valorizam a arte da panificação tão bem praticada por Wanderley Molina.
Por Elisiê Peixoto
Wanderley Molina, aos 72 anos, é exemplo de superação e determinação. À frente da Boulangerie Molina, deu uma virada na sua trajetória profissional, quando concretizou um sonho, que de hobby se transformou numa profissão rentável e que se tornou o negócio da família. De um jeito ou de outro, Wanderley sempre esteve envolvido com gastronomia, afinal, seu pai, Juan Capel Molina, falecido em 2000, foi o fundador d’O Casarão, restaurante que fez história em Londrina. Mas engana-se quem acha que Wanderley trabalha no setor há muito tempo. O início foi há dois anos, quando se reinventou, tomou coragem e foi à luta.
Formado em Química Industrial e Engenharia Química, na Faculdade Osvaldo Cruz, em São Paulo, o filho único da dona Maria e do seu Molina trabalhou durante anos com o pai na empresa Reifor, mas sua paixão sempre foi a química, chegando a estagiar na então Fleischman & Royal, quando aprendeu sobre pães, fermentos e massas. Nessa mesma época, conheceu o padeiro Benjamin Abrahão, de quem fala com um certo saudosismo. “Ele era uma pessoa incrível, nos tornamos amigos e conversamos muito, aprendi com ele várias coisas. Benjamin Abrahão era uma sumidade no setor, conquistou vários países com sua expertise em panificação e ministrou vários cursos. Ele faleceu, mas deixou um legado, além de livros e receitas pelo mundo afora. E foi o primeiro padeiro a levar e a trazer produtos do Exterior para o seu negócio. Um homem admirável”, relata Wanderley.

Uma paixão antiga
Pesquisador e apaixonado pela área de panificação, o londrinense, que já tinha amplo conhecimento sobre química, foi se especializando, fazendo cursos, cozinhando para amigos e familiares. “Comecei para consumo próprio, mas a coisa foi crescendo, comecei a pegar encomendas, criei um grupo de WhatsApp, e de repente percebi que estava envolvido o suficiente para abrir um negócio próprio. Sempre contei com a ajuda da minha esposa Silvia e das netas que me deram apoio e incentivo. Para trabalhar nessa área é preciso gostar e ter disposição. Acordo diariamente às 4 da manhã já com a mão na massa. E, antes de dormir, também deixo tudo preparado. Meu dia é envolvido com os pães”, ressalta.


Foi em 2015 que o casal Molina deu o start para o negócio. Morando num bairro e cercados pela vizinhança conhecida e amiga, Silvia e Wanderley iniciaram com poucos pedidos e atendendo como podiam. Hoje, instalados numa confortável casa na Rua La Paz, abriram uma boulangerie, com um espaço de vendas e pedidos, decorado com peças charmosas herdadas da antiga casa do casal. Tudo simples, aconchegante, harmonioso. “Aqui buscamos dar um atendimento gentil e próximo”, revela o empresário.
Família envolvida
A família tem um papel importante na construção do negócio, porque todos contribuíram. Desde a logomarca atribuída ao filho Rafael, que mora em Santa Catarina, até a decoração feita por Silvia, que usou peças em cobre, ramos de trigo e flores. “As netas sempre me ajudaram, mas hoje estão envolvidas com a faculdade. Mesmo assim, sempre estão por perto, igualmente a filha Juliana”, comenta.
Nos projetos estão a compra de novos maquinários, incluindo um especial para preparar croissants e outros tipos de pães mais sofisticados. E quer abrir uma confeitaria e pâtisserie. A tendência do negócio é mesmo aumentar porque os pedidos chegam e a clientela também. “Hoje temos uma grande variedade de pães, tudo feito com fermento natural que desenvolvemos. Adoro criar, tenho contatos com padeiros da Europa e Estados Unidos, trocamos figurinhas, minha satisfação hoje é a panificação. Não me importo de acordar de madrugada, de trabalhar muito, faço o que gosto, estou realizando algo que sempre quis. Sim, é cansativo, mas a satisfação em ver um cliente elogiando e se tornando freguês é única. Se você me perguntar qual o segredo de fazer um pão saboroso, direi que, antes de tudo, deve-se colocar amor. Porque gostar do que se faz e acreditar no seu potencial faz o resultado chegar. Não olhe para a sua idade, isso não tem importância, olhe para a sua realização pessoal e acredite que você é capaz”, conclui.


Boulangerie Molina: Rua La Paz, n.º 73 (bem pertinho do Lago Igapó). Outras informações pelo (43) 9 9190.3344.
https://www.facebook.com/molinaboulangerie/videos/405211813214989/?id=100011369810228


como sempre,Elisiê,qualquer matéria fica muito interessante e agradável de se ler quando é escrita por você. realmente você tem o talento para contar a história de vida ou de qualquer outro assunto.neste caso especial, em se tratando de meu cunhado e de minha irmã foi muito mais agradável e gratificante. uma crônica-homenagem.agradeço em nome da família. bjs
Elisie, não podia esperar menos de uma jornalista renomada que você é e cuja capacidade e desenvoltura profissional são sua marca registrada.
Muito obrigado
que bom que gostou Wanderley. Amo a sua família, amiga da Silvia e irmãs durante uma vida. E estou feliz com a sua trajetória, abençoada por Deus, acima de tudo. Quando Ele quer exaltar, Ele faz. E dá condições perfeitas para isso. Um grande abraço. ELisiê
Que matéria sensacional 👏👏👏👏👏Vc se superou minha; uma história incrível relatada com maestria por uma jornalista nota 10!!!Deliciosa de lêr!!! Super parabéns p os dois 👏👏👏👏👏👏👏👏🔝🔝🔝🔝🔝🔝🔝
Adorei a matéria, deliciosa !! Como tudo o que ele faz !!! Parabéns aos dois.
Parabéns pela matéria Elisie, como sempre com seu toque especial. Ficou ótima, e realmente o Wanderley é um mago na panificação, os produtos dele são maravilhosos.
Amigaaaa Elisiê…delícia de matéria…cheirinho de Molina Boulangerie…Trouxe informações novas até para mim, que sou cunhada do Wanderley, esse artista dos pães há….deixa pra lá…beijos e aplausos para os dois.
A mania de perfeição do Wanderley hoje está nos Pães, mas a sua marca o acompanhou a vida toda. Filho único de pessoas da melhor qualidade, recebeu a melhor educação familiar e académica que se podia ter naquela época. Em Londrina e no mundo. Ainda conserva o dom e acapacidade de tornar as coisas melhores.
Que lindos os pães ! Vou lá conhecer e experimentar essas delícias. Parabéns pela matéria Elisiê!