
A verdade é que gostamos de nos relacionar com pessoas com as quais nos parecemos, que temos afinidade, com valores parecidos com os nossos, com atitudes parecidas com as nossas e gostos que nos indicam o mesmo filme, a mesma música, o mesmo livro, o mesmo sentido da vida. O contrário dá muita dor de cabeça.
Por Elisiê Peixoto
Em algum momento da sua vida você certamente já escutou alguém falar que os opostos se atraem. Eu, durante um bom tempo, até acreditei. Achava que pessoas diferentes se completavam e que, se uma não gostava de algo e a outra gostava, existia uma variedade de opções e a vida não ficava nem de longe monótona.
Na minha cabeça de adolescente, por amor, as pessoas se adaptavam, renunciavam, concordavam, experimentavam, não discordavam e concordavam até com as diferenças. Mas que nada! A verdade é que gostamos de nos relacionar com pessoas com as quais nos parecemos, que temos afinidade, com valores parecidos com os nossos, com atitudes parecidas com as nossas e gostos que nos indicam o mesmo filme, a mesma música, o mesmo livro, o mesmo sentido da vida. O contrário dá muita dor de cabeça.
Ah! Como é bom ter uma pessoa que pensa como a gente. Quando uma garrafa de vinho e uma boa música são o suficiente para uma conversa longa e interessante. E como é difícil encontrar gente parecida com a gente. Até existe, mas elas sempre estão em algum lugar, esperando nos encontrar.
A psicologia explica que relacionamentos com pessoas muito diferentes em opiniões, gostos e pontos de vista despertam uma certa curiosidade, são sempre algo novo e inusitado. No início torna-se interessante, mas com o passar do tempo perde-se nas próprias diferenças. Porque renunciar algumas coisas em favor do outro, abrir mão e até concordar discordando é salutar, por que não? Mas se isso acabar se tornando uma rotina, alguém fatalmente sairá aniquilado.
Acredito, sim, que gostamos de estar cercados por pessoas com quem temos várias coisas em comum. Porque certamente isso irá gerar coisas boas como cumplicidade, companheirismo, empatia, objetivos iguais, metas definidas. Quando um casal de namorados é diferente em temperamento e atitudes, sabemos no que aquilo vai dar. Eu não acredito que as pessoas possam mudar repentinamente e por amor. Acredito que elas até podem tentar, mas leva-se um tempo e paga-se um preço de paciência, conformismo e renúncia. Vale a pena? Não.
Quando adolescente, nas conversas em que eu tinha com o meu pai sobre cada namorado que ensaiava de apresentar à família, ele perguntava: “Vocês dançam a mesma música, falam a mesma língua e têm objetivos parecidos. Se a resposta for ‘não’, caia fora”. Ele afirmava que em uma relação na qual você precisa abrir mão de coisas que gosta, quando as suas preferências ficam em segundo plano e que você vai deixando de agir naturalmente para agradar, é porque aquela pessoa jamais serviria para namorar. Perder o amor próprio por uma pessoa nunca valerá a pena. Hoje, pego-me falando a mesma coisa para os meus filhos, não apenas nas relações amorosas, mas na convivência com amigos, com as pessoas que fazem parte da vida deles. Como afirmava o psiquiatra Flávio Gikovate, e com muita sabedoria: “Na prática, ocorre o seguinte: os opostos se atraem, mas na rotina da vida em comum as contradições se acirram”.
Isso é fato. A vida torna-se cheia de conflitos, desgastes, cuidados no que pensar e falar. Todos em volta pisando em ovos para não melindrar e não começar uma confusão. Sinto-me privilegiada em, hoje, estar cercada por pessoas com a mesma visão da vida, com os mesmos gostos. Claro que há divergências, mas nada que comprometa um relacionamento saudável, daqueles que você gosta de manter por toda a vida.
Com os anos, sinto que fiquei mais egoísta e priorizando aquilo que gosto. Afastei-me de pessoas que não acrescentam, sempre discordam e insistem em seus pontos de vista, têm diferenças acirradas, criam barreiras, trazem conflitos. Voltando ao Gikovate, ressalto: “Os opostos atraem, mas não se entendem”. É isso aí.


Eu penso que quem for nessa vibe de opostos se atraem ,lá na frente vai se decepcionar e a relação vai desgastar, não precisa ser igual em tudo, mas se identificar em algumas coisas com o outro é muito bom.
Querida amiga parabéns pelo texto.a lembrança do professor Flávio gikovate é sempre uma alegria. Tive o prazer de ser seu aluno quando no Brasil não se falava de sexualidade muito menos de comportamento sexual .
Sempre achei interessante ouvir o Flávio Gikovate insistir neste ponto de vista:”Os opostos atraem,mas não se entendem “.Ele tinha firme convicção disto. Concordo em parte.Mas acho também que pessoas diferentes podem trazer novos pontos de vista para um relacionamento .Resultando em um frescor de idéias que pode modificar a mesmice de um “olhar único” sobre o mundo.Tem espaço para tudo,desde que as divergências sejam respeitadas.
Nossa mãe que verdade!! Faz a gente repensar nas pessoas que as vezes insistimos em deixar a nossa volta! Rss
Como sempre muito bem escrito! Te amo bjs