
Gosto demais da foto, ele mais eu. Gente bonita é um tição, né?! Bonito e culto, ele: Renato Forin Jr. Um dos vencedores do Prêmio Jabuti, na categoria Adaptação. Com Samba de uma noite de Verão (Editora Kan). Londrina em alto relevo, novamente. Maior prêmio da Literatura Brasileira. O texto abaixo é a apresentação que o Renato pediu para eu fazer ao seu Samba, agora premiado nacionalmente. Nem morta, nem phudiendo, imagina quem sou eu. Deu medo, cagaço. Determinou: “Faça!”. Fiz na última hora porque levei bronca do meu irmão, amado, amigo, herói. Que vira na sapiroca (sei lá, ouvi, gostei) quando bravo. O livro tinha que ir para a gráfica. Foi. Saiu. Vi nascer a peça contida nas páginas, encenada sob as lonas sagradas do Circo Funcart. Aí, o Samba ganha o Prêmio Jabuti. Publicação patrocinada pelo Programa Municipal de Incentivo à Cultura, o Promic. Mecanismo culturaltão atacado por transtornados e oportunistas de causas… Ah, chupa essa manga, chupa que é de uva! #elessaomuitosmasnaopodemvoar
(…)
ESSE SAMBA, ESSE CARA, ESSA ARTE TODA!

Arrastava os móveis, quando esse cara se fez anunciar ao interfone. “Pode subir”, ordenei ao porteiro.
Dia de faxina.
Eu com ikan apertando os braços, cheiro forte de abô e suor exalando do corpo, minhas obrigações religiosas e domésticas.
A casa toda deslocada, a máquina de lavar roupas centrifugando e andando, rebolando, diria.
A campainha.
Porta aberta, ele de boné com a aba virada para trás, todo moço, todo moderno, cheiroso, bonito; eu todo sapecado, miragem nada agradável ao meu abebé.
Entrou.
Sentou-se num canto vazio do sofá. Entregou o TCC com mais de 300 pétalas da Rosa dos Ventos.
Li dias e dias e dias. Com vontade. Muita.
Nossa velha amizade começou assim, à luz do sol e do calor de outubro de 2006.
Nunca mais nos desgrudamos.
Ele é tão inteligente. Culto. Humilde.
Ele está na minha vida.
É meu amigo, senhores!
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Ele – creio – bateu cabeça para Shakespeare. Pediu agô – acho – e o Sonho virou Samba. De uma noite de verão.
O nome do cara: Renato Forin Jr.
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Com Samba de uma noite de verão, Forin deixou descortinar o cenário da paixão, a dramaturgia.
Uma dramaturgia tão intensa quanto a divindade que se qualifica na pororoca; tão veloz e bela, tão arisca e doce.
Magnífica!
Acompanhei o entusiasmo no feitio de Samba de uma noite de verão. Testemunhei a obstinação do Renato na pesquisa e na escrita da peça.
Vi nascer um homem de teatro.
Imenso.
Magnífico!!
O dramaturgo e o ator.
Um excelente ator, que gosta de pisar na arena, como a sagrada Abigail, advinda de João Álvaro de Jesus – Louvado Seja – Ferreira chama seu o labor.
Compositor também, o Forin Jr.
Cantarolou as canções, por telefone, principalmente nas madrugadas, compostas especialmente para peça.
Até gravei uma, Prelúdio do dia.
Para o meu disco. É outra história. Canto depois, no meu Tempo.
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Fui à estreia de Samba de uma noite de verão, no Circo Funcart. Fiquei encantado como que o vi e ouvi em cena.
Maravilhosamente surpreso porque o Samba sonhado por Renato funde gregos e baianos. E afins.
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Atenas é longe pra dedéu da Vila de Vera Cruz, cuja metáfora foi, é, e sempre será sempre resguardada por Oxum, doce mãe dessa gente morena.
Dedéu: não vem do latim, do grego muito menos; é brasileiro, já passou de português.
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A vila e sua mitologia. Todo mundo junto e misturado, parda gente.
Passeiam pelo cortiço, pela selva com noites de ritmos bárbaros, pelos atos, vejam só: Hérmia, Teseu, Demétrio. Oxum, Ossaim, Egeu, Obá, cismada Ewá, Pedro-Pedreiro, Tião Garrafão, a Dita, cuja roupa suja é lavada com sabão e beleza.
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Titânia carregaria um abebé e se apresentaria com qual qualidade de Oxum?
Oberon, assim como Ossaim, teria o olhar correto para as folhas?
Aroni tem uma perna a menos e juízo menor ainda como Puck, o elfo?
Pode ser, pode ser.
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Shakespeare e os seus se deram muito bem com os nossos.
Douraram-se com o nosso Sol, lá no céu; a metáfora está na Refavela.
A Vila não quer abafar ninguém.
Quem é do semba, samba.
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Ah, sim, tem Noel na boca no povo da Vila de Vera Cruz.
Tem também fraseados de Elton Medeiros, Braguinha, Vinicius, Baden, Haroldo e tantos.
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Tem Caymmi
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Tem Oxum, portanto.
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Seria eu doido para explicar Samba de uma noite de verão?
Quem sou eu para mastigar a poesia, analogias, crenças, pesquisas, vontades, a ânsia intelectual desse cara?
Imagina…
Não tenho dentes e nem alcances suficientes.
(…)
Não me surpreendo com mais nada que vem do Renato Forin Jr.
Digo isso, ou melhor, escrevo, porque o que vem dele raso não é.
Tudo vem com boa timbragem.
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Assim o apresentam: jornalista, pesquisador, fotógrafo, ator, dramaturgo, compositor.
Acrescento: desenhista, porque dele são as ilustrações em grafite no livro Samba de uma noite de verão.
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Digo mais: pinta. Telas pinceladas por ele nas paredes da casa há.
Se ele borda, não sei, não reparei.
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Habilidade maior tem com as palavras. Tenho orgulho do meu irmão.
Tenho fé em tudo que faz.
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Para mim, ele é sagrado.
(…)
Sagrado.
(…)
Silêncio, por favor!!
(…)
Renato escreve para sempre.
Amém.


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