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O estilo “agênero” da grife Marie Raz

12 de maio de 2017 por Claudia Costa 18 Comentários

Roupas modernas que podem ser usadas tanto por homens quanto por mulheres, este é o diferencial das peças criadas pela estilista Mariana Razuk

Jovem, descolada, fluente em quatro idiomas, uma mulher cosmopolita. Esta é a estilista Mariana Razuk, 28 anos, da grife MARIE RAZ, que há seis anos trabalha como profissional de moda. Ela nasceu em Bauru (SP), mas morou em Londrina até os 16 anos. Naquela época, foi fazer um intercâmbio na Alemanha por meio do Rotary Club. Mariana estudou moda em Berlim, na conceituada ESMOD, primeira universidade a implantar mestrado em Moda Sustentável. As peças são confeccionadas pela própria estilista, que nunca usa produtos sintéticos e trabalha somente com tecidos nobres e de qualidade, como lã fria e algodão, dentre outros. Suas peças são exclusivas. Um blazer pode custar R$ 500,00 e um vestido aproximadamente R$ 250,00.

Durante os tempos de faculdade ela fez um intercâmbio no Japão, quando conheceu de perto o trabalho do estilista Yohji Yamamoto. Ele tem um estilo muito peculiar: não hesita em revisitar seus clássicos, oferecendo a síntese de um passado perfeitamente integrado a uma visão prospectiva da moda. Visionário, mas de uma elegância constante, o trabalho de Yamamoto concilia os grandes opostos: a fantasia com a função, a sedução com a reserva, o erotismo com o pudor. No final do século XX, foi esse japonês quem exprimiu a quintessência do espírito da alta-costura.

Mariana Razuk atualmente mora em Manaus, mas já morou em São Paulo, Tóquio, Munique e Berlim. Fala fluentemente alemão, inglês e espanhol e tem conhecimento básico em francês e italiano. A estilista desenha e confecciona as próprias peças da marca, que são vendidas em Hamburgo, em Londres e no Brasil. Ela classifica o conjunto das criações da MARIE RAZ como sendo Agênero, podendo ser usado por homens e mulheres.

Nesta entrevista ao PORTAL IDEIA DELAS, Mariana Razuk fala da sua trajetória profissional e da sua experiência de vida.

A estilista Mariana Razuk estudou moda em Berlim, na conceituada ESMOD, primeira universidade a implantar mestrado em Moda Sustentável. As peças são confeccionadas pela própria estilista, que nunca usa produtos sintéticos

Você morou na Alemanha por quanto tempo?

No total foram sete anos na Alemanha: um ano durante o intercâmbio do Rotary, três anos em Berlim fazendo faculdade e três anos em Munique. Depois do intercâmbio, fiz um curso técnico de logística numa escola alemã em São Paulo e trabalhei em empresas alemãs, onde conheci meu marido. Depois de algum tempo, percebi que queria fazer algo criativo e usei minha oportunidade de ir para a Alemanha para começar algo totalmente novo: a moda.

Você se mudou de Londrina com quantos anos?

Sou londrinense de coração. Nasci em Bauru (SP), mas cresci em Londrina, onde fiquei até meus 16 anos.

Você participou de um editorial de moda da Folha da Sexta, suplemento da Folha de Londrina, quando era criança. Você se lembra daquela experiência?

Eu me lembro dessa experiência, sim. Esta é a primeira vez que faço essa associação do editorial com minha profissão atual – talvez tenha me influenciado de alguma maneira. Nunca tinha pensado em estudar moda até os meus vinte e poucos anos.

Por que estudou moda, qual foi a sua influência nesta escolha?

Sempre gostei de modificar minhas roupas. Vivia cortando e pintando. Depois de trabalhar em escritórios e sentir a necessidade de fazer algo criativo, a moda veio naturalmente.

Que estilista você tem como referência?

Fiz um intercâmbio em Tóquio durante a faculdade de moda e isso influenciou muito o meu estilo. Gosto muito do Yohji Yamamoto.

Depois de formada em moda, você morou no Brasil (São Paulo), mas acabou voltando para a Alemanha. Por quê?

Meu marido é alemão e trabalha numa multinacional, empresa em que tem muitas oportunidades de mudança. Ele teve uma oferta para voltar para a Alemanha e, como eu já vendia bem em e-shops europeus, vi que seria uma boa chance para mim também.

De quais feiras e salões de moda você já participou no Brasil e no exterior?

Fui escolhida duas vezes para participar do Fashion Rio através do programa de novos estilistas Rio Moda Hype. Depois do meu retorno à Europa, participei dos renomados salões White, em Milão, e Premium, em Berlim.

Atualmente você mora no Brasil, no Amazonas. Como é ser estilista fora do eixo Rio-São Paulo?

Moro desde outubro de 2016 em Manaus e a experiência tem sido incrível. As pessoas aqui têm uma grande aceitação com novidades e coisas diferentes. Eu e mais quatro estilistas independentes temos uma loja num dos principais shoppings de Manaus (Shopping Manauara), com formato “department store”, que está indo muito bem.

Como você classifica o estilo das suas criações. São peças somente para jovens (homens e mulheres) e estilo não convencional?

Uso muito o termo “agênero”. São roupas que podem ser usadas tanto por homens quanto por mulheres. Os homens costumam ser mais jovens, por serem mais experimentais, e as mulheres do tipo confiantes e seguras de si. Tudo começou quando fiz especialização em moda masculina na universidade. Após eu costurar a peça, costumava experimentar para ver o caimento e percebia que a maioria das peças masculinas também ficava ótima em mim.

Você desenha e confecciona suas criações ou o trabalho é terceirizado?

Eu desenho e confecciono. Antigamente, fazia séries maiores e contratava costureiras para me ajudarem, mas hoje em dia aposto em peças únicas. Dessa maneira, posso usar minha criatividade ao máximo.

Quais são as lojas e os canais de venda das suas peças?

Para que eu consiga atender a demanda, me concentro somente nos seguintes meios: Loja Coopstore no Shopping Manauara (Manaus), loja Concept Store, Hamburgo (Alemanha), e no e-shop Not Just a Label (Londres).

Em que temas você se inspirou para criar a atual coleção?

Não trabalho mais com coleções, como o padrão, mas sim com peças únicas que são influenciadas pelo momento de criação. Aqui em Manaus, muitas vezes o tema é a natureza. Eu não acompanho as Fashion Weeks e não sigo tendências, acho que o que vale a pena em ser uma estilista autoral é realmente usar sua criatividade e não seguir regras.

Qual é o maior desafio de uma jovem estilista para sobreviver no mercado e se tornar conhecida?

O jovem estilista tem que ser empresário, administrador, gerente de marketing e qualidade ao mesmo tempo. Uma marca grande tem um time para cumprir essas funções. A grande dificuldade é não se deixar desanimar por tarefas que normalmente a mente criativa não gosta de fazer e não perder a própria essência.

 

http://www.marie-raz.com

Arquivado em: MISTURA FINA

Sobre Claudia Costa

Claudia Costa foi editora Folha de Londrina, suplemento da Folha da Sexta, durante 13 anos, e há mais de 17 anos está atuando em comunicação corporativa e marketing. Trabalhou nas empresas Unimed Londrina, Sociedade Rural do Paraná e Unopar. Atua na assessoria de imprensa e comunicação para AREL, SINDICREDPR e diversos profissionais liberais, principalmente, na área da saúde e diversas áreas de prestação de serviço.

Reader Interactions

Comentários

  1. phoenix diz

    23 de maio de 2017 em 11:33

    Interessante a ideia de roupas que podem ser compartilhadas por homens e mulheres… O conceito não é novo, afinal, que mulher nunca usou um blazer ou camisa do marido/namorado? Vai ser curioso observar casais “disputando” quem vai usar a roupa nova, rsrsrs. Só espero que a moda não acabe com as diferenças entre os sexos. Eu gosto do masculino e do feminino e acho que eles não devem perder espaço para o unissex.

    Reply
  2. Denise diz

    24 de maio de 2017 em 07:27

    Materia muito interessante, que pode estimular jovens a não desistir dos sonhos. O empreenderísmo, especialmente para iniciantes é um grande desafio pois requer múltiplos conhecimentos e habilidades, mas que, com determinação e foco nos objetivos a realização profissional pode ser conseguida.
    Muito bom poder trabalhar no que se gosta!

    Reply
  3. Cereja Matsubara diz

    24 de maio de 2017 em 08:24

    Que orgulho !!! filha de uma amiga de trabalho, fazendo sucesso Internacional…. isso sem considerar que utiliza produtos aliados a sustentabilidade, um grande feito, pensando nas futuras gerações. Um trabalho humanizado, que merece o maior respeito. Exemplos que devem ser multiplicados !!! Muito legal !!! 😊🤗

    Reply
  4. Ana Maria diz

    24 de maio de 2017 em 08:31

    As peças demonstram ser muito bem cortadas e de ótima qualidade.
    Acho o estilo das peças da Mariana lindo, sui generis, sobretudo plural.
    Em um mundo que se desenvolve pelo maior respeito às diversidades, este é um estilo que tem tudo para dar certo e se expandir.
    Parabéns!

    Reply
  5. Laís Mosciatti diz

    24 de maio de 2017 em 09:15

    Adorei a matéria!! A Mariana está focada nesse trabalho e o faz muito bem, com dedicação e amor. Todo conhecimento adquirido e sua criatividade ligada a atualidade faz da Marie Raz uma grife clássica que segue sempre as tendências da moda. Parabéns e muito sucesso!!!

    Reply
  6. Odete Lourenço Rodrigues Barreto diz

    24 de maio de 2017 em 09:52

    Achei super interessante a matéria embora eu me confesso analfabeta em moda. Achei legal a Mariana dizer que segue sua criatividade sem se ligar à tendências ou exigências do mercado, isso me deixa claro que ela tem uma situação financeira sólida e pode dar-se ao luxo de escolher e selecionar a qualidade e o ritmo do seu próprio trabalho. Parabéns, Mariana! Sucesso sempre.

    Reply
  7. Ivana Conessa Gomes diz

    24 de maio de 2017 em 11:00

    Que criAtividade👏👏Essa menina é sucesso. Parabens😘

    Reply
  8. Ivana Conessa Gomes diz

    24 de maio de 2017 em 11:05

    Que criatividade!!! Parabens Mariana👏👏. Essa menina é sucesso😘

    Reply
  9. Pri Moreira diz

    24 de maio de 2017 em 12:49

    O melhor: fazer oq se ama e ajudar o planeta!

    Reply
  10. Anglina Silvério diz

    24 de maio de 2017 em 12:59

    Parabéns, Mariana legal essa idéia, diferente mas bastante interessante, Sucesso!!!

    Reply
  11. Simone diz

    24 de maio de 2017 em 13:30

    Parabéns querida sobrinhaaa!!!! Sucesso !!!

    Reply
  12. Isabel diz

    24 de maio de 2017 em 22:05

    Excelente matéria. Adorei a escolha da entrevistada: uma jovem estilista, ousada, inovadora e sobretudo consciente de seu papel social. Parabéns, Claudia, por abrir espaço aos jovens talentos e presentear seus leitores com uma entrevista tão agradável. Parabéns também à Mariana, que vem galgando cada vez mais espaço com sua moda leve e divertida.

    Reply
  13. Helen Silza diz

    24 de maio de 2017 em 22:50

    Mariana a sua ousadia dentro da moda revela uma pessoa segura e que ama o que faz. Os grandes sucessos explodem assim. Garota você vai longe, e que os horizontes e muitas oportunidades novas aconteçam sempre nesta sua trajetória profissional. Felicidades sempre.

    Reply
  14. Mayumi Notoya Thomas diz

    25 de maio de 2017 em 08:18

    Parabéns Mariana !! Muito sucesso na sua vida profissional, aliás você já é um sucesso. ” Não há conquistas ou vitórias sem o mérito dos esforços”. Parabéns Claudia Costa, pelo trabalho maravilhoso, pela entrevista e muito sucesso no portal. Tudo muito “chocante” !!! (como diria minha irmã Tomoko – in memorian).

    Reply
  15. Adriana diz

    25 de maio de 2017 em 19:14

    Parabéns pela idéia, sucesso 👏🏻👏🏻

    Reply
  16. Raquel Dallaqua diz

    25 de maio de 2017 em 20:34

    Criatividade aliada a bom gosto e competência, só pode resultar em algo muito, muito bom! Parabéns, o mundo agradece!

    Reply
  17. Alessandra Luiza Garcia Santos diz

    26 de maio de 2017 em 19:39

    Matéria muito interessante e contemporânea! Adorei a reportagem, e desejo muito sucesso e que venham mais publicações tão estimulantes qto esta! Abraços

    Reply
  18. Miriam diz

    27 de maio de 2017 em 15:06

    Eu não conhecia o estilo “agenero”, mas amei a idéia! Parabéns, Mariana, pela criatividade e dedicação!

    Reply

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