
Por Claudia Costa
Somos o resultado da criação que recebemos dos nossos pais ou responsáveis e muitas vezes herdamos costumes que são herança de família. Algumas pessoas mantém e fazem questão de transmitir para as futuras gerações, os filhos e netos, os costumes que aprenderam com seus pais. Quem não tem uma lembrança afetiva de um momento especial na sua vida em que se vê nos seus pais?
Os hábitos e os costumes variam de uma família para outra. Às vezes essas variações se devem à origem das pessoas: ao lugar onde nasceram, à região do país de onde vieram, o contato com outras famílias e outros costumes. A alimentação, o modo de falar, a religião e o jeito de se vestir variam entre as famílias de origens diferentes.
O Portal IDEIA DELAS conversou com algumas pessoas para conhecer os hábitos e costumes que elas herdaram de seus pais.
O dentista e músico Hélio Takeda, 64 anos, solteiro, dentista em Londrina, diz que se vê nos seus pais.
“A impressão que eu tenho é que sou 50% meu pai e 50% minha mãe, nas virtudes e nos defeitos. A minha mãe Kioka Takeda me influenciou na espiritualidade e na música. A religião é maior do que uma igreja, uma instituição. O que me guia é um Deus bondoso que não pune ninguém e a oração contínua é agradecimento sempre, pois tudo vai dar certo.
Todos os dias a minha mãe cantava e dançava as músicas tradicionais japonesas, simplesmente porque a deixava feliz e isso iluminava a casa.

Já o meu pai ,Osamu Takeda, era apaixonado por esportes e acabou formando dezenas de campeões brasileiros e sul-americanos na natação e até hoje eu e os meus três irmãos, praticamos alguma atividade física, como parte de nossas vidas”.
A médica Rose Meire Albuquerque Pontes, 64 anos, casada, sem filhos, mora em Londrina, foi educada em uma família que valoriza muito a cultura.
Quem a conhece sabe como ela gosta de ler, é fluente em francês, e suas viagens pelo mundo sempre teve um roteiro cultural.

“Um hábito que adquiri em casa foi o de ler livros sobre a história da França. Minha mãe, Thereza de Souza Albuquerque sempre foi uma leitora voraz e gostava e ainda gosta de ler romances históricos sobre os reis e rainhas da França. Esta paixão ela herdou do pai dela, meu avô Joaquim. Eu comecei a ler estes romances aos 12 anos e me apaixonei perdidamente por estas histórias, mesmo sabendo que, muitas vezes, eram romanceadas. Ao visitar a França, procuro os endereços dos personagens. Muitas vezes, não há nada no local ou há um edifício moderno, mas sempre fico lá, parada, sonhando com aquela outra época e revivendo as emoções.

Ainda guardo muito destes livros comigo, roídos pelo tempo, mas quando os releio…vejo quantas vidas eles carregam: as dos personagens e as da minha família, nos unindo ainda mais”.

A psicóloga Virgínia Navarrete, 58 anos, divorciada, mãe de uma filha, mora em Campinas (SP).
“O hábito que aprendi com minha mãe, Ignez Therezinha de Andrade Navarrete, que aprendeu com a mãe dela, foi de todos os dias, colocar um pouco do primeiro café do dia, para a imagem de São Benedito, que fica na cozinha. Este ritual de Bom dia a São Benedito têm como significado um pedido de abundância para minha casa.

Ao fazer isto, revisito a casa de minha avó e a minha casa na infância. É uma conexão com a minha mãe e minha avó que já estão em outro plano”. Virginia acredita que a filha Helena, 20 anos, irá manter esse ritual que aprendeu com a família. “Ela é muito apegada a ancestralidade!!”


Olelia Oricolli Oliveira, 74 anos, professora aposentada de História da Arte, moradora em Londrina.

“Do meu pai, Vicente Oricolli, eu herdei a religiosidade e o costume de rezar para agradecer a comida, mesmo que estejamos fora de casa. Já da minha mãe Rosa Camargo, aprendi costume de usar babadores para comer macarrão ou sopa. Antigamente, essa peça não tinham muito charme, mas o que eu produzo faço combinando com a cor dos guardanapos da mesa. Até as visitas usam quando vêm fazer as refeições em nossa casa. Os babadores já ficam na mesa. Os meus filhos e netos usam em suas casas também”.


O designer e artesão Itamar Vieira, 59, divorciado, morador de Crisciúma (SC), diz que herdou do pai o amor pela profissão e da mãe o gosto pela gastronomia.

“Herdei do meu pai a arte de trabalhar com alvenaria e madeira. Há 12 comecei a pesquisar pra fazer um fogão tão bonito quanto o que meu pai fazia. Mas que não emitisse fumaça… Seria possível? Não sabia ainda que seria possível. Fiquei dois anos só na pesquisa e design. Há 10 anos construí o primeiro, para um amigo que apostou em mim. Quando percebi que deu certo criei uma marca para esse fogão: Yamerê, fogão a lenha eficiente. Yamerê significa sem fumaça.

E da minha mãe o amor pela gastronomia. Produzo pães e bolos e alguns quitutes já raros como biroró, cuscuz, bejajica, dentre outros pratos”.
Fonte:
https://www.sohistoria.com.br/ef1/quemsou/p3.php


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