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Os fogos de artifícios provocam medo e desespero nos animais

28 de dezembro de 2021 por Claudia Costa 4 Comentários

 

 

Por Claudia Costa

A queima de fogos de artifício para celebrar algumas datas, a abertura de eventos e a festa da virada do ano é algo tradicional na cultura de vários países. O que para muitos é um momento de festa e alegria, para outros, como pessoas com algumas síndromes e os animais, estes são momentos de pânico e de sofrimento. Além disso, os resíduos e rejeitos da utilização dos fogos trazem degradação para o meio ambiente.

Em algumas cidades brasileiras, está em discussão a proibição de utilização de fogos de artifício. Em Florianópolis, por exemplo, já existe uma proposta de projeto de lei elaborada por diversas entidades, dentre elas a Associação de Proteção Animal (APRAP), mas sabemos que essa discussão ainda vai demorar muito.

Como estamos a poucos dias da festa da virada para comemorar a chegada de 2018, o que pode ser feito para proteger os nossos animais de estimação dos efeitos que os fogos de artifício provocam e como cuidar e ajudar a evitar o sofrimento deles?

A médica veterinária Flavia Navas diz que algumas ações podem ser adotadas. O uso de ansiolíticos (drogas usadas para diminuir a ansiedade e a tensão) deve ser iniciado com pelo menos três meses de antecedência e sempre com a orientação de um veterinário, que avaliará os prós e os contras do uso da medicação. Então, não temos como adotar esta ação na véspera do evento, pois não trará o efeito desejado. Ela diz ainda que aquelas amarrações que algumas pessoas utilizam nem sempre ajudam a acalmar os animais.

Segundo Flavia, a audição dos animais é diferente da dos seres humanos. “A frequência dos sons é diferente da nossa. Os animais entendem os sons dos fogos de artifício como uma ameaça, um perigo”, explica ela. A veterinária diz que o animal corre risco de se machucar pelo pânico causado pelos fogos. “Alguns animais que ficam nos quintais das casas tentam fugir e acabam se machucando em grades ou até atropelados por carros, quando saem correndo desesperadamente pelas ruas. Os que estão presos dentro de casas e apartamentos podem se machucar arranhando portas ou derrubando objetos sobre eles, outros acabam se automutilando e se mordem. Os gatos podem até desenvolver cistite, dentre vários distúrbios”, salienta.

Reforço positivo do medo

O proprietário do animal deve evitar o reforço positivo do medo quando fica agradando e abraçando o animal nestas ocasiões em que eles estão desesperados. “O bichinho acaba entendendo que ele deve ter mesmo motivo para ter medo.” Segundo a especialista, o ideal é criar alguns refúgios dentro de casa para a permanência do animal. “Um local pequeno dentro da casa onde o bichinho já conhece. Esse local não deve ter nenhum objeto que possa cair sobre o animal. Também é importante colocar um som ambiente, uma peça de roupa do dono, água e comida. O animal deve ser colocado neste refúgio alguns dias antes do evento da queima dos fogos, assim ele vai se acostumando com o espaço”, explica Navas.

A veterinária salienta que o proprietário não deve dar calmante para o animal por conta própria. Esse procedimento sempre deve ser feito com a orientação e supervisão de um médico veterinário.

 Como vocês agem para acalmar seus animais?

 

 

Cristina fecha as portas e janelas do apartamento e diminui as luzes, e conversa calmamente o com gato Kim

 

 

 

O Kim se esconde embaixo do sofá no apartamento em que mora com a Cristina

Cristina Camarena, relações-públicas, mora em São Paulo, capital. Ela é proprietária de um belo gato preto, sem raça definida. Cristina adotou o animalzinho que sofreu maus-tratos nos primeiros anos de vida. Segundo ela, o Kim tem medo de tudo, qualquer barulho assusta o gatinho que é bastante arisco. “Eu o deixo encontrar um lugar no meu apartamento onde se sinta mais seguro. E é embaixo do sofá que ele gosta de ficar. Fecho portas e janelas, diminuo as luzes e converso com o Kim em um tom de voz que ele identifica como amigável e aguardo suas reações. Sempre acontece que aos poucos o Kim se aproxima para receber carinho. Este ano vou passar o réveillon na praia e os meus sobrinhos vêm para o meu apartamento para cuidar do Kim.”

 

 

O funcionário público Almir tenta acalmar a Kika cobrindo e abraçando a cachorrinha

O servidor público Almir Escatambulo, morador de Londrina, é dono da Kika, uma cachorrinha sem raça definida. Ele diz que na região em que mora é grande a quantidade de fogos de artifício que soltam. “Não é nada fácil proteger a Kika. Ela corre para dentro de casa, fica muito assustada. Aí, eu pego um cobertor e a cubro e fico bem pertinho para aquecê-la. A Kika fica feliz com o abraço e a coberta. Ela se acalma um pouco.”

 

Claudia e Adriano vão passar a virada do ano em seu apartamento em Camboriu . Eles evitam lugares onde acontecem a queima de fogos para proteger o Balu

O casal Claudia de Andrade, consultora, e Adriano Bertoldi, eletromecânico, mora em Camboriú, Santa Catarina. Eles têm um lhasa, o Balu, de 5 anos. Segundo ela, o cachorrinho fica estressado, avança e late muito com a queima dos fogos. Para o animalzinho não se assustar muito, o casal evita levá-lo a locais onde as pessoas costumam soltar os fogos e mantém as janelas fechadas para amenizar o barulho.

 

A golden retriever Agnes fica muito estressada durante a queima de fogos de artificíos.

“Não tem muito que fazer não. Normalmente a Agnes, da raça golden retriever, entra em casa e fica pertinho, pra tentar receber um carinho, tentar se acalmar, ficar meio escondida. Por mais que tentemos acalmá-la, ela fica superestressada, nervosa. Até hoje não achei nada que dê resultado para ela ficar mais calma. Se a Agnes está fora de casa, no quintal, ela arranha a porta pedindo desesperadamente pra entrar”, explica a artista plástica e empresária Josi Ribeiro.

As cachorrinhas Pituka e a Norah tomam um medicamento para se acalmar
Ana Cavalin diz que dar medicação foi a única saída encontrada para acalmar suas cachorras

A publicitária Ana Cavalin é apaixonada por cachorros. Ela possui a Pituka, 6 anos, da raça schnauzer, e a Norah, uma linda e legítima vira-lata. “Depois de tentar vários métodos, resolvi o problema do pânico dos meus cachorrinhos com a veterinária. Ela prescreveu um remedinho que dou para as minhas cachorrinhas lá pelas 21 horas e as duas dormem aproximadamente seis horas. É isso que faço para não correr riscos de elas ficarem loucas e eu também por causa da queima de fogos que tanto medo provoca nas duas.”

**** Matéria produzida e postada em 30 dezembro de 2019

 

Arquivado em: Amigos Bichos Marcados com as tags: #fuga #desespero #protejaosanimais, #medo #pânico #fogosdeartifícios #animaistemmedo #protejaosanimais #

Sobre Claudia Costa

Claudia Costa foi editora Folha de Londrina, suplemento da Folha da Sexta, durante 13 anos, e há mais de 17 anos está atuando em comunicação corporativa e marketing. Trabalhou nas empresas Unimed Londrina, Sociedade Rural do Paraná e Unopar. Atua na assessoria de imprensa e comunicação para AREL, SINDICREDPR e diversos profissionais liberais, principalmente, na área da saúde e diversas áreas de prestação de serviço.

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Comentários

  1. Claudia diz

    29 de dezembro de 2017 em 16:50

    Que legal. .Muito bacana sua matéria Clau..Parabéns Feliz ano novo!!!Bj

    Reply
  2. Italmar diz

    29 de dezembro de 2017 em 19:28

    Claudia ficou muito bacana a matéria sobre cuidados com os nossos cãezinhos e os fogos de artifícios. 👏

    Reply
  3. Juliana Barbosa diz

    29 de dezembro de 2017 em 20:30

    Gostei da matéria. Tenho dois caninos e fico muito incomodada ao ver o estado que eles ficam nessas ocasiões.

    Reply
  4. Auriel confort diz

    29 de dezembro de 2017 em 21:17

    Uma matéria dessa, não tem como não ler duas vezes. sucesso Cláudia!

    Reply

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