
Por Elisiê Peixoto
Esses dias, o porteiro do meu prédio perguntou-me como dou conta de fazer tanta coisa ao mesmo tempo. Desde administrar a minha casa, atender as solicitações dos filhos, trabalhar, sair e voltar pra casa milhões de vezes, passear com o cachorro e cuidar da minha vida pessoal. E tarde da noite ir malhar. Se vivo cansada? Não, nem um pouco. Creio que estar ativa e manter a cabeça trabalhando aumentam a minha disposição para a vida. Rejuvenesce, amplia horizontes, favorece relacionamentos, torna-me mais sociável e, acima de tudo, me dá a certeza de que ser mulher é um triunfo. Porque somos fortes, lutadoras e destemidas. Mulher troca fralda, cuida do fogão, atende o telefone, resolve problemas profissionais e sorri para o marido quando a vontade é de sumir – e tudo ao mesmo tempo. Como brinca um amigo: “Tudo pra mulher é mel na chupeta”. Porque a gente dá conta do recado.
Avalio todas as conquistas femininas de forma positiva, conseguimos a duras penas espaços que antes eram negados e dificilmente alcançados. Mas essa coisa de mulher forte e independente, que precisa provar ao mundo que dá conta de tudo, confesso que acho injusta e desumana. Você ter autoconfiança e não depender da aprovação das pessoas é uma situação. Mas passar uma vida levantando bandeira que mulher aguenta o rojão e tem que permanecer forte, participante e ativa na trajetória da vida, custe o que custar, não é comigo.
Mulher precisa de carinho, atenção e colo. Porque somos essencialmente emocionais, e carinhosas. É a nossa natureza, até porque a maternidade nos torna perspicazes, porém mais sensíveis. Quando digo que trabalho muito e não me sinto fisicamente cansada, não isenta o fato de precisar de atenção e cuidado daqueles que amo.
Todos os dias as mulheres travam duras batalhas por condições de trabalho, salários mais justos, direitos, liberdade, autonomia, contra a violência doméstica, contra o preconceito e a discriminação, buscando desatar os nós culturais e sociais que prejudicam a nossa trajetória. E estamos conseguindo. Mas, paralelo a tudo isso, precisamos respirar e ser mais bem cuidadas. Os homens precisam saber e estar atentos a isso. Ser mulher é trabalho dobrado, é jornada semanal fora e dentro de casa. Não é brincadeira ter poder e controle emocional para administrar a casa, seja a mulher solteira, casada, separada, com filhos, sem filhos. Porque às vezes tudo o que a gente precisa é de um tempo quieta num canto, sem ouvir reclamações, solicitações e pedidos de atenção.
Na semana que se comemora o Dia Internacional da Mulher, eu desejo que a nossa luta persevere, mas, acima de tudo, que os nossos desejos mais secretos e nossas necessidades mais simples sejam entendidos. A gente faz tanta coisa e de tudo e ao mesmo tempo que não ver um reconhecimento é doído. No gesto mais simples pode estar aquilo que a mulher mais necessita. E na maioria das vezes ela só quer ser ouvida.
Tem uma música da Elba Ramalho que eu acho linda. Numa estrofe, ela diz assim: “Pra descrever uma mulher/Não é do jeito que quiser/Primeiro tem que ser sensível/Senão, é impossível/Quem vê por fora, não vai ver/Por dentro o que ela é/É um risco tentar resumir/Mulher…” Exatamente isso


Verdades verdadeiras! Parabéns Elisie!!!
Amo SER mulher…..sabe pq??? nao existe monotonia na nossa vida!!! amo a diversidade de funcoes e emocoes….esta coisa de ser ninja e ser princesa…hehehhehe…ah!! q delicia!!!!
Linda crônica…sensibilidade e realidade! Adorei! Feliz dia internacional da mulher para vc Elisiê!
Lindo ver tema tão intenso ser abordado com graça e leveza. Parabéns, Elisiê.
obrigada minha querida
AMEI !!!!
Adorei o texto !! Parabéns .