
O álbum reúne suítes com canções de Dori Caymmi, Edu Lobo e Francis Hime
Única apresentação, dia 9 de fevereiro, no Rio de Janeiro
Elogiado pela crítica especializada, o novo álbum de Olivia Hime, construído ao longo dos dois últimos anos, ganha lançamento oficial no Rio de Janeiro, palco do Teatro Rival, no próximo dia 9 de fevereiro. O espetáculo Espelho de Maria segue o mesmo conceito do álbum homônimo e se divide em três suítes, ou movimentos: “Canções sem fim” (com músicas de Dori Caymmi e parceiros), “São bonitas as canções” (Edu Lobo e parceiros) e “Canções apaixonadas” (Francis Hime e parceiros).
“Quis voltar à segunda geração da bossa nova, que era a minha. Na época, Dori Caymmi me mostrou novas harmonias, outras inversões de acordes; Edu Lobo me apresentou às ‘Bachianas’, de Villa-Lobos. Francis, desde a primeira música dele, foi um encantamento só”, exemplifica Olivia. “Aliás, o que com certeza mudou o rumo da minha vida foram a música, Francis, por tudo e sempre, e a psicanálise”, sintetiza.
Com direção de Flávio Marinho e direção musical de Francis Hime, o espetáculo Espelho de Maria revela o repertório gravado no álbum lançado no final de 2018, pela Biscoito Fino, mantendo os arranjos originais criados por Dori, Francis e Paulo Aragão. “Canção sem fim” (Dori Caymmi e Paulo Cesar Pinheiro), “Sobre todas as coisas” (Edu Lobo e Chico Buarque), “O amor perdido” (Francis e Geraldo Carneiro), “Vermelha”, (Francis e Olivia Hime) e ‘“Canto triste” (Edu Lobo e Vinicius de Moraes), são algumas das canções incluídas no roteiro da apresentação.
A banda que acompanha Olivia Hime no Rival será formada por Dirceu Leite (saxofone, flauta e clarinete), Francis Hime (piano), Hugo Pilger (violoncelo), Paulo Aragão (violão) e Ricardo Amado (violino). Durante o espetáculo, Olivia fará duetos com os músicos, e arranjos mais intimistas.
Ficha técnica Espelho de Maria:
Direção: Flávio Marinho
Direção Musical: Francis Hime
Iluminação: Marcelo Linhares
Produção Musical: Paulo Aragão
Técnico de Som: Rogério Gazaneo
Produção: Miguel Bacellar
Assistente de Produção: Juliana Bittencourt
Sobre o CD Espelho de Maria, por Tárik de Souza:
Em muitos discos ouvidos, uma coisa incomodava Olivia Hime: o salto abrupto de atmosferas – eventualmente conflitantes – de uma faixa para outra. “Queria fazer um disco em que a pessoa não levasse sustos com a mudança de estilos musicais, um disco noturno”, propôs em seu “Alta Madrugada”, de 1997, inspirada em álbuns consequentes, como “In the wee small hours”, de Frank Sinatra de 1955. A ideia virou o estopim para que a cantora e compositora criasse um novo formato de fluência musical: as canções vêm agrupadas em suítes, conduzidas por envolventes arranjos, que conferem unidade estética e ressignificam os temas.
Sua primeira experiência com o conceito ocorreu em “Mar de algodão – as marinhas de Caymmi”, de 2002, dedicado à obra de Dorival Caymmi. Depois vieram “Almamúsica” (2011) e “Sem mais adeus – uma homenagem a Vinicius” (2017), com tratamento semelhante. Mas é em “Espelho de Maria” que o formato atinge o ápice da depuração. Trata-se da incursão mais profunda no universo criativo da cantora e compositora, e onde fica mais nítida sua faceta musicista, embora ela não toque nenhum instrumento na gravação. Aluna, ainda menina, do maestro Moacir Santos, ela estudou com a mestra de boa parte da MPB, Vilma Graça, aprendeu violão com Roberto Menescal, e flauta durante seu “exílio” nos Estados Unidos, onde também fez curso por correspondência na célebre Berklee College of Music, de Boston. Embora o disco tenha fabulosos arranjos de Francis Hime, Dori Caymmi, Paulo Aragão e Jaime Alem, é de Olivia a concepção orgânica do trio de suítes que o integram. Dela também é o conceito central do álbum.
Intitulada a partir de uma música que pensou ser de Edu Lobo (“fiquei sabendo de sua inexistência, mas o CD já estava batizado”, brinca), “Espelho de Maria” desvela uma Olivia – ela própria Maria, mas sem trair-se pelo narciso reflexo – imprevista, à frente de um disco arrebatador, “com muito instrumental, onde o canto entra como se fosse uma surpresa”, deslinda. E adiciona ao ato prazeroso da excelência estética uma espécie de missão em defesa da canção. “Ela não toca no rádio, mas a gente tem obrigação de cantar, porque esta é a futura música clássica. Muitas dessas canções serão eternas”. Ou já são.
Serviço Teatro Rival:
Rua Alvaro Alvim – 33/37- Rio de Janeiro
Horário: 19h30m
Preços – inteira – 70,00/ promoção para os 100 primeiros pagantes – 50,00/ meia e lista amiga – 35,00


Deixe um comentário